domingo, 25 de fevereiro de 2007

Já pensou nisto...

Hoje, ao ler o "Jornal de Notícias" (25FEV07) dei, na Página do Leitor com uma carta assinada por Maria Domingues e com o sugestivo tìtulo: «Professores não podem adoecer». Antes de mais, devo tirar o chapéu a esta senhora pela lucidez com que escreve a carta.
Noutros post's meus, aqui no AD LITTERAM, discordei de vários pontos do novo Estatuto da Carreira Docente. Este é mais um dos exemplos em que estou em total desacordo. Veja-se o ridículo da
questão tão bem retratado nesta missiva que passo a transcrever na íntegra:
"Os professores, para acederem à categoria mais elevada da carreira, não podem ter faltas.
Assim, não podem ter doenças, não podem ter filhos, não podem dar assistência a familiares doentes, não podem ir a tribunal prestar qualquer depoimento, não podem participar em funerais de familiares ou amigos queridos... Por isso, filha, venho pedir-te perdão se não conseguir morrer em período de férias, porque, a juntar à dor de me teres perdido, o teu patrão dar-te-á o castigo que mereces, se resolveres acompanhar-me à última morada. Resta-me ainda uma outra hipótese, para não contribuir para a tua desgraça: é morrer numa sexta-feira, à noite, para teres tempo de me enterrar e ires trabalhar na segunda-feira».
Mais palavras para quê...

(José Amaral)

7 comentários:

FigueiraOlhar disse...

Governados por nécios ...
sinceramente "Mais palavras para quê..."

Amaral disse...

Figueira Olhar
Não chegaria tão longe, mas não discordo na totalidade porque há muitos incompetentes em lugares de topo.
Só um aparte! Penso ter sido erro de grafia na palavra que utiliza "nécios", pois a palavra correcta é néscios.
Abraço

FigueiraOlhar disse...

Muito obrigado pela correcção, o escrever rápido leva a estes erros de grafia não desejados.
Com toda atenção Figueiraolhar.

Anónimo disse...

A reestruturação da carreira docente e o estatuto do professor estavam a tornar-se absolutamente necessários.Aliás,já se sentia a sua inevitabilidade há muitos anos,prque é um facto que as regalias dos prof estavam a ser um exagero.Era tb um facto que no meio de um certo número de profissionais extraordinários,competentíssimos,incansáveis no cumprimento dos seus deveres,havia uma pleiade de penduras que foram para o ensino só para terem o seu ordenado certo ao fim do mês e usufruir de benesses,a que na realidade não deviam ter direito.O que está a acontecer, é que na ânsia de legislar,em alguns casos, o Ministério está a exagerar.Terá que pensar até que ponto as leis são exequíveis sem criar situações caricatas.

Amaral disse...

Anónimo
concordo consigo quando diz:
"O que está a acontecer, é que na ânsia de legislar,em alguns casos, o Ministério está a exagerar.Terá que pensar até que ponto as leis são exequíveis sem criar situações caricatas."
Agora se o ME queria fazer uma caça às bruxas que o fizesse e o assumisse e não julgasse todos os profissionais da educação de igual modo. Era preciso uma reforma. Isso é ponto assente! Alguns professores (assim como em todas as profissões) não merecem o emprego que têm, mas há muitos bons profissionais. E, desta forma, passam por ser todos uma escumalha. Isso é que eu não aceito.

Sérgio disse...

assim cada vez mais existe motivação para trabalhar.

pedido: não morram, não adoeçam, não comam, não bebam, não faltem sorriam e trabalhem

Amaral disse...

Sergio
Talvez seja mesmo isso que eles querem: tornanr-nos imortais e insensíveis á dor.