quinta-feira, 8 de abril de 2010

a não perder

Mais uma sugestão literária. Desta feita trata-se de uma obra de um escritor português. A máquina de fazer espanhóis (Alfaguara, 287 páginas), de valter hugo mãe.
Trata-se de um livro de leitura fácil, com uma história muito bem urdida. Faz-nos reflectir e ao mesmo tempo divertir, pois nota-se um apurado sentido de humor por parte do escritor.
Aqui fica a sinopse:
«Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo. a máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?»
Uma obra a não perder. Recomendo vivamente.

(José Amaral)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Acabei de ler o romance de estreia do norte-americano David Wroblewski, A História de Edgar Sawtelle (Bertrand, 583 páginas).
Aclamada pela crítica – “A leitura obrigatória deste Verão”, People Magazine; “Inesquecível”, Washington Post Book World; “Um misto de thriller literário com bestseller”, Publishers Weekly – e considerado o Romance do Ano 2009 (pelo Oprah Book Club), esta obra relata a vida de um menino mudo no interior dos EUA.
Edgar Sawtelle vive com a família numa quinta remota em Wisconsin e, apesar da deficiência, é feliz. Há gerações que os Sawtelle criam uma carinhosa raça de cão, ilustrada na perfeição por Almodine, a companheira de sempre de Edgar. É com ela e com mais dois cães que Edgar foge após a tentativa falhada de provar o envolvimento do tio na morte do pai, uma morte repentina e em circunstâncias misteriosas em que ele acaba por culpar-se a si próprio por não ter podido gritar por socorro. Após este acontecimento e destroçado pelo romance da mãe com o tio paterno, um dia Edgar vê o fantasma do pai e decide partir na companhia dos três cães. Porém, o amor à mãe e aos animais, e o desejo de vingança, fazem com que regresse a casa. Mas nada é como esperava e Edgar terá de se decidir entre a vingança ou a preservação do legado da família.
Embora muito aclamado confesso não ter gostado muito. Daí o ter demorado tanto tempo a lê-lo (mesmo não gostando, levo a leitura até ao fim). Parece que o autor se preocupou, em demasia, em escolher as palavras e não deixou a criatividade à solta. Por vezes, arrastam-se as descrições e dá a sensação de haver palavras a mais, só para embelezar um pouco mais a história.
Eu não gostei, mas pode ser falha minha. Contudo, deixo a sugestão, pois pode haver outros que leiam e que gostem.

(José Amaral)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Santa Páscoa


A todos os visitantes do AdLitteram votos de uma Santa Páscoa!
(José Amaral)

domingo, 28 de março de 2010

Sugestão...

Hoje foi tarde de cinema. A companhia, o meu filho. O filme Como Treinares o Teu Dragão. A história passa-se num mundo cheio de Vikings musculados e dragões selvagens. Um adolescente esquelético e desajeitado, filho de Viking, decide matar um dragão para se tornar um herói, provando o seu valor à tribo e ao pai. Mas quando ele se torna amigo do dragão o seu mundo vira-se de cabeça para baixo.
A versão escolhida foi a portuguesa, com a voz dos actores Virgílio Castelo, Eduardo Madeira, Francisco Areosa, Paula Lobo Antunes.
Este filme maravilhoso, produzido DreamWorks Animation, merece ser visto. O filme é em 3D o que o torna ainda mais fantástico.

(José Amaral)

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia


poeta



“Poeta sou! Cumpro meu fado, estranho
como o dum Santo ou louco
só posso dar de mais ou muito pouco,
que é tudo quanto tenho”
(José Régio)




A pena traz-me
à memória
a hagiografia escrita louca,
que dei ao mundo
cumprindo meu fado
dos loucos Santos
e eu, em perdidos prantos,
encontro no mais fundo
de mim
uma resposta breve
para dar,
de mais ou muito pouco
dando-me a conhecer
ao mundo
como um Santo
...louco!


(in "Oráculo Luminar", José Amaral)

Dia Mundial da Árvore

E porque hoje, 21 de Março de 2010, é o Dia Mundial da Árvore aqui fica o meu singelo contributo.

(José Amaral)


domingo, 14 de março de 2010

mistério

Mais um excelente filme nas salas de cinema. Trata-se de Shutter Island, um filme de Martin Scorsese.
Conta com as interpretações de Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Michelle Williams, Max von Sydow, Patricia Clarkson, entre outros. Destacam-se as interpretações, fantásticas, de DiCaprio e Kingsley.
O filme relata-nos a história de dois agentes policiais, Teddy Daniels e Chuck Aule, que são convocados a uma remota e inóspita ilha na costa do Massachusetts para investigar o misterioso desaparecimento de uma assassina do hospital, tipo fortaleza, para os criminosos com doenças mentais.
O enredo deixa-nos perdidos, confundidos. Não sabemos ao certo se os agentes são reais ou não, se são invenção. No entanto, a trama está muito bem estruturada e prende-nos do primeiro ao último minuto.
Um filme a não perder!

(José Amaral)

domingo, 7 de março de 2010

crueldade "preciosa"

Ontem fui ao cinema ver um dos filmes badalados do momento Precious. Este filme, realizado por Lee Daniels, conta com a presença de Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Lenny Kravitz.
É um filme baseado na história de Clareece "Precious" Jones, uma adolescente obesa, iletrada mãe solteira e grávida (do pai que já lhe havia “dado” uma outra filha que sofre de Síndrome de Down), que vive em Harlem, é vítima de constantes abusos físicos e psicológicos por parte da sua mãe, mas está disposta a ultrapassar todos os obstáculos, porque a vida é preciosa. Uma história de luta, coragem e determinação.
O filme mostra como é possível a estupidez humana ultrapassar todas as barreiras. Como a crueldade pode estar ao nosso lado, pode chegar donde menos se espera: daqueles que nos geraram. Este filme faz-nos pensar. É um filme com uma história intensa e comovente.
“Precious” encontra-se nomeado para alguns Óscares e é possível que arrecade algumas estatuetas. Vale a pena ser visto.

(José Amaral)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

poema


VIII


Hoje, o ano ficou mais pequeno!

O silêncio ensurdecedor
que silva dos lenços brancos
agitados como cravos,
na hora da despedida,
só é cortado
pelo cheiro acetinado
de papel queimado.

As folhas do calendário,
do mês-anão,
queimadas uma a uma
fazem meus olhos chorar
como se degolasse uma cebola.
Aquelas rectangulares folhas,
pretas,
da cor da mortalha de seda
elevam-se no ar
para logo se desfazerem
em flocos de neve.


(José Amaral, in "25 de Abril/34 Anos")

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

E então?... Vai-se andando!

Ontem, 18 de Fevereiro de 2010, tive a possibilidade de ver o conhecido actor José Pedro Gomes no Teatro Viriato, em Viseu, com a comédia Vai-se Andando.
A expressão é conhecida de todos os portugueses e serve de resposta nas mais variadas e comuns conversas de elevador: “Vai-se Andando”. O que pode ser considerado um emblema nacional dá, agora, título a mais uma peça de sucesso da dupla António Feio e José Pedro Gomes, desta vez, com diferentes papéis: Feio encena e José Pedro Gomes interpreta o monólogo que, sem esquecer a devida dose de sarcasmo, se propõe a colocar os portugueses a olharem para si próprios.
Esta comédia debruça-se sobre as manias, preconceitos, tiques, expressões, conformismo e incompetência, características que distinguem os portugueses de outros povos. Desde a sexualidade ao clima, passando pela comida e o trabalho, tudo é passado a pente fino, sob o olhar de um desmesurado galo de Barcelos insuflável, um dos mais pitorescos símbolos nacionais.
A peça, encenada por António Feio, tem textos de, entre outros, Marco Horácio, Nuno Markl e Nilton.

(José Amaral)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fabuloso...

Ontem, 14 de Fevereiro, a menina querida da Soul britânica, Joss Stone, apresentou-se ao vivo em Portugal. Ontem foi no Coliseu do Porto e hoje, 15 de Fevereiro, será no Coliseu de Lisboa.
Joss Stone nasceu em Devon, terra natal de Agatha Christie e Chris Martin (vocalista dos Coldplay), Joss Stone já vendeu mais de 8 milhões de discos e foi nomeada para quatro Grammys e três Brit Awards! Números impressionantes para quem tem apenas 22 anos.
O espectáculo de Joss Stone foi simplesmente fabuloso. Eu estive lá e posso confirmá-lo. Joss é uma artista com “A” maiúsculo. Simpática, simples (a sua simplicidade começa na indumentária e passa pelos pés descalços – já uma imagem de marca), mas com uma voz fabulosa. Por vezes o público parecia hipnotizado com o desempenho de Joss, muito bem secundada por um corro de duas vozes femininas e por uma banda magnífica, da qual destaco o baterista e o saxofonista.
Este é um daqueles espectáculos para guardar na memória.


(José Amaral)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

silêncio...

02 Fevereiro 2010 - 17h36
Actriz estava internada há uma semana
Morreu Rosa Lobato Faria


A actriz e escritora Rosa Lobato Faria morreu esta terça-feira em Lisboa aos 77 anos, adiantou fonte da família. A causa da morte não foi revelada, mas era público o seu internamento num hospital privado de Lisboa devido a uma grave anemia.
Rosa Lobato Faria estava internada num hospital privado de Lisboa há mais de uma semana com uma grave anemia.
Nascida em Abril de 1932, Rosa Lobato Faria teve uma carreira repartida por várias áreas, entre a televisão, representação, a literatura, a poesia.
Estreou-se nos ecrãs da RTP na década de 1960, sendo a locutora de vários programas. A telenovela ‘Vila Faia' marcou a sua estreia como actriz, dando continuidade em ‘Origens'. Na televisão participou ainda nas novelas ‘Jardins Proibidos' ou ‘Ninguém como tu', e nas séries de humor ‘A minha sogra é uma bruxa' e ‘Humor de Perdição', onde esteve ao lado de Herman José.
No cinema, entrou nos filmes ‘Tráfico' (1988), e 'A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América' (2003), ambos do realizador João Botelho.
Com muitas letras para canções, algumas das quais para festivais da canção, Rosa Lobato Faria não temeu entrar no mundo da ficção e da poesia. Em 1995, estreou-se na escrita com o romance “O pranto de Lúcifer”, e 1997 compilou em “Poemas Escolhidos e Dispersos”, escritos desde a sua infância. “O Prenúncio das Águas” (1999), galardoado com o Prémio Máximo da Literatura de 2000, “A trança de Inês” (2001), “O Sétimo véu” (2003), “A Alma trocada” (2007) e “As Esquinas do Tempo” (2008) são outros títulos da escritora publicados.
O corpo da escritora estará esta quarta-feira de manhã na Igreja de Santa Isabel, perto do Largo Rato em Lisboa, onde decorrerá uma missa às 15h00. Segue-se depois o funeral, em sítio a definir, mas será em Lisboa.

(in “Correio da Manhã”)

Há uns tempos atrás fiz aqui, no AdLitteram, referência ao livro A Alma Trocada. Fiz-lhe rasgados, porque merecidos, elogios. É com pena que vejo partir uma grande escritora, mas acima de tudo um exemplo raro nesta nossa sociedade tão poluída de coisas menores. Rosa Lobato Faria era uma Senhora! Embora continue a fazer-nos companhia vamos sentir a sua falta.

(José Amaral)

domingo, 31 de janeiro de 2010


No primeiro dia das comemorações do Centenário da República...


XIX


As cores que da Bandeira Portuguesa,
por trinta dinheiros quinadas,
florescem num vivo e odorífero cravo
prenhe de esperança e de sangue
serão a minha mortalha.

Sou o País que se arrasta
num negro fado vestido,
que grita gemidos de guitarra
quando muitos fazem a farra.
Não me reconheço na Revolução
que trouxe para a rua
com promessas de um futuro melhor,
pois vejo um passado já gasto
e um presente-futuro pior.

Matem-me!
Disparem contra mim,
acabem com esta minha triste sina
e descansarei em paz, por fim!




(in "25 de Abril/34 Anos", José Amaral)



domingo, 24 de janeiro de 2010

Quase quase a conhecerem-se os nomeados para os Óscares, esta semana fica uma sugestão cinematográfica. Trata-se do filme Nas Nuvens (“Up in the air”), de Jason Reitman. Conta com as excelentes participações de George Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick.
É um filme que nos faz pensar na vida, no corre-corre, nas relações humanas… Aqui fica a sinopse:
«Ryan habituou-se a um estilo de vida livre por entre aeroportos, hotéis e carros de aluguer. Consegue levar tudo o que necessita no seu pequeno trolley; é membro VIP de todos os programas de fidelização que existem; e está prestes a atingir o seu objectivo de vida: 10 milhões de milhas, como cliente regular – e porém… Ryan não tem na vida a que se possa agarrar. Quando se apaixona por uma companheira de viagem, o seu patrão, inspirado por uma ambiciosa jovem perita em eficiência, ameaça limitá-lo ao escritório, longe das constantes viagens. Deparando-se com a perspectiva, simultaneamente aterradora e excitante de ter de deixar de voar, Ryan começa a vislumbrar o verdadeiro significado de ter um lar...».

(José Amaral)

sábado, 16 de janeiro de 2010

XI


Sem à dita de Aquiles ter enveja”,
o maior dos vícios
dos pequenos e pelintras
e provincianos portugueses,
surge D. Sebastião
num nevoento vinte e cinco de Abril.

Como um louco
na sua sadia embriaguez
empunha numa mão
uma caneca de cerveja
e na outra arma e cravo
que lhe germina do coração.
Blasfema e troveja heresias
espremidas da pessoana pena:
«Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…».


(José Amaral, in "25 de Abril/34 anos")

sábado, 9 de janeiro de 2010

Frrrrrrrrrrrrio


Orvalhada


Nas vetustas folhas
daquele imberbe
carvalho
luzem
gotas
de orvalho.

Brilham
rebrilham
refulgem
um brilho
a perfume
de rosas brancas.


(José Amaral, in "Outonalidades")


sábado, 2 de janeiro de 2010

1ª sugestão literária 2010

Novo ano e novas sugestões literárias. Após um interregno, mais ou menos longo, debido a muito trabalho aquí fica a primeira sugestão literaria para este novo ano.
Trata-se de O Fantasma de Hitler (Dom Quixote, 460 páginas) de Norman Mailer. Mailer é autor de mais de 30 títulos, entre os quais “Os Exércitos da Noite”, pelo qual obteve um National Book Award e um Pulitzer, e o “Canto do Carrasco”, que o distinguiu com um segundo Pulitzer.
O autor recria a história de uma família incestuosa, descrevendo três gerações de ascendentes do ditador nazi (Adolf Hitler) durante o século XX, na Áustria. Trata-se de um romance sobre a vida de Hitler e sobre a sua família. Adolf Hitler é um tema natural para um autor como Mailer. O narrador é um SS misterioso (chamado Dieter, alto, louro, de olhos azuis, cuja unidade especial reporta directamente a Himmler) que sabe segredos extraordinários, e que nos revela o jovem Adolf desde a infância, aproveitando, ao mesmo tempo, para nos esclarecer sobre a mãe, o pai, os irmãos. Toda aquela invulgar família. E é através de uma galeria de personagens inesquecíveis que observamos, como nunca antes, a luta entre o bem e o mal.Mailer argumenta que, como os factos falharam a explicação do fenómeno de Hitler e do regime nazi, cabe à Literatura abordar uma história que excede a compreensão humana e, demonstra no seu entender, a existência do Demónio. O livro termina quando o futuro ditador atinge a adolescência.
O livro vale pela escrita agradável de Mailer. É uma boa sugestão para iniciar, literariamente, este ano.

(José Amaral)

domingo, 27 de dezembro de 2009

adeus...

A todos os leitores do AdLitteram um Próspero Ano Novo, repleto de muitas realizações.
Brindemos a 2010...





Adeus 2009...

(José Amaral)




sábado, 19 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS!... FELIZ NATAL!...




A TODOS AQUELES (E AOS OUTROS, TAMBÉM) QUE AO LONGO DE 2009 PASSARAM PELO ADLITTERAM, UM SANTO E FELIZ NATAL...


(José Amaral)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Brrrrrrrr



Gelidez


Há um frio
de morte
no ar...

Esta noite,
de Verão,
fria
chuvosa
ventosa
gélida
incaracterística
convida-nos a dormir
com a mortalha
junto ao corpo
frio…
da noite.


(in "Outonalidades", José Amaral)