segunda-feira, 24 de março de 2008

Leitura

Acabo de ler um pequeno livro (121 pág, editora Campo das Letras) de Miguel Real. O nome é tanto sugestivo quanto enigmático: A Morte de Portugal. Este livro requer uma leitura crítica, cuidada, ponderada e atenta. Uma leitura que nos faça pensar e repensar.
Na contracapa podemos ler: «Na linha de Eduardo Lourenço, este pequeno ensaio diligencia desenhar os quatro complexos culturais por que Portugal se foi concebendo a si próprio ao longo de 800 anos de História: ora um país gerado exemplarmente no mais remoto dos tempos e contra as mais difíceis circunstâncias (Viriato); ora um país que, durante e após os Descobrimentos, se vê a si próprio como nação superior às demais, sintetizada na majestática arquitectónica do Quinto Império de padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva; ora um país que, fracassado o sonho grandiloquente do Império, se lastima e se penitencia, considerando-se nação inferior, passível de máxima humilhação (Marquês de Pombal); ora, finalmente, país mesquinho, venenoso e bárbaro, permanentemente ansioso de purificação ortodoxa, no qual cada corrente política e intelectual tem sobrevivido da canibalização das correntes adversárias, negando-as e humilhando-as. Por efeito do ambiente educacional e social, cada português percorre na sua vida, recorrente e ciclicamente, estas quatro figurações da sua história e da sua cultura».
A Morte de Portugal não significa que desapareça enquanto espaço físico, mas talvez se constate a morte no sentido da perda de toda a originalidade portuguesa substituída (também se lê no livro) “pela vertigem estrangeira por uma «ditadura tecnocrática» instituída por «técnicos medíocres» para quem só conta «primeiro, a contabilidade das estatísticas, e, segundo, o sentido europeu das estatísticas»”. Portugal, como bom aluno, quer igualar-se aos ditames da Europa e não se importa, segundo a leitura do livro, de retirar curtos direitos ganhos pelas populações desde o 25 de Abril.

(José Amaral)

11 comentários:

Fenrisar disse...
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aminhapele disse...

Aguçou-me o apetite de ler.
Obrigado pela dica.

Amaral disse...

Acredite que vale a pena ler. Não ler por uma questão contabilística (mais um livro que li), mas para pensar e repensar.
Realmente isto de termos de andar a reboque dos outros (entenda-se europeus) e de esquecermos a nossa identidade...
Abraço

aminhapele disse...

Acabei de comprar o livro e já o fui desfolhando.
Continuo com grande apetite de o ler.Vou aproveitar esta noite,que estarei mais livre.
Penso que foram 10 euros bem gastos.
Amanhã dir-lhe-ei a minha opinião.
Um abraço.

A. João Soares disse...

Uma apresentação estimulante. Hei-de procurá-lo e analisar a opinião do autor, que segundo este post, olha em profundidade para os quatro complexos culturais. Bem precisamos de os conhecer e procurar os vectores que nos façam sair da actual crise de valores que ressalta de todos os sectores nacionais.

Um abraço
A. João Soares, serve de link

Amaral disse...

Relamente são dez euros bem gastos. Aguardo a sua opinião.
Abraço

Amaral disse...

João
Procure que logo encontrará. Vale a pena ler e reler e reflectir para ver porque é que teimamos em degolar a nossa identidade enquanto nação.
Abraço

aminhapele disse...

Desculpe não cumprir a promessa de lhe dar hoje opinião.
O livro é interessantíssimo,mas aconteceu-me um precalço:em cada parágrafo,o meu espírito "vadiava",comparava,talvez reflectisse...
Assim,ainda vou muito atrazado na leitura.
Uma coisa é certa:vou continuar a ler e deixar o espírito fazer a sua vagabundagem.
No mínimo,posso afirmar que o investimento valeu a pena.
Obrigado.
Abraço.

Amaral disse...

Mas olhe que essa forma de ler é mais válida ainda. Realmente apetece fazer imensas paregens para reflectir.
Vale mesmo a pena investir 10€ neste livro.
Abraço

aminhapele disse...

Finalmente dei notícias sobre "A Morte de Portugal".
Deixei-as no meu blog PEDECABRA.
Faço referência ao seu mas não sei se deixei o seu endereço correcto.
Se estiver errado,peço desculpa e ajude-me a corrigi-lo.
O endereço do meu blog é:
http://pesporra.blogspot.com
Obrigado.
Um abraço.

Amaral disse...

Irei passar por lá para comentar. Espero que tenha gostado.
Abraço