domingo, 15 de fevereiro de 2009

Surreal

André Breton nasceu em Tinchebray, a 19 de Fevereiro de 1896 e faleceu em Paris, a 28 de Setembro de 1966. Foi um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo.
Em 1919, Breton funda com Louis Aragon e Philippe Soupault a revista Littérature e entra, também, em contacto com Tristan Tzara (fundador do Dadaismo). Breton publica o Primeiro Manifesto Surrealista, em 1924.
Aqui fica um poema de Breton, numa tradução de António Ramos Rosa e um outro na língua original:

Um homem e uma mulher absolutamente brancos


Lá no fundo do guarda-sol vejo as prostitutas maravilhosas
Com trajes um pouco antiquados do lado da lanterna cor dos bosques
Levam a passear consigo um grande pedaço de papel estampado
Esse papel que não se pode ver sem que o coração se
nos aperte nos andares altos de uma casa em demolição
Ou uma concha de mármore branco caída no caminho
Ou um colar dessas argolas que se confundem atrás delas nos espelhos
O grande instinto da combustão conquista as ruas
onde elas caminham Direitas como flores queimadas
Com os olhos na distância levantando um vento de pedra
Enquanto imóveis se abismam no centro da voragem
Nada se iguala para mim ao sentido do seu pensamento desligado
A frescura do regato onde os sapatinhos delas
banham a sombra dos seus bicos
A realidade daqueles molhos de feno
cortado onde desaparecem
Vejo os seus seios que abrem uma nesga de sol na noite profunda
E que se abaixam e se elevam a um ritmo
que é a única exacta medida da vida
Vejo os seus seios que são estrelas sobre as ondas
Seios onde chove para sempre o invisível leite azul.



Pièce fausse


à Benjamin Péret


Du vase en cristal de bohème
Du vase en cris
Du vase en cris
Du vase en
En cristal
Du vase en cristal de bohême
Bohême
Bohême
Bohême
Hême hême oui bohême
Du vase en cristal de Bo Bo
Du vase en cristal de bohême
Aux bulles qu'enfant tu soufflais
Tu soufflais
Tu soufflais
FlaisFlaisTu soufflais
Qu'enfant tu soufflais
Du vase en cristal de bohême
Aux bulles qu'enfant tu soufflais
Tu soufflais
Tu soufflaisoui qu'enfant tu soufflais
C'est là c'est là tout le poème
Aube éphé
Aube éphé
Aube éphémère de reflets
Aube éphé
Aube éphé
Aube éphémère de reflets



(José Amaral)

4 comentários:

Paulo Sempre disse...

Abraço.

Paulo

Amaral disse...

Paulo
Obrigado pela visita.
Abraço

Delfim Peixoto disse...

Uma abraço... Também tento escrever em Francês, mas por vezes, não consigo porque "penso em Português"... kkkk

Amaral disse...

Delfim
Pois esse é o grande mal.
Boa semana
Abraço