quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

DIA MUNDIAL DA PAZ









Embora colocado hoje (31 de Dezembro de 2008) este post é o primeiro de 2009. É-o para comemorar uma data importante, embora para alguns apenas simbólica.
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que o Dia Mundial da Paz se observaria sucessivamente como dia de cessar-fogo e de não-violência a nível mundial, a fim de que todas as nações e povos se sintam motivados para cumprirem um cessar de hostilidades durante todo esse dia. Assim, no dia 1 de Janeiro de cada ano celebra-se o Dia Mundial da Paz. Não poderia haver data melhor. A cada ano que começa é como se voltássemos aos zero e começássemos de novo. Tudo poderia ser esquecido e, sobretudo, perdoado, condição essencial para a paz.
Um 2009 cheio de PAZ é o meu, e o de muitos milhões em todo o mundo, desejo.

Aqui ficam alguns pensamentos:
"A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento”. (Albert Einstein)
"Aquele que inveja outros não tem paz” (Buda)
"Prefiro a paz mais injusta, à mais justa das guerras” (Cícero)
"Se a paz não puder ser mantida com honra, deixa de ser paz” (Bertrand Russel)
“Em tempos de paz, os filhos sepultam os pais; em tempo de guerra, os pais sepultam os filhos” (Herodes)


(José Amaral)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Vamos acabar com este drama

«Doze Silhuetas negras, em tamanho natural, a simbolizar as vítimas mortais dos acidentes rodoviários, foram colocadas em algumas estradas do distrito de Viseu. É mais uma tentativa para sensibilizar os automobilistas para uma condução prudente.
As primeiras placas foram implantadas em três vias conhecidas pelo número elevado de acidentes: EN 229 (Viseu/Sátão), EN 231 (Viseu/Nelas) e IP3. O número de acidentes e as vítimas mortais continuam a baixar no distrito de Viseu, mas o Governador Civil de Viseu, Acácio Pinto considera que é preciso continuar a lembrar os automobilistas que a condução imprudente tem consequências».

(in Jornal do Centro, ed. 354, de 26 de Dezembro de 2008)

Numa iniciativa louvável da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária apareceram estas silhuetas negras, na berma das estradas, para nos fazerem, a nós condutores, pensar duas vezes antes de carregar no acelerador.
Esta época festiva (Natal e Fim-de-Ano) é, muitas vezes, ensombrada por notícias de mortes nas estradas. Cabe-nos a nós ter uma postura cívica que permita alterar este drama. Como diz o slogan “Mortes na estrada: Vamos parar este drama”.

(José Amaral)

O prazer da leitura

Já não estava nos meus planos apresentar mais nenhuma sugestão de leitura em 2008. Pensava eu que com “Sarapicos de Natal” tinha encerrado este capítulo. No entanto, não resisti à tentação de (re)ler um belíssimo livro vencedor do “Prémio Goncourt 1984”. Trata-se de um livro de Marguerite Duras: O Amante (Difel, 98 páginas).
Este livro conta a descoberta do amor e do sexo por uma adolescente, filha de uma família de colonos falidos na Indochina francesa, nos anos 30. Esta descoberta, por parte desta pobre adolescente francesa, acontece na década de 1920 quando esta jovem conhece um importante diplomata chinês durante a travessia do rio Mekong. O amor proibido da menina branca, a sua entrega a um jovem chinês rico, dez anos mais velho do que ela, é também uma forma de escapar à claustrofobia e à derrocada da família, o seu "envelhecimento" precoce, a descoberta da sua solidão. Fascinada pela riqueza e pela elegância do diplomata chinês, a jovem deixa-se levar pela vertigem do amor e os dois envolvem-se numa relação clandestina e tórrida. Mas se os amantes conseguem ultrapassar as diferenças de idade, raça e classe, a sociedade colonial francesa da Indochina jamais permitirá que se ultrapassem as diferenças culturais.
Este livro, é, também, a história da própria escritora.
É um livro com um ritmo alucinante. Lê-se num instantinho. Sugiro a sua leitura.

(José Amaral)

sábado, 27 de dezembro de 2008

2009

Mais um ano se aproxima a passos largos do fim. Passou a correr e não tarda nada ouvir-se-ão as badaladas que anunciam a "morte" de 2008 e o "nascimento" de 2009.
Muitos foram os post's e muitos foram aqueles que visitaram o meu AdLitteram. Comentando ou não foi, graças a eles, que me motivei para colocar aqui os meus "artigos".
Muito obrigado!
Neste findar de ano, desejo a todos um
FELIZ ANO NOVO um PRÓSPERO 2009.


(José Amaral)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS


(Imagem retirada da Internet)
A todos (em especial aqueles que ao longo do ano me visitaram aqui no Adlitteram) desejo um SANTO e FELIZ NATAL.
Que esta época preencha os nossos corações de sentimentos nobres.
(José Amaral)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Literatura natalícia

Foram muitas as sugestões literárias ao longo deste ano de 2008, que agora se aproxima, a passos largos, do fim.
Muitas e boas!
No dia dezassete de Dezembro foi o lançamento de mais um livro, uma antologia de contos se Natal, contento um conto meu. É esse mesmo livro que trago aqui como sugestão para este Natal e para esta quadra natalícia. Trata-se de Sarapicos de Natal (Papiro Editora, 210 páginas). É uma antologia de vinte e três contos, cada um ilustrado, que merecem bem a pena serem lidos. Muitas são as visões de apresentar o Natal. Tradições, usos, costumes, cheiros, desejos, fantasias... tudo um pouco nasce nesta antologia.
Esta é a minha última sugestão deste ano. Vale a pena ler...




(José Amaral)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sugestão

Hoje fui ao cinema com o meu filho ver o filme A Lenda de Despereaux (Framestote Feature Animatio). Um filme animado e com uma mensagem interessante. Vale a pena ver. Aqui fica a sinopse do mesmo:
«Pequeno e abençoado com umas orelhas sobredimensionadas, Despereaux nasceu grande demais para o pequeno mundo em que vive. Recusando viver a sua vida paralisado pelo medo, ele torna-se amigo da Princesa Pea e aprende a ler livros, em vez de comê-los, descobrindo histórias de cavaleiros, dragões e belas donzelas. Banido do Mundo dos Ratos por ser mais homem do que rato, Despereaux é salvo por outro proscrito, Roscuro (uma ratazana), que também deseja ouvir as histórias. Mas quando a Princesa recusa a amizade de Roscuro, ele torna-se na maior das ratazanas e planeia vingança junto com Mig. ERA UMA VEZ… no reino distante de Dor - havia magia no ar, riso com fartura e litros e litros de sopa de fazer crescer água na boca. Mas um acidente partiu o coração do Rei, deixou a Princesa cheia de saudades e as pessoas da cidade sem a sua sopa. A luz do sol desapareceu. O mundo ficou cinzento. Toda a esperança se desvaneceu nesta terra… até Despereaux Tilling nascer. Um conto de fadas moderno, «A Lenda de Despereaux» conta a história de vários heróis improváveis: Despereaux, um valente ratinho banido para as masmorras por falar com um humano; Roscuro, uma ratazana com bom coração que adora a luz e a sopa mas se vê exilado na escuridão; Pea, uma princesa num castelo sombrio, prisioneira do desgosto de seu pai; e Mig, uma criada que sonha ser princesa, mas se vê forçada a servir o carcereiro. Nesta história de bravura, perdão e redenção, uma pequena criatura irá mostrar a um reino que é necessário apenas uma pequena luz para revelar a verdade: a tua aparência não equivale ao que realmente és».

(José Amaral)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Excelente

Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de Dezembro de 1865 e aí faleceu a 28 de Dezembro de 1918. Jornalista e poeta brasileiro foi membro e fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Aqui fica um belo poema da sua autoria.

(Imagem retirada da Internet)


Um beijo


Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca mal ferida.

Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
baptismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....


(José Amaral)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Literatura Nobel

Quase a terminar mais um ano, mais uma sugestão literária. Desta feita o autor é o vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio. Le Clézio nasceu em Nice, a 13 de Abril de 1940. Até meados dos anos 70, a sua obra, que conheceu logo de início um grande sucesso, foi muito marcada pelas pesquisas formais do «novo romance». Depois, o interesse pela história da sua própria família, o amor das viagens e o fascínio que nutria pelas culturas ameríndias encaminharam-no para novos modelos literários, tendo por base o mito e uma extraordinária riqueza imagética, de pendor quase alucinatório.
Desta feita o livro que hoje sugiro é A Febre (Ulisseia, 220 páginas). Le Clézio compõe nove histórias de pequena loucura, ficcionais mas não inventadas, inspiradas por uma experiência familiar. A matéria delas é baseada numa experiência familiar. Todos os dias perdemos a cabeça por causa dum pouco de temperatura, duma dor de dentes, duma vertigem passageira. Encolerizamo-nos. Gozamos. Embriagamo-nos. Nada disso dura muito tempo, mas é suficiente. A nossa pele, os olhos, os ouvidos, o nariz, a língua, armazenam diariamente milhões de sensações das quais nem uma só é esquecida. Eis o perigo. Somos autênticos vulcões. Destas nove histórias destaco a última “Um dia de velhice”. Muito boa.
Quanto às outras histórias embora não deslustrem confesso, na minha modesta opinião, que estava à espera de mais. Tanto mais que se trata de um vencedor do Nobel. No entanto, vale a pena ler.

(José Amaral)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tempo de Amor

(Imagem retirada da Internet)

E porque o Natal se aproxima… e porque é tempo de partilha… e porque é tempo de reflexão… aqui fica um belíssimo poema de Natália Correia

FALAVAM-ME DE AMOR


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

(José Amaral)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

60 Anos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada pela ONU em 10 de Dezembro de 1948. Esboçada principalmente por John Peters Humphrey, do Canadá, mas também com a ajuda de várias pessoas de todo o mundo, delineia os direitos humanos básicos.
A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adopção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efectiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, o documento mais traduzido em todo o mundo [Segundo o “Guinness Book of World Records”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é o documento traduzido no maior número de línguas (em 2004, cerca de 330)], comemora esta quarta-feira 60 anos.
A Amnistia Internacional espera que este aniversário «seja uma data de acção e não apenas de celebração», lembrando que «a injustiça, desigualdade e impunidade persistem em muitas partes do mundo», nomeadamente pelo facto de «os governos fazerem promessas e aprovarem leis, mas falharem no seu cumprimento».
No entanto, a Amnistia Internacional salienta que a Declaração contribuiu decisivamente para muitas conquistas alcançadas em todo o mundo, como o reconhecimento dos direitos das mulheres e das crianças, a criação do Tribunal Penal Internacional ou a abolição da pena de morte em dois terços dos países do planeta.

(Imagens retiradas da Internet)

(José Amaral)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Antologia de Contos

Vem aí o livro Sarapicos de Natal! Uma antologia de contos de Natal, com a chancela da Papiro Editora, doce e com travo a canela, para contar à lareira…
Com capa da autoria de Manuel Barroca, Sarapicos de Natal conta com a participação dos autores José Amaral, Benedita Stingl, Zina Abreu, Adélia Gamboa, Lena Leote, entre muitos outros…
A apresentação no Porto será no Centro Comercial Dolce Vita, no dia 13 de Dezembro de 2008, pelas 17:00 horas, na zona de descanso do piso 3.
Aqui fica o convite a todos aqueles que quiserem estar presentes. Sós ou acompanhados, a vossa presença será motivo de orgulho para todos os que tornaram real esta antologia. Podem aproveitar para adquirir o livro, pois será, certamente, uma deliciosa prenda de Natal.

(José Amaral)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acidente aéreo?

Francisco de Sá Carneiro nasceu no Porto, a 19 de Julho de 1934 e faleceu em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980. Político português, fundador e líder do Partido Popular Democrático / Partido Social-Democrata, e ainda primeiro-ministro de Portugal, durante cerca de onze meses, no ano de 1980.
Advogado de profissão, formado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, foi eleito pelas listas da Acção Nacional Popular, o partido único do regime salazarista, para a Assembleia Nacional, o parlamento fantoche do regime, convertendo-se em líder da Ala Liberal, onde desenvolveu diversas iniciativas tendentes à gradual transformação da ditadura numa democracia típica da Europa Ocidental.
Adelino Amaro da Costa nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1943 e faleceu em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980. Político português fortemente influenciado pela Democracia cristã.
Formado em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico em 1966, foi Director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministro Veiga Simão.
Após a Revolução dos Cravos, foi um dos fundadores, com Diogo Freitas do Amaral, do Centro Democrático Social (CDS) (actual Partido Popular), partido de inspiração democrata-cristã.
Nunca foram apurados os factos do estranho acidente aéreo que vitimou estes dois políticos.

(José Amaral)

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Assinala-se, esta quarta-feira, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, numa altura em que a maioria dos cidadãos nesta situação continuam a ser alvo de exclusão e descriminação no acesso, em condições de igualdade, ao ensino, emprego, habitação e transportes.
A denúncia parte da Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD), que, em comunicado difundido pela Agência Lusa, assegura que as promessas de combate à exclusão social não tem tido uma tradução prática em Portugal.
Segundo a CNOD, os portugueses portadores de deficiência continuam a viver o dia-a-dia com falta de acessibilidades, maiores gastos com a saúde, maior dificuldade na obtenção de posto de trabalho e no acesso ao ensino.
Recorde-se que Portugal foi dos primeiros países a assinar, em 2007, a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência, embora continue a faltar ainda a sua ratificação pelo Parlamento.

(in “Diário Digital” 03DEZ08)

domingo, 30 de novembro de 2008

STOP À SIDA

A 1 de Dezembro, em todo o mundo, comemora-se o Dia Mundial da Luta contra a SIDA. Este flagelo que tem matado muitas pessoas, anónimas ou conhecidas, em todo o mundo.
A palavra SIDA (AIDS em Inglês) é formada pelas primeiras letras duma situação clínica, designada por Síndroma de ImunoDeficiência Adquirida.
Calcula-se que as primeiras infecções ocorreram em África nos anos 30, apesar de o primeiro registo de uma morte por SIDA remontar a 1976, quando uma médica dinamarquesa contraiu a doença no Zaire (República Democrática do Congo). Só quatro anos mais tarde é que começaram a aparecer casos inexplicáveis de doenças oportunistas em homossexuais já contaminados nos EUA.
A descoberta do vírus aconteceu em 1983 e foi atribuída ao francês Luc Montagnier (laureado este ano de 2008 com o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta do vírus HIV) do Instituto Pasteur em Paris e ao americano Robert Gallo, do Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland nos EUA.
Actualmente cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o vírus da SIDA.
O VIH é um vírus bastante poderoso que, ao entrar no organismo, se introduz no sistema sanguíneo, onde começa de imediato a replicar-se, atacando o sistema imunológico, destruindo as células defensoras do organismo e deixando as pessoas infectadas mais debilitadas e sensíveis a outras doenças, as chamadas doenças oportunistas.
A transmissão pode acontecer de variadas formas: relações sexuais desprotegidas, contacto com sangue infectado e também de mãe para filho (durante a gravidez, parto ou amamentação).
Uma das classes de maior risco de contrair o VIH-SIDA são os adolescentes, por falta de conhecimento sobre como prevenir a infecção, pressão dos pares e comportamento de risco.
Segundo o relatório “As Crianças e a Sida”, morreram 290 mil crianças com menos de 15 anos, em 2007, vítimas desta doença. No entanto, segundo o estudo, há progressos no combate à transmissão do HIV de pais para filhos.
Em média, morre uma criança vítima de Sida a cada dois minutos que passam. São cerca de 33 mortes por hora, 795 por dia, ou 290 por cada ano que passa, metade das quais com menos de 2 anos de idade.
Esta doença ganhou maior notabilidade quando alguns famosos, em todo o mundo morreram. De uma lista imensa destacam-se Rock Hudson, Freddy Mercury e o português António Variações.
A melhor “cura” para a SIDA é a prevenção!

(José Amaral)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

FP

Fernando Pessoa, poeta e escritor, nasceu em Lisboa, no dia de S.to António, 13 de Junho de 1888 e faleceu também em Lisboa, a 30 de Novembro de 1935.
É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Teve uma vida discreta, em que actuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterónimos.
Morreu de problemas hepáticos aos 47 anos. Aqui fica um dos seus belíssimos poemas cujo título é tão sugestivo.



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...



(José Amaral)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Remorsos para quem não ler

Mais uma sugestão literária. Mais um autor português. Mais um Livro premiado. Por ordem: “o remorso de Baltazar serapião” (Quidnovi, 174 páginas), da autoria de Valter Hugo Mãe, vencedor do Prémio José Saramago 2007. Novamente estamos na presença de um livro todo ele escrito em minúscula.
Depois de ter apresentado aqui “o apocalipse dos trabalhadores”, que me deixou expectante quanto à prosa de VHM, li este belíssimo livro e confirmei todas as expectativas. A história centra-sena Idade Média brutal e miserável. Encontramos o protagonista, Baltazar Serapião, que se casa com a mulher dos seus sonhos, Ermesinda, e, tal como o pai fizera antes com a mãe e com a vaca Sarga, fêmeas irmanadas em condição e estatuto familiar, leva muito a sério a administração da sua educação. Baltazar olha a mulher como um ser a necessitar de educação, não um ser qualquer, mas um ser que lhe pertence. O senhor feudal, dom Afonso, pondo os olhos sobre a jovem esposa, não desiste de exercer sobre ela os seus direitos. Baltazar sente-se encornado e quer vingança. Como nada consegue no seu senhor vinga-se na mulher. Entregue aos desmandos do poder e do destino, Baltazar será forçado a seguir por caminhos que o levarão ao encontro da bruxaria, da possessão e do remorso.Com um notável trabalho de linguagem que recria poeticamente a língua arcaica e rude do povo, este livro é uma tenebrosa metáfora da violência doméstica, violência feminina, e do poder sinistro do amor.
Recomendo vivamente esta bela obra.

(José Amaral)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Grande Poeta

Rómulo de Carvalho, mais conhecido pelo pseudónimo de António Gedeão, nasceu em Lisboa, a 24 de Novembro de 1906 e faleceu igualmente na capital, a 19 de Fevereiro de 1997. Foi um excelente professor, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência e poeta.
Aqui fica um dos seus poemas mais conhecidos:

(Imagem retirada da Internet)

Pedra filosofal



Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.



(José Amaral)

domingo, 16 de novembro de 2008

Uma leitura sem fim...

De volta às sugestões literárias, trago aqui hoje o volume II dessa bela obra de Ken Follet: Um Mundo Sem Fim (Editorial Presença, 588 páginas).
Voltamos a Kingsbridge – donde não saímos desde o 1º volume de “Os Pilares da Terra” – para seguir esta narrativa apaixonante, cheia de amores, ódios, vinganças. A cidade, que ficará conhecida pelo escarlate de Kingsbridge, é assolada pela Peste.
As intrigas continuam no Priorado, onde Godwin chega a prior, acolitado por um não escrupuloso Philemon. Com a chegada da Peste os monges fogem e será Caris a ser nomeada prioresa.
Merthin vai para Florença, após a recusa de Caris em abandonara a vida conventual. Aí casa-se e tem uma filha. A Peste leva-lhe a mulher, mas poupa-o a ele e à filha. Regressa a Kingsbridge. Neste regresso vai manter uma vida de casado com Caris. O irmão Ralph trona-se conde de Shiring. Um conde irascível e vingativo. Não tem problemas em violar mulheres, como foi o caso de Gwenda de quem terá um filho. Wilfric, o grande rival de Ralph, vai criá-lo sem saber que era filho do conde. O feitiço vira-se contra o feiticeiro e será Sam, o filho do conde, que o matará sem saber que estava a matar o pai.
Também Merthin atinge os seus objectivos. Acaba por se casar com Caris e constrói a torre mais alta de Inglaterra. Também ele não foge às polémicas. Phillipa que enviuvara casa-se, sob chantagem, com Ralhp, mas terá um filho de Merthin irmão de Ralph. Só eles os dois e Caris é que sabem.
Por fim, o segredo tão bem guardado desde a infância dos quatro principais intervenientes. O irmão Thomas morre e Merthin descobre que ele enterrara uma carta que continha um segredo: o velho rei Eduardo não tinha morrido; encenou a sua morte; a rainha nada disse, pois toda a Europa soube da morte do rei… se este segredo se soubesse poder-se-ia tornar uma pedra no sapato do novo rei (filho do velho rei) e de toda a Inglaterra.
Muitos são os argumentos para ler, e não perder, mais este volume desta emocionante história.

(José Amaral)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sabedoria Popular

António Aleixo, poeta popular português, nasceu em Vila Real de Santo António, a 18 de Fevereiro de 1899 e faleceu em Loulé, a 16 de Novembro de 1949. As suas quadras são de uma sabedoria profunda. Popular? Certamente, mas nem por isso de se deitar fora. Muito pelo contrário. Como dizia Gil Vicente “ridendo castigat mores”. Também as quadras aleixianas nos dizem verdades a rir.
Aqui ficam alguns exemplos:



P'ra mentira ser segura

e atingir profundidade,

tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Eu não sei porque razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.

Uma mosca sem valor
poisa, c'o a mesma alegria,
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.

Entre leigos ou letrados,

fala só de vez em quando,
que nós, às vezes, calados,
dizemos mais que falando.

Sei que umas quadras são conselhos
que vos dou de boa fé;
outras são finos espelhos
onde o leitor vê quem é.

Quando não tenhas à mão
outro livro mais distinto,
lê estes versos que são
filhos da mágoa que sinto.

Mentiu com habilidade,

fez quantas mentiras quis;
agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz

Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.

Não sou esperto nem bruto,

nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.

Vemos gente bem vestida,

no aspecto desassombrada;
são tudo ilusões da vida,
tudo é miséria dourada.

Peço às altas competências

Perdão, porque mal sei ler,
P’ra aquelas deficiências
Que os meus versos possam ter.

Quando os Homens se convençam

Que à força nada se faz,
Serão f’lizes os que pensam
Num mundo de amor e paz.

Julgando um dever cumprir,

Sem descer no meu critério,
- Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!

(José Amaral)

sábado, 8 de novembro de 2008

Luta por uma causa

Mais um dia D para a Educação e para os professores. Hoje, 8 de Novembro de 2008, em Lisboa esperam-se mais de 100 mil professores numa manifestação gigantesca, semelhante à de Março passado. Será um mar imenso de professores. Muitos são aqueles que, por opção ou por imperativos de força maior, não poderão estar presentes, mas nem por isso deixarão de estar presentes (em espírito) e nem por isso deixarão de lutar por esta causa.
A concentração dos professores terá início às 14:30 no Terreiro do Paço, em Lisboa, onde irá decorrer um plenário cerca de meia-hora depois. Segue-se Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal. Aí deverá ser aprovada uma resolução a exigir ao Governo a suspensão da avaliação de desempenho e o início de novas negociações para alterar o modelo definido pelo Ministério da Educação.
Ontem, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas.
Já vai sendo tempo de o M. E. deixar de lado as teimosias e as imposições e de constatar que este modelo não é funcional. Além de muito burocrático e extremamente injusto. O sucesso dos alunos não pode ser leitmotiv para um professor ser avaliado. Assim, o mais fácil é passarem todos, e há sucesso e o professor obtém uma nota boa. «A avaliação tem de ser externa, retirando das escolas e dos docentes a carga burocrática e conflitual que os desviam da sua função primordial que é ensinar. A avaliação tem de procurar a efectiva valorização do mérito e da excelência, devendo por isso pôr-se fim às quotas administrativas criadas por este Governo» defende, e bem, a líder do PSD. Mais defende que é preciso também «acabar com a divisão da carreira docente, iníqua e geradora de injustiças, entre professores titulares e professores que acabam por ser classificados de segunda».
Esta causa não pode esmorecer até que seja reposta a justiça. Os professores não temem ser avaliados, sempre o fomos (bem ou mal era o modelo que existia – que estava gasto), mas que sejamos avaliados por um modelo justo.

(José Amaral)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Poema


Sei os teus seios.
Sei-os de cor.

Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.

Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.

Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!

Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!

Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?

Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?

Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!

Quantos seios ficaram por amar?

Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!

Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!

Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...

Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.

Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...

Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!

Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...

O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"

Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!

Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.

Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!

Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!

"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"

Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")

De repente a podridão do seio.

Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...

Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...

Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...

Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!

Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.

Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser.

(Alexandre O’Neill)

sábado, 1 de novembro de 2008

Dias de Reflexão

A Igreja Católica festeja a 1 de Novembro (feriado) a festa de Todos-os-Santos (Festum omnium sanctorum). Celebra-se em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não. No dia seguinte, 2 de Novembro, a Igreja Católica celebra o Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia de Finados. Desde o século II, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de Novembro, porque a 1 de Novembro é a Festa de Todos os Santos.
Nestes dias de reflexão e recolhimento aqui vos deixo um belíssimo soneto da autoria de Vasco Graça Moura:



soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção

que escrevo para ti. quando eu morrer

fica junto de mim, não queiras ver

as aves pardas do anoitecer

a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,

põe os olhos nos meus se puder ser,

se inda neles a luz esmorecer,

e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,

sempre a doer de tanta perfeição

que ao deixar de bater-me o coração

fique por nós o teu inda a bater,

quando eu morrer segura a minha mão.


(José Amaral)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Peditório Nacional


A Liga Portuguesa Contra o Cancro leva a efeito mais um peditório. Para fazer face a uma doença que atinge mais de 20.000 portugueses, a LPCC realiza o seu peditório anual nos dias 1, 2, 3 e 4 de Novembro, por todo o território nacional. Em Portugal, os cancros de maior incidência são o da mama, pele, próstata, cólon, recto, estômago, colo do útero e pulmão. Anualmente surgem 4500 novos casos de cancro da mama, em Portugal.
Mais de cinco mil voluntários, espalhados pelo país, apoiam esta causa. De acordo com Manuela Rilvas, presidente da LPCC, “o peditório anual representa cerca de 90 por cento das receitas da Liga, que não tem qualquer subsídio para o desenvolvimento das suas actividades”.
O montante recolhido neste peditório nacional será aplicado em actividades de rastreio do cancro da mama, investigação, acção social e de acompanhamento de doentes e familiares, campanhas de informação e prevenção, cuidados paliativos, luta antitabágica, entre outros projectos.
Manuela Rilvas salienta "Nós precisamos de ajuda. É fundamental que as pessoas colaborem nesta iniciativa para que possamos fazer face a uma doença tão cruel como é o cancro".
Fundada em 1941, por proposta do Prof. Francisco Gentil, a Liga Portuguesa Contra o Cancro tem como objectivo promover a prevenção primária e secundária do cancro, o apoio social e a humanização da assistência ao doente oncológico e a formação e investigação em oncologia.
(
Liga Portuguesa Contra o Cancro).
Eis uma causa na qual todos nós devemos participar. O nosso contributo é essencial. Quer seja pelo voluntariado, quer seja pelos nossos donativos não devemos deixar de colaborar nesta causa.

(José Amaral)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Poema




AlvoreS

No alvor da aurora
abri os olhos, mas não acordei.
Sentia-me sorumbático,
perdido na imensidão
de um deserto de acalmia
de brisas suaves
de pensativos e expectantes
desejos incontidos
incontados
“in com tudos”.

Bateram, suavemente,
na madeira das minhas pálpebras
perguntando se morava,
naqueles “berlindes observantes”,
alguém.
Não, não morava lá ninguém.
Perdão!
Morava um... invisual.

O meu mundo,
sempre com a luz eléctrica cortada
(maldita companhia,
só pensa em impostos)
era negro;
de um negro lindo,
para mim,
um negro acetinado
que me protegia.

Agradeci aos Céus
o facto de ser invisual.
Não, não é masoquismo!!!

Assim não sou obrigado
a ver violência,
miséria,
ódio, ...nada.

Chamam-me cego,
alguns ceguinho,
eu sei.
Quero que saibais,
irmãos:
- «Vejo melhor, eu,
na minha cegueira,
que vós na vossa verborreia prepotente».


(in “Poder da Díctamo”, José Amaral)

domingo, 26 de outubro de 2008

Já foi há 10 anos...

Faz hoje dez anos, 26 de Outubro, que morreu um dos maiores escritores portugueses. Dez anos! Falo de José Cardoso Pires, nascido a 2 de Outubro de 1925, em Vila de Rei e falecido em Outubro de 1998, em Lisboa cidade que ele escolheu para viver.
A sua experiência da vida boémia, da rua e da noite, resultou num conhecimento que transpõe para alguns dos seus textos (p. exemplo "Alexandra Alpha"). Foi oficial da Marinha Mercante e realizou esporadicamente trabalhos como jornalista e redactor de publicidade até se dedicar definitivamente à escrita. A sua obra é vastíssima, assim como os prémios que recebeu. Nada melhor que deixar aqui um excerto (de “A Balada da Praia do Cães”) para nos recordar a escrita deste vulto da literatura portuguesa.

«[...] Às vezes pasmo, Melanie, com a exactidão com que estes momentos me vêm à memória. Estou a ver o elevador, é como se tivesse sido ontem. O portão de grades trabalhadas em cobre, o guarda-vento de vidros foscos com umas flores lavradas que pareciam jarros do oriente. E os espelhos aos lados? E o banquinho de veludo na parede do fundo, tão virginal, tão romântico? Oh, era uma cestinha de arcanjos, aquele elevador, todo em ouros e brancos esmaltados. Mas o inesquecível era a máscara do diabo que havia no tecto a olhar cá para baixo! Assustava e enternecia. Tinha uns corninhos de fauno, saídos do conjunto da figura que era em relevo dourado e com uma mascarilha vermelha. Tantas minúcias, eu bem digo…Não te parece estranho?E todavia tudo se passou fora do tempo e do espaço! Tudo, ma chèrie, Tudo! Ainda mal tínhamos fechado a porta já o Gaston-Philippe se colava a mim a percorrer-me desvairadamente com as mãos. Contornava-me, cingia-me com um braço e procurava-me as coxas e as nádegas por baixo da roupa. Eu própria levantei o vestido, colando-me mais a ele, e imagina a surpresa que o tomou quando sentiu nos dedos a verdade do meu ventre!»

(José Amaral)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

MUDANÇA DA HORA

(Imagem retirada da Internet)

Segundo informação do Observatório Astronómico de Lisboa e, em conformidade com a legislação, a hora legal em Portugal continental: será adiantada de 60 minutos à 1 hora de tempo legal (1 hora UTC) do dia 30 de Março e atrasada de 60 minutos às 2 horas de tempo legal (1 hora UTC) do dia 26 de Outubro.
Assim, e desta forma, este fim-de-semana vamos poder dormir mais uma hora. Quando forem 2 horas da madrugada de Domingo, os ponteiros devem atrasar para a 1 hora.
Convém não esquecer para não andarmos trocados nem nos esquecermos dos nossos compromissos.


(José Amaral)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Dez réis de esperança


Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

(António Gedeão)

sábado, 18 de outubro de 2008

A saga continua...

Volto às sugestões literárias. O autor não é desconhecido: Ken Follet. À semelhança de "Os Pilares da Terra", Ken Follett volta ao registo do romance histórico, numa obra dividida em dois volumes. Desta feita trata-se de Um mundo sem fim – volume I (Editorial Presença, 581 páginas). O autor regressa à cidade de Kingsbridge, mas com um intervalo de dois séculos. Recorre a elementos comuns do primeiro livro e dá vida a descendentes de algumas das personagens de “Os Pilares da Terra”.
No dia 1 de Novembro de 1327, quatro crianças presenciam a morte de dois homens por um cavaleiro. Três delas fogem com medo, ao passo que uma se mantém no local e ajuda o cavaleiro ferido a recompor-se e a esconder uma carta que contém informação secreta que não pode ser revelada enquanto ele for vivo. Estas crianças quando chegam à idade adulta viverão sempre na sombra daquelas mortes inexplicáveis que presenciaram naquele dia fatídico. Ken Follet volta a preencher este romance de amor (uns bem sucedidos, outros não correspondidos), ódio, ambição e vingança. É frequente recorrer-se a truques baixos para se alcançar os fins desejados. Merthin, Ralph, Caris e Gwenda ficarão marcados pelo tempo em que vivem.
A queda da ponte que faz a ligação com Kingsbridge torna-se num dos centros fulcrais desta acção. Mas não só… a eleição do prior Godwyn… o amor entre Merthin e Caris… o seu quase casamento… a inesperada ida de Caris para freira para não ser executada como bruxa…
Este primeiro volume lê-se com o mesmo agrado que os anteriores volumes desta saga. A vida medieval é retratada com realismo nu e cru, fazendo-nos vivenciar a vidas das personagens. Recomendo vivamente a leitura deste livro.


(José Amaral)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Humor

(imagem retirada da Internet)

Viver não custa, custa é saber viver.
Que seria da vida sem humor!...
(José Amaral)


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Poesia de bandeira

Manuel Bandeira nasceu em Recife, a 19 de Abril de 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, a 13 de Outubro de 1968. Poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro, Manuel Bandeira é um dos nomes mais sonantes da Literatura Brasileira.
Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira.


Desencanto



Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.


(José Amaral)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A voz

Jacques Brel nasceu em Schaarbeek, Bélgica a 8 de Abril de 1929 e faleceu em Bobigny, França a 9 de Outubro de 1978. Autor de canções, compositor e cantor belga francófono. Este cantor que se consumia em palco tinha uma voz característica. As suas letras mostravam toda a “raça” do cantor, transposta para os palcos. Aqui fica a composição “Ne me quitte pas”.

Ne me quitte pas

Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas


Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas


On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quite pas
Ne me quite pas


Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas

(José Amaral)

sábado, 4 de outubro de 2008

DIA MUNDIAL DO PROFESSOR

A 5 de Outubro celebra-se o Dia Mundial do Professor. Este dia celebra-se desde que a UNESCO resolveu associar esta comemoração à mesma data em que, em 1966, uma conferência intergovernamental, organizada conjuntamente pela UNESCO e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), aprovou uma “Recomendação” respeitante ao estatuto dos professores. A primeira vez que foi assinalada a data foi em 1993, em Genève, com a presença de Federico Mayor, alto responsável da UNESCO. Os professores são mais de 60 milhões em todo o mundo e a UNESCO reconhece que se trata de um grupo profissional fundamental sem o qual “não pode haver nem desenvolvimento durável, nem coesão social, nem paz”.
Para este ano o slogan escolhido é: OS PROFESSORES CONTAM! Esta afirmação relembra o trabalho diário dos professores e educadores na construção de um mundo melhor.


Em Portugal será que os professores são tratados com o respeito merecido? As sondagens dizem que são a classe em quem os portugueses mais confiam, mas os governantes responsáveis pela Educação no nosso país nem sempre os tratam como devem. Vale a pena ler o artigo de José Gil (revista “Visão” – n.º 813 – 2 de Outubro de 2008) sob o título “A domesticação da sociedade”. Como o artigo é um pouco extenso apenas transcrevo o último parágrafo:
«No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz, “a desactivação da acção”. É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política, à maneira de certos processos psicóticos».

(José Amaral)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

"Instrument de la Paix..."

São Francisco de Assis nasceu em Assis, a 26 de Setembro de 1181 e faleceu a 3 de Outubro de 1226. Frade católico, fundou a "Ordem dos Frades Menores", mais conhecidos como Franciscanos. Foi canonizado em 1228 pela Igreja Católica.
Um dos textos mais conhecidos de S. Francisco é a “Oração de São Francisco”. Aqui fica o texto na sua versão original (Francês) e numa das traduções portuguesas mais conhecidas:


Belle prière à faire pendant la Messe

Seigneur, faites de moi un instrument de votre paix.
Là où il y a de la haine, que je mette l’amour.
Là où il y a l’offense, que je mette le pardon.
Là où il y a la discorde, que je mette l’union.
Là où il y a l’erreur, que je mette la vérité.
Là où il y a le doute, que je mette la foi.
Là où il y a le désespoir, que je mette l’espérance.
Là où il y a les ténèbres, que je mette votre lumière.
Là où il y a la tristesse, que je mette la joie.
Ô Maître, que je ne cherche pas tant à être consolé qu’à consoler, à être compris qu’à comprendre, à être aimé qu’à aimer, car c’est en donnant qu’on reçoit, c’est en s’oubliant qu’on trouve, c’est en pardonnant qu’on est pardonné, c’est en mourant qu’on ressuscite à l’éternelle vie.

(Pintura de El Greco - Imagem retirada da Internet)


(Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz!
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amem.)

(José Amaral)

sábado, 27 de setembro de 2008

O actor norte-americano Paul Newman morreu aos 83 anos. O também realizador, argumentista, produtor e conhecido pela sua defesa pelas causas humanitárias anunciou a sua saída do mundo do cinema no ano passado, pouco antes de confirmar publicamente que se encontrava doente com um cancro de pulmão.
A morte do actor foi confirmada pela sua porta-voz, Marni Tomljanovic, citada pela CNN e BBC. Newman morreu ontem, cerca de um mês depois de o próprio ter decidido interromper os tratamentos de quimioterapia a que estava a ser sujeito num hospital de Nova Iorque e pedido à família para ir para casa.
Com mais de 60 participações em filmes e dezenas de outras em séries televisivas, Newman recebeu dez nomeações para os Óscares ao longo da sua carreira, tendo finalmente sido distinguido em 1987 com o Óscar para melhor actor principal pela sua interpretação em “A Cor do Dinheiro”. Foi ainda distinguido com dezenas de outros prémios,
A sua última aparição no grande ecrã foi ao lado de Tom Hanks, no filme “Caminho para a Perdição” (2002), do realizador Sam Mendes.
Nascido num subúrbio de Cleveland, a 26 de Janeiro de 1925, foi aos 26 anos que começou a dar os primeiros passos na actuação. Ao longo dos 50 anos que seguiram, Newman interpretou papéis memoráveis em filmes como “Gata em Telhado de Zinco Quente” (1958), “A Vida é um Jogo” (1961), “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969) ou “The Sting” (1973). Além da carreira de actor, Newman realizou ainda quatro filmes, todos com a participação da mulher Joanne Woodward, com quem estava casado desde 1958,
O norte-americano deixou ainda a sua marca através da Newman's Own Foundation, com a qual financiava várias organizações de caridade e humanitárias. Newman fundou ainda a Hole in the Wall, uma organização que oferecia férias de Verão a crianças de todo mundo que sofriam de doenças graves.
Robert Forrester, vice-presidente da Newman's Own Foundation, sublinhou num comunicado divulgado hoje que o actor “o seu coração e alma foram dedicados ajudar a fazer do mundo um melhor lugar para todos”.
Newman tinha ainda uma enorme paixão pelas quatro rodas. Em 1979, na altura com 54 anos, levou um Porsche 935 da equipa Dick Barbour ao segundo lugar da mítica prova francesa as 24 horas de Le Mans, uma das maiores provas de resistência.
Aos 70 anos, tornou-se o piloto mais velho a fazer parte da equipa vencedora das 24 horas de Daytona, em 1995.

(27.09.2008 - in “PÚBLICO”)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Outono

Já uma vez aqui publiquei este poema, mas em jeito de recepção ao Outono que agora começa volto a publicá-lo.

OutonO

Era Outono!

Passei por uma ruazita;
num pobre banco de madeira,
um “pobre” idoso sentado.
Tinha uma lágrima,
no canto do olho,
prestes a escorrer pela sua face
já gasta pelas agruras da vida.

Era Outono!

Nesse preciso momento reparei,
na única árvore existente.
Estava praticamente despida.
Tinha a sua beleza,
tal como o velhinho;
uma única folha
se mantinha incólume
à passagem do tempo.

Era Outono!

O idoso baixou a cabeça.
O ramo da árvore,
onde se encontrava a solitária folha,
buliu.

Era Outono!

Quando nada o fazia prever,
o sopro da vida,
gélido e aterrador,
percorreu a ruazita.
Foi fatal!
Para a folha que... caiu.
Para o idoso que... faleceu.

Era Outono!...
(in "Poder da Díctamo", José Amaral)

domingo, 21 de setembro de 2008

Poema

26


Já não me importa saber quem sou
nem o que faço aqui
importa-me saber, meu País,
que mais queres que faça por ti?…

Em Abril saí à rua,
onde tive meus filhos
cuja mãe é a madrugada,
redobrados ficaram os cadilhos,
mas em troca não me deste nada.

Plantaste-me na mão
arma e cravos
que não brinquedos e alimento,
meus filhos choram noite inteira
e eu sofro calado meu tormento.
Meus pés pisam o joio e acordam,
sangrando lamúrias,
de um sonho que espalhaste
como trigo que nunca deu grão.


(in “25 de Abril – 34 Anos”, José Amaral)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Amador...


Amador sem coisa amada


Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.

(António Gedeão)