sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval


O Carnaval no Olimpo

Resplandece o Olimpo. Júpiter está sentado... no Alto da
Serra, mais fulgurante do que um sol. Mercúrio, Apolo,
Marte, Netuno, Minerva, Plutão, estão sentados mais abaixo, em
atitude respeitosa. Gênios alados correm o cenário,
oferecendo aos deuses copos de caldo de cana e caprade.
Júpiter
Não falta nenhum deus? Estamos todos, não?
Vai começar...
Apolo

...A Inana
Júpiter (severo)
Aquiete-se!... A Sessão!
Como sabeis, aí vem o Carnaval. Vejamos:
Não brincaremos também? Não nos fantasiamos?
Quero, entre os ideais com que me preocupo,
Dar um exemplo ao povo, organizando um grupo.
(...)
Se saíssemos nós sem braços e em salmoura
Para representar o Grupo da Lavoura!
Mas não convém baixar o preço do café...
Tome a palavra alguém! Netuno, por quem é...
Salva esta situação!

Netuno
Lá vou! Estou pensando...
Podíamos sair todos sete... imitando
Uns sete Aquidabãs, como um ar aborrecido
Voltando para o porto... antes de ter saído:
Seria essa a alusão melhor do Carnaval!

Plutão
E o nome do Cordão?

Netuno
Grupo Glória Naval!
(...)

Minerva
Eu já tinha pensado em um grande cordão
Com tudo o que se disse aqui num carroção:
Hidra, Aquidabã, Abel, Lavoura e Notas,
E por cima de tudo um mineiro com botas!
Mas, ó povo! Com essa quebradeira
Por que não pensar em simples zé-pereira,
Com três caixas, um bumbo e o nosso bom humor?
(...)

Coro
Se o Padre Santo soubesse
O gostinho que isto tem,
Vinha de Roma até cá
Tocar zabumba também. (Cai o pano.)


(Olavo Bilac)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Leitura "carnavalesca"

Desta feita, e para ler neste Carnaval, pois lê-se em duas penadas, sugiro Boa Noite, Senhor Soares (Dom Quixote, 93 páginas) de Mário Cláudio. Trata-se do novo livro (uma novela) deste autor já bastante premiado.
O livro relata-nos a história de António. Um rapaz da aldeia. Foi para a cidade; Lisboa, à procura de uma vida melhor. Nesta altura, os heterónimos de Pessoa e o próprio Pessoa andavam pelas ruas da Baixa. António arranjou trabalho num armazém de tecidos e instalou-se em casa da irmã (Florinda) e do brutamontes do cunhado (Gomes).


António foi depois caixeiro, empregado no escritório onde trabalhava o Sr. Soares, um tradutor entre livros de contas e de contabilidade. O senhor Soares era um homem estranho a quem chamavam poeta, que se sabia ser poeta, mas de quem António não conhecia a poesia. António apenas admirava a estranheza da figura e o respeito tutelar que ela lhe impunha. Este livro gira à volta da figura de Bernardo Soares, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, narrador do “Livro do Desassossego”.
É um livro de costumes, mas acima de tudo um livro interior, onde nos apercebemos da existência de um rapaz de sonhos, que se transforma num homem banal, anti-herói de uma ficção que reconstitui uma certa Lisboa, com as suas falas, a gente, as ruas, as coisas que se perderam e outras que permanecem, imutáveis. É um livro um pouco ao jeito de uma “Lisbon revisited”.
Recomendo vivamente este livro, que se lê com redobrado agrado.

(José Amaral)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cinema

Hoje deixo aqui duas belíssimas sugestões, a não perder. Dois excelentes filmes.
O primeiro filme é A Dúvida. Ambientado no ano de 1964, numa escola católica do Bronx, a história gira em torno de uma freira que passa a suspeitar de um padre que vem demonstrando profundo interesse num jovem aluno negro. Para ela, o padre está cometendo abuso sexual. Este animado e carismático sacerdote, padre Flynn, está a tentar acabar com os austeros uniformes escolares que são defendidos ferozmente, há já muito tempo, pela irmã Aloysius Beauvier, a directora com mão de ferro que acredita no poder do medo e da disciplina. Os ventos da mudança política estendem-se pela comunidade e a escola acaba de aceitar o seu primeiro estudante negro, Donald Miller. Mas quando a irmã James, uma inocente optimista, partilha com a irmã Aloysius a sua suspeita de que o padre Flynn presta demasiada atenção a Donald, a directora enceta uma cruzada pessoal para descobrir a verdade e expurgar Flynn da escola. Sem nenhuma prova para além da sua certeza moral, a irmã Aloysius vai entrar numa batalha de força com o padre Flynn que vai dividir a comunidade com consequências irrevogáveis. São quatro os actores deste filme nomeados para o Óscar: Meryl Streep (como actriz principal), Philip Seymor Hoffman (como actor principal) e Viola Davis e Amy Adams (como actrizes secundárias).
O segundo filme é Valquíria, um filme rodado na capital alemã, conta a história de um atentado que podia ter eliminado o 'Fuhrer' (Adolf Hitler). O coronel Claus von Stauffenberg, interpretado por Tom Cruise (numa excelente participação), sem um olho, a mão direita e dois dedos da esquerda participou numa espectacular tentativa de assassinato do ditador alemão. Stauffenberg e outros sete oficiais acreditavam que o regime estava condenado ao fracasso e, no dia 20 de julho de 1944, prepararam uma emboscada dentro do bunker de Hitler, conhecido como Toca do Lobo. Aí, durante uma reunião de militares, Stauffenberg deixou uma pasta que continha explosivos, que detonariam quando ele já estivesse a caminho de Berlim, onde um golpe de Estado era preparado para entrar em acção, logo que fosse confirmada a morte de Hitler. A pasta, no entanto, foi casualmente deslocada do seu local de origem por um dos participantes da reunião. Alguns centímetros que garantiram a sobrevivência de Hitler por mais alguns meses: ele foi protegido da explosão pela pesada mesa ao redor da qual ocorria o encontro, sofrendo escoriações pelo corpo.
São dois filmes que recomendo vivamente que mais não fosse por este belo leque de actores e actrizes.

(José Amaral)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Surreal

André Breton nasceu em Tinchebray, a 19 de Fevereiro de 1896 e faleceu em Paris, a 28 de Setembro de 1966. Foi um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo.
Em 1919, Breton funda com Louis Aragon e Philippe Soupault a revista Littérature e entra, também, em contacto com Tristan Tzara (fundador do Dadaismo). Breton publica o Primeiro Manifesto Surrealista, em 1924.
Aqui fica um poema de Breton, numa tradução de António Ramos Rosa e um outro na língua original:

Um homem e uma mulher absolutamente brancos


Lá no fundo do guarda-sol vejo as prostitutas maravilhosas
Com trajes um pouco antiquados do lado da lanterna cor dos bosques
Levam a passear consigo um grande pedaço de papel estampado
Esse papel que não se pode ver sem que o coração se
nos aperte nos andares altos de uma casa em demolição
Ou uma concha de mármore branco caída no caminho
Ou um colar dessas argolas que se confundem atrás delas nos espelhos
O grande instinto da combustão conquista as ruas
onde elas caminham Direitas como flores queimadas
Com os olhos na distância levantando um vento de pedra
Enquanto imóveis se abismam no centro da voragem
Nada se iguala para mim ao sentido do seu pensamento desligado
A frescura do regato onde os sapatinhos delas
banham a sombra dos seus bicos
A realidade daqueles molhos de feno
cortado onde desaparecem
Vejo os seus seios que abrem uma nesga de sol na noite profunda
E que se abaixam e se elevam a um ritmo
que é a única exacta medida da vida
Vejo os seus seios que são estrelas sobre as ondas
Seios onde chove para sempre o invisível leite azul.



Pièce fausse


à Benjamin Péret


Du vase en cristal de bohème
Du vase en cris
Du vase en cris
Du vase en
En cristal
Du vase en cristal de bohême
Bohême
Bohême
Bohême
Hême hême oui bohême
Du vase en cristal de Bo Bo
Du vase en cristal de bohême
Aux bulles qu'enfant tu soufflais
Tu soufflais
Tu soufflais
FlaisFlaisTu soufflais
Qu'enfant tu soufflais
Du vase en cristal de bohême
Aux bulles qu'enfant tu soufflais
Tu soufflais
Tu soufflaisoui qu'enfant tu soufflais
C'est là c'est là tout le poème
Aube éphé
Aube éphé
Aube éphémère de reflets
Aube éphé
Aube éphé
Aube éphémère de reflets



(José Amaral)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Superstição

(Imagem retirada da Internet)

Uma Sexta-feira 13 ou seja, uma Sexta-feira no dia 13 de qualquer mês, é considerada popularmente como um dia de azar.
O número 13 é considerado de má sorte. Na numerologia o número 12 é considerado um número de coisas completas como 12 meses no ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus ou os 12 signos do Zodíaco. Já o 13 é considerado um número irregular. A sexta-feira foi o dia em que Jesus foi crucificado e também é considerada um dia de azar. Somando o dia da semana de azar (sexta) com o número de azar (13) temos o mais azarado dos dias.


(José Amaral)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Teatro

Não é meu hábito divulgar aqui textos dramáticos, mas há sempre uma primeira vez. Trata-se de Medeia (Dom Quixote, 51 páginas) de Mário Cláudio. Uma peça muito bem escrita e de agradável leitura. Convém não esquecer que MC é um autor com uma vasta e multifacetada obra. Já foi galardoado com vários prémios dos quais se destacam o “Prémio Pessoa” e o “Prémio Vergílio Ferreira”.
Este texto dramático fala de “Uma actriz que arrasta, ao longo da vida, a obsessão de representar a Medeia, de Eurípedes, e empolgada pela ânsia que se torna matéria da alma, precipita na morte dos que a rodeiam o seu próprio e irredimível aniquilamento”. Como se pode ler na contracapa do livro “Uma célebre actriz de um país pequeno, vivendo o seu fim de carreira através de algumas dificuldades de memorização, contempla o fracasso do seu projecto de produzir a Medeia, de Eurípedes, que desde sempre a acompanhou. Também ela por isso, descomandada pela paixão, e à semelhança da heroína clássica, acabará por assassinar os próprios filhos”.
Na mitologia grega, Medeia era a filha de Eetes, rei da Cólquida (actual Geórgia), mulher de Jasão, de quem teve dois filhos. O rei de Corinto convence Jasão a trair a mulher, para se casar com a filha deste, Glauce. Medeia, ao saber da trama, decide vingar-se matando a rival e os filhos que tinha tido com o marido infiel.
Vale a pena ler e se possível assistir a esta peça.

(José Amaral)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dois grandes escritores

Boris Pasternak nasceu em Moscovo, a 10 de Fevereiro de 1890 e morreu em Peredelkino, 31 de Maio de 1960. Foi um poeta e romancista russo.
Aqui fica um poema da sua autoria:

Um risco maduro de assobio.

O trincar do gelo comprimido.

A noite, a folha sob o granizo.

Rouxinóis num dueto-desafio.

Um doce ervilhal abandonado

A dor do universo numa fava.

Fígaro: das estantes e flautas —

Geada no canteiro, tombado.

Tudo o que para a noite releva

Nas funduras da casa de banho,

Trazer para o jardim uma estrela

Nas palmas húmidas, tiritando.

Mormaço: como pranchas na água,

Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,

E no entanto o universo está surdo.


(Boris Pasternak, in “Definição de poesia”
Trad. de Haroldo de Campos)


Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, a 10 de Fevereiro de 1898 e faleceu em Berlim, a 14 de Agosto de 1956. Foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX.
Aqui fica, também, um poema da sua autoria:


General, Your Tank is a Powerful Vehicle

General, your tank
is a powerful vehicle
it smashes down forests
& crushes a hundred men.

but it has one defect:
it needs a driver.

General, your bomber is powerful
it flies faster than a storm&
carries more than an elephant.
but it has one defect:
it needs a mechanic.

General, man is very useful.
He can fly & he can kill.
but he has one defect:
He can think.


(José Amaral)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Poema

Jacques Prévert nasceu em 1900, em Neuilly-sur-Seine, França, a 4 de Fevereiro, onde passou a sua infância. Seu pai, André Prévert, crítico de dramaturgia, leva-o sempre ao teatro e sua mãe, Suzanne Catusse, inicia-o na leitura. Foi um poeta e roteirista francês.
Participa do movimento surrealista, junto com seu grupo, formado por Marcel Duhamel, Raymond Queneau e Yves Tanguy. Mas Prévert, com seu espírito independente, não consegue permanecer por muito tempo num mesmo grupo, seja ele qual for.
Morre em Omonville-la-Petite aos 77 anos, a 11 de Abril, de cancro do pulmão. Aqui fica um poema que espelha bem a sua mestria.

(Imagem retirada da Internet)


DÉJEUNER DU MATIN

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec le petit cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a resposé la tasse
Sans me parler
Il a alumé
Une cigarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis des cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur la tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
E moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
E j'ai pleuré.



(José Amaral)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

La chandeleur

Chandeleur é uma palavra francesa que vem do latim “candela”, sendo retomada na expressão festa candelarum, festa das candeias.
Assim, nas igrejas, as tochas são substituídas por círios benzidos que se conservam acesos para transmitir uma mensagem de luz ou para afastar as tempestades, a morte, enfim, tudo o que personifique o mal.
Também pretendem invocar os bons augúrios das sementeiras de Inverno, a fim de estas produzirem fartas colheitas, no Verão.
Em França, é típico, neste dia, 2 de Fevereiro, a confecção de crepes, recheados com açúcar, canela ou, para os mais gulosos, com chocolate e todo o tipo de compotas. Os crepes, diz-se, têm esta forma e a esta cor para evocar o Sol que regressa, finalmente, após uma longa e fria noite de Inverno.
Há, também, muitos provérbios associados a este dia. Eis alguns:

À la Chandeleur, l'hiver se meurt ou prend vigueur.
À la Chandeleur, la neige est à sa hauteur.
À la Chandeleur, le jour croît de deux heures.
À la Chandeleur, le froid fait douleur.
À la Chandeleur, Rose n'en sentira que l'odeur.
Si la chandelle est belle et claire, nous avons l'hiver derrière, si le ciel n'est ni clair ni beau, nous aurons plus de vin que d'eau.


(José Amaral)

Poemas actuais












A Neve


A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo.


(Alberto Caeiro - Heterónimo de Fernando Pessoa,
in "Poemas Inconjuntos" )












Comunicado

Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.

(Miguel Torga)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Um "Gandhi" Homem

Mahatma Gandhi (do sânscrito "A Grande Alma") nasceu em Nova Deli, a 2 de Outubro de 1869 e aí faleceu a 30 de Janeiro de 1948. Foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano e um influente defensor do princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto.
Estritamente vegetariano, escreveu livros sobre o vegetarianismo, enquanto estudava direito em Londres.
Gandhi renunciou ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática, largamente associada ao celibato. Também passava um dia da semana em
silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, lhe trazia paz interior.
Depois de retornar à Índia de sua bem-sucedida carreira de advogado na África do Sul, ele deixou de usar as roupas que representavam riqueza e sucesso. Passou a usar um tipo de roupa que costumava ser usada pelos mais pobres entre os indianos.
Gandhi e os seus seguidores fabricavam artesanalmente os
tecidos da própria roupa e usavam esses tecidos em suas vestes; O tear manual, símbolo desse acto de afirmação, viria a ser incorporado à bandeira do Congresso Nacional Indiano e à própria bandeira indiana.
Também era contra o sistema convencional de
educação em escolas, preferindo acreditar que as crianças aprenderiam mais com seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, Gandhi e outros homens mais velhos formaram um grupo de professores que leccionava directamente e livremente às crianças.
Dentro do ideal de paz e não-violência que ele defendia, uma das suas frases era: "Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!".

(José Amaral)

domingo, 25 de janeiro de 2009


XI



Sem à dita de Aquiles ter enveja”,
o maior dos vícios
dos pequenos e pelintras
e provincianos portugueses,
surge D. Sebastião
num nevoento vinte e cinco de Abril.

Como um louco
na sua sadia embriaguez
empunha numa mão
uma caneca de cerveja
e na outra arma e cravo
que lhe germina do coração.
Blasfema e troveja heresias
espremidas da pessoana pena:
«Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…».


(in "25de Abril/34 anos", José Amaral)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Génio Surreal

Salvador Dalí nasceu em Figueres, a 11 de Maio de 1904 e aí faleceu a 23 de Janeiro de 1989. Foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dali ficou conhecido igualmente pelo seu “feitio genial” com laivos de loucura à mistura.Desde sempre conflituoso e arrogante, usou destes predicados como estratégia de auto-construção.
Acreditava num provérbio que construiu para si mesmo: «Oh, Salvador, agora já sabes, se brincares aos génios, tornar-te-ás um!».

(Imagens retiradas da Internet)



(José Amaral)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Parabéns Cláudio

Desta feita apresento-vos o livro O GARÇOM DO ZOOLÓGICO, do poeta amigo Cláudio Feldman (Editora Taturana, 34 páginas). O incansável escritor Cláudio Feldman, autor de dezenas de livros dos mais variados temas, acaba de lançar o seu 43º livro. É um livro com 34 páginas, a preto e branco, e capa colorida. O projecto Gráfico e as Ilustrações são do artista gráfico Perkins. O livro é composto por versos curtos e bem-humorados sobre os animais e seu universo dentro de um zoo. Este é um livro infantil e isso percebe-se ao lermos uma pequena frase que está na contracapa: «Animais animados por muita poesia e humor. Para você, pequeno leitor».
Aqui fica um pequeno poema:



A Centopéia na Agência de Empregos

- Procuro outro emprego,
Sr. Morcego.

Eu vou a pé
Do Tatuapé
À Pompéia
Vendendo vidros
De geléia.

O pé-de-meia
Que eu consigo,
Morcego amigo,
É levado
Pela loja do calçado.

Por isto
O que me interessa
- Depressa –
É um emprego “parado”.

(José Amaral)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Escrever um livro, Criar um filho, Plantar uma árvore

(Imagem Retirada da Internet)

Escrevi um livro.
Quantos anos a sonhá-lo,
A rascunhá-lo nas mesas dos cafés,
A escrevê-lo nos intervalos do emprego,
A vivê-lo,
A sofrê-lo,
Na província, nas cidades...!

Criei um filho.
Tanta alegria no meu coração!

Só ainda não plantei uma árvore.
O frágil caule como protegê-lo?
Como não deixar que os bichos
Maculem as pequeninas folhas?
E como dialogar com uma árvore-menina?

Agora vai sendo tempo.
Os anos já me pesam.
Amanhã vou plantar uma árvore.


(Saúl Dias, "Essência")

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Poema

Epitáfio para uma velha donzela

De palmito e capela,
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!

(José Régio)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Literatura 2009

E porque as boas acções não se devem perder, aqui estou, neste novo ano, a sugerir novos livros para leitura. Ler é um prazer, portanto aqui fica a minha sugestão.
Não conhecia o autor nem o livro. Li e fiquei a gostar. Quanto ao autor, Yukio Mishima, é daqueles que ficam na história, não só pela obra publicada, mas pela sua vida. E pela sua morte. Este autor suicidou-se espectacularmente praticando o ritual japonês “seppuku”.
O livro é O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar (Assírio & Alvim, 176 páginas). É um livro que se lê a uma velocidade vertiginosa, com uma escrita escorreita e com uma história bem urdida. Aqui fica a sinopse:
«O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar é uma das mais breves e belas novelas da obra de Mishima. Há quem veja na sua trama uma representação simbólica da sociedade japonesa do pós-guerra conforme a radical visão do autor. Bem mais do que isso, é uma novela de rara beleza, erotismo, imprevisibilidade e de um radicalismo brutal. Noboru deslumbrou-se com a relação poética e erótica de sua mãe com o fascinante Ryuji, o marinheiro que carrega a grandeza, a glória, o brilho do mar e aquele boné com «a âncora ao centro do grande emblema em forma de lágrima [...] reflectindo o sol da tarde». Mas esta apaixonante relação sofrerá uma inesperada mudança. No exterior há um grupo organizado segundo um Chefe, com elementos precocemente militarizados. Rapidamente absorvem o confuso Noboru nos severos princípios da tradição japonesa. Não tarda que o marinheiro seja julgado por ter traído os valores fundamentais de idealismo, de beleza e de glória. Segundo os códigos do grupo, as contemplações são proibidas e qualquer cedência significaria a sobreposição do caos à ordem, como avisa o Chefe, ou, conforme diz, mais eufemísticamente, o último parágrafo do livro: «a glória, como vós sabeis, é uma coisa amarga».

(José Amaral)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

DIA MUNDIAL DA PAZ









Embora colocado hoje (31 de Dezembro de 2008) este post é o primeiro de 2009. É-o para comemorar uma data importante, embora para alguns apenas simbólica.
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que o Dia Mundial da Paz se observaria sucessivamente como dia de cessar-fogo e de não-violência a nível mundial, a fim de que todas as nações e povos se sintam motivados para cumprirem um cessar de hostilidades durante todo esse dia. Assim, no dia 1 de Janeiro de cada ano celebra-se o Dia Mundial da Paz. Não poderia haver data melhor. A cada ano que começa é como se voltássemos aos zero e começássemos de novo. Tudo poderia ser esquecido e, sobretudo, perdoado, condição essencial para a paz.
Um 2009 cheio de PAZ é o meu, e o de muitos milhões em todo o mundo, desejo.

Aqui ficam alguns pensamentos:
"A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento”. (Albert Einstein)
"Aquele que inveja outros não tem paz” (Buda)
"Prefiro a paz mais injusta, à mais justa das guerras” (Cícero)
"Se a paz não puder ser mantida com honra, deixa de ser paz” (Bertrand Russel)
“Em tempos de paz, os filhos sepultam os pais; em tempo de guerra, os pais sepultam os filhos” (Herodes)


(José Amaral)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Vamos acabar com este drama

«Doze Silhuetas negras, em tamanho natural, a simbolizar as vítimas mortais dos acidentes rodoviários, foram colocadas em algumas estradas do distrito de Viseu. É mais uma tentativa para sensibilizar os automobilistas para uma condução prudente.
As primeiras placas foram implantadas em três vias conhecidas pelo número elevado de acidentes: EN 229 (Viseu/Sátão), EN 231 (Viseu/Nelas) e IP3. O número de acidentes e as vítimas mortais continuam a baixar no distrito de Viseu, mas o Governador Civil de Viseu, Acácio Pinto considera que é preciso continuar a lembrar os automobilistas que a condução imprudente tem consequências».

(in Jornal do Centro, ed. 354, de 26 de Dezembro de 2008)

Numa iniciativa louvável da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária apareceram estas silhuetas negras, na berma das estradas, para nos fazerem, a nós condutores, pensar duas vezes antes de carregar no acelerador.
Esta época festiva (Natal e Fim-de-Ano) é, muitas vezes, ensombrada por notícias de mortes nas estradas. Cabe-nos a nós ter uma postura cívica que permita alterar este drama. Como diz o slogan “Mortes na estrada: Vamos parar este drama”.

(José Amaral)

O prazer da leitura

Já não estava nos meus planos apresentar mais nenhuma sugestão de leitura em 2008. Pensava eu que com “Sarapicos de Natal” tinha encerrado este capítulo. No entanto, não resisti à tentação de (re)ler um belíssimo livro vencedor do “Prémio Goncourt 1984”. Trata-se de um livro de Marguerite Duras: O Amante (Difel, 98 páginas).
Este livro conta a descoberta do amor e do sexo por uma adolescente, filha de uma família de colonos falidos na Indochina francesa, nos anos 30. Esta descoberta, por parte desta pobre adolescente francesa, acontece na década de 1920 quando esta jovem conhece um importante diplomata chinês durante a travessia do rio Mekong. O amor proibido da menina branca, a sua entrega a um jovem chinês rico, dez anos mais velho do que ela, é também uma forma de escapar à claustrofobia e à derrocada da família, o seu "envelhecimento" precoce, a descoberta da sua solidão. Fascinada pela riqueza e pela elegância do diplomata chinês, a jovem deixa-se levar pela vertigem do amor e os dois envolvem-se numa relação clandestina e tórrida. Mas se os amantes conseguem ultrapassar as diferenças de idade, raça e classe, a sociedade colonial francesa da Indochina jamais permitirá que se ultrapassem as diferenças culturais.
Este livro, é, também, a história da própria escritora.
É um livro com um ritmo alucinante. Lê-se num instantinho. Sugiro a sua leitura.

(José Amaral)

sábado, 27 de dezembro de 2008

2009

Mais um ano se aproxima a passos largos do fim. Passou a correr e não tarda nada ouvir-se-ão as badaladas que anunciam a "morte" de 2008 e o "nascimento" de 2009.
Muitos foram os post's e muitos foram aqueles que visitaram o meu AdLitteram. Comentando ou não foi, graças a eles, que me motivei para colocar aqui os meus "artigos".
Muito obrigado!
Neste findar de ano, desejo a todos um
FELIZ ANO NOVO um PRÓSPERO 2009.


(José Amaral)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS


(Imagem retirada da Internet)
A todos (em especial aqueles que ao longo do ano me visitaram aqui no Adlitteram) desejo um SANTO e FELIZ NATAL.
Que esta época preencha os nossos corações de sentimentos nobres.
(José Amaral)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Literatura natalícia

Foram muitas as sugestões literárias ao longo deste ano de 2008, que agora se aproxima, a passos largos, do fim.
Muitas e boas!
No dia dezassete de Dezembro foi o lançamento de mais um livro, uma antologia de contos se Natal, contento um conto meu. É esse mesmo livro que trago aqui como sugestão para este Natal e para esta quadra natalícia. Trata-se de Sarapicos de Natal (Papiro Editora, 210 páginas). É uma antologia de vinte e três contos, cada um ilustrado, que merecem bem a pena serem lidos. Muitas são as visões de apresentar o Natal. Tradições, usos, costumes, cheiros, desejos, fantasias... tudo um pouco nasce nesta antologia.
Esta é a minha última sugestão deste ano. Vale a pena ler...




(José Amaral)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sugestão

Hoje fui ao cinema com o meu filho ver o filme A Lenda de Despereaux (Framestote Feature Animatio). Um filme animado e com uma mensagem interessante. Vale a pena ver. Aqui fica a sinopse do mesmo:
«Pequeno e abençoado com umas orelhas sobredimensionadas, Despereaux nasceu grande demais para o pequeno mundo em que vive. Recusando viver a sua vida paralisado pelo medo, ele torna-se amigo da Princesa Pea e aprende a ler livros, em vez de comê-los, descobrindo histórias de cavaleiros, dragões e belas donzelas. Banido do Mundo dos Ratos por ser mais homem do que rato, Despereaux é salvo por outro proscrito, Roscuro (uma ratazana), que também deseja ouvir as histórias. Mas quando a Princesa recusa a amizade de Roscuro, ele torna-se na maior das ratazanas e planeia vingança junto com Mig. ERA UMA VEZ… no reino distante de Dor - havia magia no ar, riso com fartura e litros e litros de sopa de fazer crescer água na boca. Mas um acidente partiu o coração do Rei, deixou a Princesa cheia de saudades e as pessoas da cidade sem a sua sopa. A luz do sol desapareceu. O mundo ficou cinzento. Toda a esperança se desvaneceu nesta terra… até Despereaux Tilling nascer. Um conto de fadas moderno, «A Lenda de Despereaux» conta a história de vários heróis improváveis: Despereaux, um valente ratinho banido para as masmorras por falar com um humano; Roscuro, uma ratazana com bom coração que adora a luz e a sopa mas se vê exilado na escuridão; Pea, uma princesa num castelo sombrio, prisioneira do desgosto de seu pai; e Mig, uma criada que sonha ser princesa, mas se vê forçada a servir o carcereiro. Nesta história de bravura, perdão e redenção, uma pequena criatura irá mostrar a um reino que é necessário apenas uma pequena luz para revelar a verdade: a tua aparência não equivale ao que realmente és».

(José Amaral)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Excelente

Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de Dezembro de 1865 e aí faleceu a 28 de Dezembro de 1918. Jornalista e poeta brasileiro foi membro e fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Aqui fica um belo poema da sua autoria.

(Imagem retirada da Internet)


Um beijo


Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca mal ferida.

Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
baptismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....


(José Amaral)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Literatura Nobel

Quase a terminar mais um ano, mais uma sugestão literária. Desta feita o autor é o vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio. Le Clézio nasceu em Nice, a 13 de Abril de 1940. Até meados dos anos 70, a sua obra, que conheceu logo de início um grande sucesso, foi muito marcada pelas pesquisas formais do «novo romance». Depois, o interesse pela história da sua própria família, o amor das viagens e o fascínio que nutria pelas culturas ameríndias encaminharam-no para novos modelos literários, tendo por base o mito e uma extraordinária riqueza imagética, de pendor quase alucinatório.
Desta feita o livro que hoje sugiro é A Febre (Ulisseia, 220 páginas). Le Clézio compõe nove histórias de pequena loucura, ficcionais mas não inventadas, inspiradas por uma experiência familiar. A matéria delas é baseada numa experiência familiar. Todos os dias perdemos a cabeça por causa dum pouco de temperatura, duma dor de dentes, duma vertigem passageira. Encolerizamo-nos. Gozamos. Embriagamo-nos. Nada disso dura muito tempo, mas é suficiente. A nossa pele, os olhos, os ouvidos, o nariz, a língua, armazenam diariamente milhões de sensações das quais nem uma só é esquecida. Eis o perigo. Somos autênticos vulcões. Destas nove histórias destaco a última “Um dia de velhice”. Muito boa.
Quanto às outras histórias embora não deslustrem confesso, na minha modesta opinião, que estava à espera de mais. Tanto mais que se trata de um vencedor do Nobel. No entanto, vale a pena ler.

(José Amaral)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tempo de Amor

(Imagem retirada da Internet)

E porque o Natal se aproxima… e porque é tempo de partilha… e porque é tempo de reflexão… aqui fica um belíssimo poema de Natália Correia

FALAVAM-ME DE AMOR


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

(José Amaral)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

60 Anos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada pela ONU em 10 de Dezembro de 1948. Esboçada principalmente por John Peters Humphrey, do Canadá, mas também com a ajuda de várias pessoas de todo o mundo, delineia os direitos humanos básicos.
A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adopção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efectiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, o documento mais traduzido em todo o mundo [Segundo o “Guinness Book of World Records”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é o documento traduzido no maior número de línguas (em 2004, cerca de 330)], comemora esta quarta-feira 60 anos.
A Amnistia Internacional espera que este aniversário «seja uma data de acção e não apenas de celebração», lembrando que «a injustiça, desigualdade e impunidade persistem em muitas partes do mundo», nomeadamente pelo facto de «os governos fazerem promessas e aprovarem leis, mas falharem no seu cumprimento».
No entanto, a Amnistia Internacional salienta que a Declaração contribuiu decisivamente para muitas conquistas alcançadas em todo o mundo, como o reconhecimento dos direitos das mulheres e das crianças, a criação do Tribunal Penal Internacional ou a abolição da pena de morte em dois terços dos países do planeta.

(Imagens retiradas da Internet)

(José Amaral)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Antologia de Contos

Vem aí o livro Sarapicos de Natal! Uma antologia de contos de Natal, com a chancela da Papiro Editora, doce e com travo a canela, para contar à lareira…
Com capa da autoria de Manuel Barroca, Sarapicos de Natal conta com a participação dos autores José Amaral, Benedita Stingl, Zina Abreu, Adélia Gamboa, Lena Leote, entre muitos outros…
A apresentação no Porto será no Centro Comercial Dolce Vita, no dia 13 de Dezembro de 2008, pelas 17:00 horas, na zona de descanso do piso 3.
Aqui fica o convite a todos aqueles que quiserem estar presentes. Sós ou acompanhados, a vossa presença será motivo de orgulho para todos os que tornaram real esta antologia. Podem aproveitar para adquirir o livro, pois será, certamente, uma deliciosa prenda de Natal.

(José Amaral)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acidente aéreo?

Francisco de Sá Carneiro nasceu no Porto, a 19 de Julho de 1934 e faleceu em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980. Político português, fundador e líder do Partido Popular Democrático / Partido Social-Democrata, e ainda primeiro-ministro de Portugal, durante cerca de onze meses, no ano de 1980.
Advogado de profissão, formado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, foi eleito pelas listas da Acção Nacional Popular, o partido único do regime salazarista, para a Assembleia Nacional, o parlamento fantoche do regime, convertendo-se em líder da Ala Liberal, onde desenvolveu diversas iniciativas tendentes à gradual transformação da ditadura numa democracia típica da Europa Ocidental.
Adelino Amaro da Costa nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1943 e faleceu em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980. Político português fortemente influenciado pela Democracia cristã.
Formado em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico em 1966, foi Director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministro Veiga Simão.
Após a Revolução dos Cravos, foi um dos fundadores, com Diogo Freitas do Amaral, do Centro Democrático Social (CDS) (actual Partido Popular), partido de inspiração democrata-cristã.
Nunca foram apurados os factos do estranho acidente aéreo que vitimou estes dois políticos.

(José Amaral)

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Assinala-se, esta quarta-feira, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, numa altura em que a maioria dos cidadãos nesta situação continuam a ser alvo de exclusão e descriminação no acesso, em condições de igualdade, ao ensino, emprego, habitação e transportes.
A denúncia parte da Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD), que, em comunicado difundido pela Agência Lusa, assegura que as promessas de combate à exclusão social não tem tido uma tradução prática em Portugal.
Segundo a CNOD, os portugueses portadores de deficiência continuam a viver o dia-a-dia com falta de acessibilidades, maiores gastos com a saúde, maior dificuldade na obtenção de posto de trabalho e no acesso ao ensino.
Recorde-se que Portugal foi dos primeiros países a assinar, em 2007, a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência, embora continue a faltar ainda a sua ratificação pelo Parlamento.

(in “Diário Digital” 03DEZ08)

domingo, 30 de novembro de 2008

STOP À SIDA

A 1 de Dezembro, em todo o mundo, comemora-se o Dia Mundial da Luta contra a SIDA. Este flagelo que tem matado muitas pessoas, anónimas ou conhecidas, em todo o mundo.
A palavra SIDA (AIDS em Inglês) é formada pelas primeiras letras duma situação clínica, designada por Síndroma de ImunoDeficiência Adquirida.
Calcula-se que as primeiras infecções ocorreram em África nos anos 30, apesar de o primeiro registo de uma morte por SIDA remontar a 1976, quando uma médica dinamarquesa contraiu a doença no Zaire (República Democrática do Congo). Só quatro anos mais tarde é que começaram a aparecer casos inexplicáveis de doenças oportunistas em homossexuais já contaminados nos EUA.
A descoberta do vírus aconteceu em 1983 e foi atribuída ao francês Luc Montagnier (laureado este ano de 2008 com o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta do vírus HIV) do Instituto Pasteur em Paris e ao americano Robert Gallo, do Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland nos EUA.
Actualmente cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o vírus da SIDA.
O VIH é um vírus bastante poderoso que, ao entrar no organismo, se introduz no sistema sanguíneo, onde começa de imediato a replicar-se, atacando o sistema imunológico, destruindo as células defensoras do organismo e deixando as pessoas infectadas mais debilitadas e sensíveis a outras doenças, as chamadas doenças oportunistas.
A transmissão pode acontecer de variadas formas: relações sexuais desprotegidas, contacto com sangue infectado e também de mãe para filho (durante a gravidez, parto ou amamentação).
Uma das classes de maior risco de contrair o VIH-SIDA são os adolescentes, por falta de conhecimento sobre como prevenir a infecção, pressão dos pares e comportamento de risco.
Segundo o relatório “As Crianças e a Sida”, morreram 290 mil crianças com menos de 15 anos, em 2007, vítimas desta doença. No entanto, segundo o estudo, há progressos no combate à transmissão do HIV de pais para filhos.
Em média, morre uma criança vítima de Sida a cada dois minutos que passam. São cerca de 33 mortes por hora, 795 por dia, ou 290 por cada ano que passa, metade das quais com menos de 2 anos de idade.
Esta doença ganhou maior notabilidade quando alguns famosos, em todo o mundo morreram. De uma lista imensa destacam-se Rock Hudson, Freddy Mercury e o português António Variações.
A melhor “cura” para a SIDA é a prevenção!

(José Amaral)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

FP

Fernando Pessoa, poeta e escritor, nasceu em Lisboa, no dia de S.to António, 13 de Junho de 1888 e faleceu também em Lisboa, a 30 de Novembro de 1935.
É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Teve uma vida discreta, em que actuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterónimos.
Morreu de problemas hepáticos aos 47 anos. Aqui fica um dos seus belíssimos poemas cujo título é tão sugestivo.



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...



(José Amaral)