sábado, 17 de novembro de 2007

Sugestão de Leitura



Desta feita a minha sugestão de leitura centra-se no último livro de Miguel Sousa Tavares: “Rio das Flores”. Com a chancela da “Oficina do Livro” (632 pág.) é um romance que se lê com bastante agrado. Este segundo romance (o primeiro foi “Equador”) vem confirmar MST como romancista em ascensão.
Alguns críticos vieram já dizer que o livro tem 100 páginas a mais e outros vieram dizer que para ser uma obra completa faltam-lhe 100 páginas. Opiniões!...
Estamos na presença de uma história passada em Portugal (centrada no Alentejo), Espanha (fazem-se referências a outros países da Europa) e Brasil, na primeira metade do século XX.
Essa história relata-nos a saga da família Ribera Flores, uma família de proprietários rurais, nesses anos conturbados da primeira metade de um século marcado por várias ditaduras (as mais directamente frisadas são as de Franco e Salazar).
Depois da Morte do patriarca Ribera Flores, ficamos com o relato dos amores e desamores dos dois irmãos: Diogo e Pedro. O primeiro, mais aventureiro porque acha o país pequeno para ele, casa-se com Amparo e, depois de emigrar – por causa dos negócios – para o Brasil, deixa-a (com dois filhos) e apaixona-se por Benedita de quem tem também uma filha; Pedro, mais agarrado à terra e também mais rebelde, apaixona-se por Angelina e sofre um desgosto de amor. Nunca mais se apaixonou (embora mantenha uma paixão secreta pela cunhada).
É um romance que fala dos apegos e desapegos à família, de amores e paixões, apego à terra e às suas tradições.
Serve, esta leitura, para conhecermos um pouco mais da história da primeira metade do século XX, em especial em Portugal. Tem o condão de nos fazer pensar e de nos colocar dois pontos de vista distintos, isto é, duas formas diferentes de pensar/encarar um mesmo problema.

(José Amaral)

9 comentários:

A. João Soares disse...

Caro Amaral,
Aprecio mis esta orientação para a leitura de boas obras.
Não quero nem tenho competência para seguir esta sua saga, mas informo-o de que no meu blog chamo a atenção para um livro de que tive conhecimento há dias!
Um abraço de amizade
João

Amaral disse...

João Soares
Suponho (sem querer ser presunçoso) que sei de que livro se trata. Irei confirmar.
Gostei do nosso encontro por terras de Viriato. Foi gratificante, porque, sem atropelos, pudémos trocar impressões sobre tantas coias.
Boa seman
Abraço

pensarfornos disse...

Caro J. Joaquim:
Ainda na li o luvro que referes, todavia não deixarei de ler mais esta tua sugestão.Li o Equador e fique a gostar da arte da escrita em Miguel de Sousa Tavares.
Tem uma boa semana!
Um abraço amigo
JPClemente

Amaral disse...

João Paulo
Se "Equador" estava bom, este está uns furos à frente. Bem como filho de peixe sabe nadar, filho de escritora sabe (pelo menos neste caso) escrever.
Boa semana
Abraço

marsof81 disse...

Os meus pais costumam oferecer-me livros nos meus anos e no Natal. Este ano estava a pensar pedir-lhes o "Codex" do José Rodrigues dos Santos. Ultimamente não tenho lido autores portugueses, aliás conheço muito poucos. Mas pensei neste livro em vez do Codex. O Codex parece ser mais o meu género de leitura mas às vezes experimenta-se algo diferente e gosta-se. Não conhecia a história, apenas me haviam dito que era um bom livro! Agora que li um pouco do que é o livro vou pensar. Obrigada pelo esclarecimento!!
Bjo
Sofia

Amaral disse...

Ana sofia
Não li o "Codex", mas já li quatro de José Rodrigues dos Santos. Também li "Equador" de Miguel Sousa Tavares.
Desses todos considero os de MST melhores que os de JRS e este "Rio das Flores" o melhor.
Posso estar errado, pois não conheço o "Codex", mas acho que ficará mais bem servida com este último de MST.
Bjo

Isabel-F. disse...

Vou seguir a tua sugestão e ver se alguém me empresta o livro para ler (infelizmente não posso comprar tudo o que me aparece) ...


beijinhos

david santos disse...

Por favor!
Ajuda a que se faça Justiça a Flávia. Se és um ser com sentimentos, ajuda!
Eu jamais invadirei teu blogue, garanto! Mas ajuda.
Repara bem: eu, tu, seja quem for, tem nosso pai, nossa mãe, nosso irmão ou irmã, ao longo de 10 anos em coma, que vida será a nossa?
Se não tivermos a solidariedade de alguém com sentimentos, que será de nós?

TEMPO SEM VENTO

Ah, maldito! Tempo,
Que me vais matando,
Com o tempo.
A mim, que não me vendi.
Se fosses como o vento,
Que vai passando,
Mas vendo,
Mostrava-te o que já vi.

Mas tu não queres ver,
Eu sei!
Contudo, vais ferindo
E remoendo,
Como quem sabe morder,
Mas ainda não acabei
Nem de ti estou fugindo,
Atrás dos que vão correndo.

Se é isso que tu queres,
Ir matando,
Escondendo e abafando,
Não fazendo como o vento:
Poder fazer e não veres
Aqueles que vais levando,
Mas a mim? Nem com o tempo!

David Santos

Amaral disse...

David
Vou procurar, dentro dos possíveis e de forma singela, ajudar a Flávia.
Abraço