sábado, 30 de outubro de 2010

?maldisposto?

Hoje, nesta tarde chuvosa de Inverno (que ainda não chegou), uma escapadela para ir ao cinema, na companhia do meu filho. A escolha recaiu sobre Gru – O Maldisposto, um filme de Animação, em 3D, dobrado com as vozes de, entre outros, Nicolau Breyner e David Fonseca. O filme está muito bem conseguido, com piadas interessantes e efeitos visuais muito atraentes.
Aqui fica a sinopse: “Num feliz bairro suburbano, rodeado por pequenas cercas brancas, com roseiras floridas, encontra-se uma casa negra com a relva morta. Sem o conhecimento dos vizinhos, escondido por baixo desta casa, existe um vasto esconderijo secreto… Rodeado por um pequeno exército de Mínimos está Gru, planeando o maior golpe na história do mundo. Ele vai roubar a Lua… Gru adora tudo o que é maléfico. Armado com o seu arsenal de raios de encolher, raios de congelar e veículos de guerra para terra e ar, ele arrasa todos aqueles que se atravessam no seu caminho; até ao dia em que encontra três pequenas órfãs que vêm nele algo que ninguém mais viu: um potencial Pai.”

(José Amaral)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

hora de inverno


Chegou a HORA DE INVERNO, às 02h passa a ser 01h, no próximo Domingo.
Em conformidade com o Decreto-Lei n.º 17/96 de 8 de Março, a hora legal no país é atrasada de sessenta minutos às 2 horas do último domingo de Outubro, dando-se assim, início ao período da "HORA DE INVERNO".


(José Amaral)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

poema


AventurA


Um dia aventurei-me,
fiz-me caminhante
pelos mesmos trilhos
que o comboio sulca.
A tiracolo levava uma viola
e na mão levava uma mala,
de madeira,
coberta de autocolantes,
que herdara de meu pai,
também ele emigrante.
No coração levava a esperança
numa vida menos madrasta,
e saudades infindáveis.

Ali ia eu, frágil,
como aquela velha mala.

As linhas paralelas infindavam-se.
Caminhava, eu, no meio dos carris
num andar doloroso,
compassado,
ritmado,
lento,
pesaroso.
Pé-ante-pé
de travessa em travessa,
lá seguia eu
sem olhar para trás
com medo de me acobardar
e desistir daquela gesta
hereditária.

O horizonte ainda longínquo
fazia-me tremer as pernas.
O meu País desaparecia
como um ponto negro.

A viola e a mala, agora,
pesavam já mais
do que a minha esperança.
O meu andar cambaleante
denunciava a existência
de um ser errante,
em busca do El-Dorado.

Eis, senão, quando a minha esperança
renasceu qual Fénix.
Vi um túnel ao fundo do qual,
como que por magia,
nascia uma luz boreal.
De braços abertos
corri para a luz.

(...)
No dia seguinte os jornais
noticiavam a morte
de mais um aventureiro.


(in "Poder da Díctamo", José Amaral)

sábado, 16 de outubro de 2010

o jogo favorito

Para mim Leonard Cohen é músico. Sou suspeito e desde já assumo. Porém, desconhecia a sua faceta como escritor. Entretanto descobri essa faceta numa ida a uma livraria. Fiquei curioso e comprei o livro O Jogo Favorito (Alfaguara, 290 páginas) da sua autoria. Confesso que me agrada mais a sua música e a sua voz, mas a sua escrita não me foi, de todo, indiferente.
Neste romance, Cohen, narra “a história do jovem Lawrence Breavman. Filho único de uma família abastada, Lawrence procura fora de casa o que não consegue encontrar junto do pai doente e da mãe neurótica: Amor e beleza. Na companhia de Krantz, o melhor amigo, explora avidamente o mundo, que gira obsessivamente em torno de um único eixo: o sexo oposto. Na ânsia de abafar um passado deprimente e castrante que chegou ao fim com a morte do pai, é através das mulheres que Lawrence vai tacteando e conhecendo a vida, mesmo quando a carne e o desejo se transformam numa prisão tão sufocante como o passado. O seu jogo favorito Lawrence descobre-o em Nova Iorque, onde se refugia depois de terminada a faculdade e de um êxito precoce como poeta. É aqui que conhece Shell, a mais linda das mulheres, com quem partilha o prazer das sedutoras palavras e dos íntimos silêncios. Descobre, porém, o amor completo, na plenitude inebriante do êxtase que oferece e dos sacrifícios que exige”.

(José Amaral)

sábado, 9 de outubro de 2010

imagine... paz...

John Lennon nasceu a 9 de Outubro de 1940, em Liverpool e morreu assassinado em Nova Iorque, a 8 de Dezembro de 1980. Aqui fica uma das músicas, mundialmente, mais conhecidas deste autor/cantor.



Imagine

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will live as one





E por falar em PAZ, o Prémio Nobel da Paz de 2010 foi atribuído ao chinês Liu Xiaobo. Este dissidente encontra-se a cumprir uma pena de prisão de 11 anos, depois de ter escrito um manifesto, em 2008, a favor da liberdade de expressão e de eleições multipartidárias. Depois de feito o anúncio, muitas foram as vozes que se fizeram ouvir para a libertação de Liu. E que fez o governo chinês? Escondeu o anúncio do prémio, criticou a escolha e prendeu alguns manifestantes que pediam a libertação de Liu.


(José Amaral)

domingo, 3 de outubro de 2010

100 anos

Às 8 horas, do dia 5 de Outubro de 1910 (comemora-se este ano o centésimo aniversário), José Relvas proclama a República nos Paços do Concelho, em Lisboa.
Portugal deixou de ser uma Monarquia, em que o chefe de estado era um Rei, e deu lugar a uma República. O último rei foi D. Manuel II, que partiu para Inglaterra com a restante família real, ficando aí a viver no exílio.
A implantação da República fez com que Portugal mudasse a sua
bandeira e o seu hino para aqueles que temos actualmente e o nome da sua moeda para o escudo (actualmente é o euro).
O primeiro presidente eleito foi Manuel de Arriaga.
Passaram 100 anos e o país continua a viver conturbado. Muitas foram as transformações operadas, mas o povo continua a reclamar dos seus direitos. Os políticos continuam a divertir-nos e a distrair-nos em vez de governarem como deviam, pois foi para isso que foram eleitos. O País, os portugueses, merecem políticos de qualidade, de respeito e de palavra.

(José Amaral)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Vale dos Cinco Leões (Bertrand Editora, 392 páginas), de Ken Follet é o último livro que li.
O “USA Today” refere-se a este livro como «Follet vintage… Trata-se do seu romance mais ambicioso, e consegue um sucesso admirável.»
Acredito que alcance um sucesso admirável, mas no meu ponto de vista não é o romance mais ambicioso deste autor. Confesso apreciar a escrita deste autor, que me agrade sobremaneira – veja-se os post anteriores de obras deste autor – contudo, este livro deixou-me um certo sabor a pouco. Esperava mais! A história está bem estruturada e até se torna interessante, no entanto falta-lhe qualquer coisa. Todavia, vale a pena ler.
Aqui fica a sinopse: «Jane, uma inglesa corajosa e sensual, é apanhada num triângulo amoroso mortífero, entre os espiões rivais Ellis e Jean-Pierre. Amor, ódio e engano levam-nos de conspirações terroristas em Paris à guerra e aos guerrilheiros no Afeganistão».

(José Amaral)

domingo, 19 de setembro de 2010


Borboleta


O suave bater
de asas
daquela policromática
mariposa
suaviza o calor
que se faz sentir
naquele quarto
caiado
de branco pobre
onde,
num berço
de madeira carcomida
pelo caruncho,
dorme um bebé
de faces rosadas.


(in "Outonalidades", José Amaral)

sábado, 11 de setembro de 2010

rir é o melhor remédio

Jantar de Idiotas, com Steve Carell e Paul Rudd, é um “remake” que não consegue estar à altura do original “Un Dîner de Cons”.
No entanto, o filme permite-nos passar belos momentos de riso, pois as situações provocadas por Barry (Steve Carell) a isso permitem. Vale a pena ver este filme, pois “rir é o melhor remédio”. Porém, e se possível, deverá ver-se também o original em francês para fazer a comparação e para rir mais uns longos minutos.
Aqui fica a sinopse: «A história de Tim, um executivo com grandes ambições de carreira que acaba de receber o seu primeiro convite para o jantar de idiotas, um evento mensal, realizado na própria casa do seu patrão, que confere “direito à bazófia” (e potencialmente mais) ao executivo que convidar o maior tótó. A noiva de Tim, Julie, acha tudo isto de muito mau gosto e ele concorda em não ir ao jantar, até dar de caras com Barry - um funcionário das finanças que dedica o seu tempo livre a construir elaborados dioramas com ratos embalsamados - e rapidamente percebe que descobriu o idiota de ouro. Tim não resiste e convida Barry, cujas desajeitadas boas intenções transformam num ápice a vida de Tim numa frenética espiral descendente recheada de desgraças, pondo em causa um negócio de primeira linha, trazendo de volta à sua vida Darla, a ex-namorada perseguidora, e colocando Julie (ou assim pensa Tim ) nos braços de outro homem...».

(José Amaral)

sábado, 4 de setembro de 2010

história magnífica

Neste retomar ao trabalho, nada melhor que uma sugestão literária para fazer a “passagem” do relax para o trabalho. Trata-se de A História de Eneas (Bertrand Editora, 277 páginas), de Sebastian Barry. Este romance, do irlandês autor de “Escritos Secretos” e finalista por duas vezes do prémio Man Booker Prize, merece uma leitura atenta. A Imprensa Internacional já se rendeu aos dotes literários deste excelente e premiado escritor irlandês, considerando este romance como intenso, terno e absolutamente encantador. Para Franck McCourt trata-se de um romance «Elegante, cómico, trágico, musical. Trata-se de um romance que é uma sinfonia, e o leitor haverá de querer juntar-se à melodia e entrar com Eneas no próximo século.»
Este romance é um manancial literário. Magnífica a forma como o autor escreve esta trama. Desde as primeiras páginas que nos grudamos na história do nosso homem perdido (Eneas), mas também na forma extremamente rica como o autor coloca, por palavras escolhidas milimetricamente, a história nestas páginas que se escoam em pouco tempo.
Aqui fica a sinopse: «A história secreta de um homem perdido. A infância inocente e idílica de Eneas dá lugar a um mundo de violência na Irlanda do início do século XX. Num contexto de pobreza, guerra e conflito, Eneas é obrigado a deixar a sua terra, a família e Viv, a mulher que ama, e a correr mundo. A sua viagem longa, intensa e rica culmina num surpreendente regresso a casa, que, embora breve, será conclusivo.»
Recomendo vivamente esta obra!

(José Amaral)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

regresso ao trabalho...


As Férias já acabaram, para o ano há mais. Agora é voltar ao trabalho e... dar o nosso melhor!


(José Amaral)

domingo, 29 de agosto de 2010

quase de regresso...

Quase a terminar as férias, e antes de recomeçar a trabalhar, algumas sugestões literárias. As férias são momentos sempre oportunos para ler (colocar a leitura em dia ou continuar esse acto delicioso). Nestas férias, entre outros, li três livros que me agradaram e, por isso, aqui sugiro. Todos eles obras interessantes e bem escritas que vale a pena devorar.

O Guardião de Livros (Livros d’Hoje, 317 páginas), de Cristina Norton. É um livro de leitura fácil, mas que nos prende do primeiro ao último parágrafo. Um romance muito bem escrito, numa teia de acontecimentos bem urdida.
Aqui fica a sinopse: «Uma escrava muda conta um segredo guardado durante 200 anos; um escravo apaixona-se por quem não deve; uma carioca leva um português a descobrir as delícias do sexo; um cientista judeu a quem são confiados dois livros raros naufraga nas ilhas Malvinas. Estas são algumas das personagens deste romance, que nos narra a vida de Luís Joaquim dos Santos Marrocos, um bibliotecário hipocondríaco que, em 1811, atravessa o Atlântico rumo ao Brasil acompanhado por 76 caixotes cujo conteúdo era verdadeiramente precioso: no seu interior seguia a Real Biblioteca do Palácio de Ajuda, inicialmente esquecida no cais de Belém aquando da saída apressada da Corte portuguesa para o Brasil em 1808. A chegada ao Rio de Janeiro não foi fácil para Marrocos ao deparar-se com uma cidade onde nada o seduzia, - nem a comida, nem os cheiros, nem o calor - e com uma corte endividada, amante de cerimónias grandiosas e grosseira nos seus costumes diários. Mas tudo mudou quando conheceu Ana de Souza Murça. A autora descreve-nos uma vida rica em acontecimentos inesperados, onde a ironia se mistura com momentos comoventes».

O Anjo Maldito (Edições Asa, 319 páginas), de Andrew Taylor. Um romance policial que nos prende com uma série de acontecimentos sinistros.
Aqui fica a sinopse: «O viúvo David Byfield é vigário na aldeia de Roth. O seu passado é sombrio e o seu futuro não promete dar-lhe as tão desejadas tréguas. Nem mesmo quando o amor volta a fazer parte da sua vida e o leva de novo ao altar. Ao longo do Verão, as consequências do seu casamento repercutem-se na paróquia. Cego pela luxúria, Byfield não tem consciência dos perigos que o rodeiam: a solteirona devota e apaixonada; a sua bela e negligenciada filha adolescente; a presença sinistra de um poeta viciado em ópio cujos poderes se estendem para além do túmulo...Em breve, a violência estenderá as suas medonhas garras. Poderá a sua causa ser encontrada no passado ou no presente? E será o vigário, prisioneiro da sua própria paixão, capaz de desvendar a verdade antes de a tragédia final destruir o que lhe é mais querido? O Anjo Maldito é o segundo romance da trilogia Roth, constituída por thrillers psicológicos que podem ser comparados a uma escavação arqueológica, com as camadas do passado a serem desenterradas aos poucos para exporem as raízes do mal presente. Apesar do seu formato, cada volume integrante desta série pode ser lido de forma independente».

O Código do Alquimista (Edições Asa, 314 páginas), de Philip Kerr. Este livro relata a vida privada de Sir Isaac Newton.
Aqui fica a sinopse: «Londres, 1696. Uma súbita reviravolta na vida do temperamental Christopher Ellis leva-o à Torre de Londres, não como prisioneiro, mas sim como assistente do famoso cientista Sir Isaac Newton. No seu papel de provedor da Casa da Moeda, Newton aceitou a missão de perseguir os falsificadores de moeda que ameaçam fazer ruir a instável economia inglesa dilacerada pela guerra. Armados com o intelecto superior do cientista e a energia e habilidade do jovem Christopher, os novos parceiros parecem ser os mais indicados para resolver tal mistério. Mas quando a investigação os conduz a uma mensagem codificada escondida num cadáver, eles apercebem-se de que algo mais sinistro está em marcha. No auge da perseguição, as suspeitas avolumam-se à medida que a contagem de cadáveres aumenta e o par descobre uma ameaçadora e abrangente conspiração que pode levar à queda do governo… e custar-lhes a vida.O Código do Alquimista – A Vida Privada de Sir Isaac Newton é um thriller histórico carregado de suspense, tendo como ingredientes a volátil vida política, científica e religiosa que caracterizou a Londres do século XVII».
(José Amaral)

domingo, 8 de agosto de 2010

férias


O Ad Litteram vai de férias (não, o destino não é o da imagem. Antes fosse). Bem merecidas, por sinal. A todos os que passaram por este cantinho, comentando ou não os post's, desejo umas férias (se for o caso) agradáveis.


José Amaral

segunda-feira, 26 de julho de 2010

com este calor...


onda



As ondas
esbranquiçadas de raiva,
babavam-se contra
as rochas inamovíveis.
Neste primeiro assalto
a calma atirou ao tapete
a raiva que,
sem hesitar,
foi buscar forças
aos quintos dos infernos
e lançou-se,
num gesto suicida,
contra a macieza áspera
das adamastoras rochas.

Neste processo de lapidação
contra as próprias rochas,
um ronco ondeante
fez tremer
uma “casca de noz”
que bailava perdida
na imensidão oceânica.

A leviandade do comandante
contrastava com a pragmática
decisão lusitana
de descobrir novas paragens.

Ali, naquele quadro luso,
uma vez mais o cabo
foi dobrado
e o Adamastor
se mostrou irado.
Agora sim, a calma
enfureceu-se e a ira
amansou.


(in "Oráculo Luminar", José Amaral)

terça-feira, 20 de julho de 2010

PAN 8

No encontro transfronteiriço de Morille (PAN 8), já aqui divulgado, pude privar com alguns colegas. O fotógrafo de qualidade elevada Belarmino Lopes (gentilmente ofertou-me os livros "Sentidos - Fotobiografia Serra da Maúnça" e "O Mistério do Poço do Caldeirão"), um homem "dos sete instrumentos" (homem do teatro, jornalismo, escrita...) Leandro Vale (também me ofertou gentilmente os livros "8 Dias nos 80 de Fidel" e "Sós em Miami") e a poetisa Catarina Crocker (que igualmente me ofertou o livro "Montras de Amor Partido").
Além disso, acompanharam-nos nas nossas tertúlias o Carlos d'Abreu, o Jose (um amigo espanhol) e a Amélia (mulher do Belarmino).
Este post é uma pequena homenagem à amizade que se gerou entre nós. Num escrito meu (em papel de guardanapo que ficou depositado no bolso do Leandro) ficou registado: «A amizade faz-se/ caminhando/ o caminho estreito. Até para o ano».
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Há distâncias
E distâncias...
E o que é a distância
Na amizade que liga
Aqueles que se encontram
Na distância da amizade.
São duas palavras
Distantes
Mas amigáveis
Numa linha que separa
Uma unidade irmã.
Ibéria.
É só uma.
A tal da jangada
Que Saramago nos conta.
E que bom
Sobrevivermos à deriva
Nesta distante jangada
De pedra dura
Mais dura
Do que aquilo que nos separa
No sonho que nos leva
Na fronteira transponível
De uma distância
Inexiste na amizade
O dia-a-dia mais improvável
De uma Europa una
Essa sim distante
Cada vez mais provável
Na amizade inexistente.
Companheiros
Sou eu que vos digo
A distância só existe
Na imaginação
Daqueles que sem amizade
Criam fronteiras
Irreais
Quando a realidade
Fica tão próxima
Na possibilidade concreta
De sermos
Desde sempre
Ao longo dos tempos
Dois povos irmãos.
(Poema da autoria de Leandro Vale)
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(Foto da autoria de Belarmino Lopes)

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Sem Abrigo

Levantem esse Homem!
Não, não é pesado…
Leve como um anjo, anda muito cansado.
É ele o mendigo da rua que todos vêem passar…
Afastam-se de quem em criança quiseram beijar.

Levantem esse Homem! Cheiros podres sem destino.
Dêem-lhe água e perfume, carícias de bebé esquecido,
agora cão maltratado.
Mágoas em álcool afundadas num percurso de culpas carregado.
Abrigo em esquinas calcetadas, obstáculo em ruas apinhadas…

Levantam-no por baixo: duas mãos e uma atenção.
Icem-no bem alto.
Encham-lhe o coração!

(Poema da autoria de Catarina Crocker)

(José Amaral)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tudo o que eu tenho...

Mais uma sugestão literária para as férias. Trata-se de um livro do Prémio Nobel da Literatura 2009, Herta Müller. O livro é Tudo o que eu tenho trago comigo (Dom Quixote, 290 páginas). Não conhecia a escrita desta autora, mas surpreendeu-me pela positiva. Como livro de férias, quanto ao conteúdo não é muito “ligeiro”, mas compensa pela história, pela forma de escrever e de descrever pormenorizadamente as realidades. Vale por isso uma leitura, mesmo que em férias.
Para abrir o apetite aqui fica um breve resumo:
«Roménia no fim da guerra. A população alemã vive com medo. "Eram 3 da madrugada do dia 15 de Janeiro de 1945 quando a patrulha me foi buscar. O frio apertava, estavam -15º C". O jovem narrador começa assim o seu relato. Tem cinco anos diante de si, dos quais ainda nada sabe. Cinco anos, ao fim dos quais regressa um homem diferente. Herta Müller relata experiências que marcam os sobreviventes para toda a vida. Foi a partir de muitas conversas com Oskar Pastior, e outros sobreviventes do campo de trabalho, que a escritora reuniu o material que está na base deste grande romance. «Os livros de Herta Müller desencadeiam uma torrente poética que arrebata a mente do leitor», escreveu Andrea Köhler no jornal Neue Zürcher Zeitung, «a sua linguagem é talhada numa outra cepa, diferente da plantinha mimada que caracteriza largos sectores da literatura alemã contemporânea.» Através da história profundamente individual de um homem jovem, consegue narrar-nos, com a força de imagens inesquecíveis, um capítulo ainda quase desconhecido da história europeia».

(José Amaral)

sábado, 17 de julho de 2010

forever

Hoje foi dia de cinema na companhia do meu filho. O filme escolhido foi Shrek Forever After (Shrek – O Capítulo Final). O filme, em 3D, está muito bem conseguido, com efeitos especiais de grande nível.
Vale a pena ver!
Aqui fica a sinopse do filme:
«Shrek é agora um pai de família “domesticado”. Em vez de assustar aldeões, Shrek dá autógrafos. O que terá acontecido ao seu famoso rugido? Saudoso dos dias em que se sentia um Ogre de verdade, Shrek é levado a assinar um pacto com o eloquente e sorrateiro duende Rumplestiltskin e subitamente vê-se numa versão alternativa e deturpada do reino de Far, Far Away, onde Ogres são caçados, Rumplestiltskin é rei e ele e Fiona nunca sequer se conheceram. Agora Shrek precisa desfazer tudo o que fez se quiser salvar os amigos, restaurar o seu mundo e recuperar o seu amor».

(José Amaral)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

a leitura evapora-se

Já aqui publicitei algumas obras (“Kafka à Beira-mar”, “Em busca do Carneiro Selvagem” e “A Rapariga que inventou um sonho”), porque meritórias, de Haruki Murakami. Hoje volto a sugerir mais uma obra deste autor: O Elefante Evapora-se (Casa das Letras, 351 páginas). O livro lê-se facilmente, mas com muito agrado. São dezassete contos que nos prendem do princípio ao fim.
Aqui fica a Sinopse:
«Num sufocante dia de Verão, um advogado põe-se à procura do seu gato e dá de caras com uma estranha rapariga num jardim abandonado nas traseiras de casa. Mais adiante, as dores provocadas a meio da noite pela fome levam um jovem casal de recém-cadasos a fazer uma incursão nocturna e a assaltar um McDonald’s para conseguir deitar a mão a trinta hambúrgueres Big Mac, realizando assim um secreto desejo que já vinha dos tempos da adolescência. Um homem fica obcecado pela misteriosa e incrível saga de um elefante que se desvanece em fumo e desaparece da noite para o dia sem deixar rasto. Sem esquecer as confidências de uma mulher casada e jovem mãe com insónias que passa as noites em claro, a ler Tolstoi, e acorda para a vida num mundo indefinido de semiconsciência em que tudo se afigura possível - até mesmo a morte. Ao longo de dezassete pequenas histórias aparentemente banais, das muitas que povoam o nosso quotidiano, Haruki Murakami transporta o leitor à dimensão paralela de um imaginário delicioso e bizarro ao mesmo tempo, percorrendo um Japão que tem tanto de nostálgico como de moderno». Muitas vezes divertidos, sempre comoventes», os dezassete contos desta colectânea são prova da extraordinária capacidade narrativa de Haruki Murakami».
Uma sugestão literária bem saborosa para as férias. Vale a pena ler!

(José Amaral)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

eu vou lá estar


PAN 2010

POETAS PARTICIPANTES

Carlos d´Abreu
Borja Aguiló
José Amaral
Chus Arellano
Víctor Balcells
Nuria Benito Manjón
Carmen Camacho
Andrés Catalán
Ben Clark
Catarina Dionísio Crocker
Tiago Gomes
Antonio Gómez
Koji
Arturo Ledesma
José Luís Lima Garcia
LuisMi
Cristina Martín
João Mendes Rosa
Hugo Milhanas Machado
Ignacio Miranda
Américo Rodrigues
Rafael Saravia
Eduardo Scala
Javier Siedlecki
Victoria Siedlecki
Luis Somoza
Eugenio Tisselli
Leandro Vale
(José Amaral)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

absintiar


absintiar

Agora, só o absinto
- esse carrasco guilhotinesco -
é capaz de me expurgar da alma,
em jeito de estrupo,
os remorsos
que me consomem o corpo
e me dilaceram a alma.

Qual virgem violentada
sinto-me despido de mim
e, dia e noite, uma pérfida tentação
obriga-me a rever-me num louco
e faz-me tentar o suicídio.

Penso, no meio de dois copos
dessa execrável bebida,
na forma eufemística de o fazer:
? veneno ?
? afogamento ?
? forca ?
? pistola ?
Nem sequer ouso
pensar noutras hipóteses,
já que uma destas me é suficiente.

As soluções estão em cima da mesa
cabe-me, agora, corajosamente
escolher aquela que se orgulharia
de me ver estrebuchando por terra,
a boiar num poço,
dependurado de uma árvore
ou exangue.

Escolhi a pistola
e tentei a roleta-russa.
Primeira tentativa e... nada,
depois a segunda,
a terceira,
mais outra e ainda outra.
Nada, nem um só projéctil
conseguiu vencer-me.

Estaria eu sóbrio o suficiente
para a morte não ser capaz
de me olhar no fundo?
Num golo só, suicida,
esvaziei a garrafa absintiada.

Peguei na pistola e fiz girar
o tambor que continha
uma munição apenas.
Como um gambler
fiz rodar a pistola
no dedo indicador,
apontei-a à cabeça,
respirei fundo e...
click... disparei.
Nada!!!

A morte escondia-se atrás
daquela cobarde pistola,
deixando-me cego de raiva,
porque nem bêbedo
conseguia pôr termo à minha vida,
já que sóbrio era cobarde suficiente
para o fazer.
(in "Oráculo Luminar", José Amaral)