sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Poeisa 1












LÁGRIMA DE PRETA
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.


Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.


Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
 
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.


Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
 
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
 
António Gedeão

2 comentários:

Paulo Veiga disse...

Os Direitos Humanos estão bem descritos neste belo poema. Apenas lamento, que nos dias que correm, ainda existam verdadeiros genocídios a este perceptível Poema............como o RACISMO.

Amaral disse...

Tens toda a razão Paulo. Os dias de hoje fazem-nos chorar muitas lágrimas, não de preta, mas de vergonha.

P.s - as melhoras e volta depressa à escola. Abraço