terça-feira, 4 de setembro de 2007

Mais um ano lectivo

professor

Entra na sala

de pasta na mão

ou a tiracolo.

Na outra mão

o livro de ponto.

É o primeiro dia de aulas,

mas este ritual

repetir-se-á ao longo

do ano.

Os alunos

chegam a horas

nesse dia,

ritual que para alguns

jamais se repetirá

ao longo do ano.

Dão-se ao conhecimento.

Da turma dizem-se

“cobras e lagartos”;

realidade ou ficção?

o tempo o dirá!

(...)

Passam os dias!

O ano aproxima-se

a passos largos do fim.

Sai da sala

de pasta na mão

ou a tiracolo.

Na outra mão

o livro de ponto.

É o último dia de aulas,

mas este ritual

repetir-se-á ao longo

dos anos.

(in Oráculo Luminar, José Amaral)

4 comentários:

Isabel-F. disse...

parece rotineiro ...

mas a profissão de professor não é uma rotina ... pois não???


gostei do poema.

bjs

Amaral disse...

Isabel
Eu garanto-lhe que por todas e mais algumas razões não é uma rotina. É vero que alguns caem na rotina e acomodam-se, mas esses são um número ínfimo. Eu procuro não me deixar cair nessa teia rotineira.
Obrigado por ter gostado do poema.
Bjo

Meg disse...

É essa capacidade de inventar e fugir à rotina que admiro em alguns professores que conheço, infelizmente muito poucos.
Hoje, que o ensino deixou de ser uma vocação, e sim uma oportunidade de trabalho, apenas.

Quem sou eu para não gostar do poema, se nele leio a realidade?
Um abraço

Amaral disse...

Meg
Não posso discordar daquilo que afirma. Infelizmente hoje em dia ser professor não é de todo uma vocação.
Eu ainda me sinto vocacionado.
Abraço