domingo, 21 de setembro de 2008

Poema

26


Já não me importa saber quem sou
nem o que faço aqui
importa-me saber, meu País,
que mais queres que faça por ti?…

Em Abril saí à rua,
onde tive meus filhos
cuja mãe é a madrugada,
redobrados ficaram os cadilhos,
mas em troca não me deste nada.

Plantaste-me na mão
arma e cravos
que não brinquedos e alimento,
meus filhos choram noite inteira
e eu sofro calado meu tormento.
Meus pés pisam o joio e acordam,
sangrando lamúrias,
de um sonho que espalhaste
como trigo que nunca deu grão.


(in “25 de Abril – 34 Anos”, José Amaral)

6 comentários:

lena disse...

num "sonho" nasceu Abril

leio-te Poeta e sinto cada verso nas mãos onde ainda não há pão...


trilhei caminhos entre alguns blogs para aqui chegar. em boa hora o fiz. foi com prazer que estive e li algumas das sua partilhas.

gostei!

obrigada por partilhar

um abraço

lena

Delfim peixoto disse...

Do melhor que te li...
Abraço

Amaral disse...

Lena
Bem-vinda ao meu cantinho. Honram-me as suas palavras. Fico contente por ter gostado.
Volte sempre.
Boa semana
Bjo

Amaral disse...

DElfim
Agradeço e fico contente por ter gostado.
Boa semana
Abraço

Isabel-F. disse...

adorei o teu poema ... que retrata bem o que Abril nos deixou ...


uma mão cheia de nadas ...



bjs e boa semana...

Amaral disse...

Isabel
Infelizmente uma mão cheia de nadas. Boa semana.
Bjo