domingo, 28 de fevereiro de 2010

poema


VIII


Hoje, o ano ficou mais pequeno!

O silêncio ensurdecedor
que silva dos lenços brancos
agitados como cravos,
na hora da despedida,
só é cortado
pelo cheiro acetinado
de papel queimado.

As folhas do calendário,
do mês-anão,
queimadas uma a uma
fazem meus olhos chorar
como se degolasse uma cebola.
Aquelas rectangulares folhas,
pretas,
da cor da mortalha de seda
elevam-se no ar
para logo se desfazerem
em flocos de neve.


(José Amaral, in "25 de Abril/34 Anos")

2 comentários:

Paulo Sempre disse...

Espero que as "folhas do calendário" não motivem - na sua substituição - ensurdecedores silêncios e/ou negatividades ainda maiores...
Grande abraço.
Paulo Sempre

Amaral disse...

Paulo
Bem (re)aparecido. Espero que não haja silêncios de qualquer espécie.
Boa semana
Abraço