quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Breve Pausa

Com um fim-de-semana à porta e algumas efemérides de permeio (Freddie Mercury morreu em Londres, a 24 de Novembro de 1991, foi o vocalista e líder da banda de rock britânica Queen. Tina Turner, nasceu em Tennessee, a 26 de Novembro de 1939, é uma cantora de R&B, pop, rock e soul, dançarina, além de actriz ocasional. Alexandre Dumas, filho, faleceu a 27 de Novembro de 1895, foi um escritor francês que seguiu os passos de seu pai) e muito provavelmente impossibilitado de actualizar o meu blog até um destes dias, desejo a todos os meus leitores um excelente fim-de-semana. Para isso, aqui deixo um belíssimo poema de José Régio:


Poema do silêncio


Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!
Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.


(José Amaral)

13 comentários:

joão oliveira disse...

cumprimentos

...simplesmente belo

bom fim de semana

CMatos disse...

Bonito poema.
Bom fim de semana.

Meg disse...

Não, "isto" não é para ser lido, é para ser lido e pensado... Eu volto, porque aqui não há fins de semana, caro Amaral. Até logo.
Um abraço

Meg disse...

Agora sim, mas...

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

É essa busca do infinito em nós...
Belo mas sofrido poema!

Um abraço

Isabel-F. disse...

uma maravilha o poema que aqui nos deixaste
___________

então, até ao teu regresso.

beijinhos

Amaral disse...

João
Obrigado.

Amaral disse...

Matos
Ainda bem que gostaste. Boa semana.
Abraço

Amaral disse...

Meg
Na poesia o tema sofrimento pode parecer doloroso, mas torna-se grato se o soubermos escrever e ler. Faz-nos pensar, torna-nos mais humanos, mais nós.
Boa seman
Abraço

Amaral disse...

Isabel
Ainda bem que gostaste do poema.
Boa semana
Bjo

Meg disse...

Mas que grande pausa!

Um abraço

al cardoso disse...

Magnifico!!!

So que na ultima parte existe algo que nao estara certo, digo eu. Ou estara?
"um D*us em quem nao creio"???

Tem que me aclarar isto.

Um abraco deste, que cada dia que passa tem mais dificuldade em acreditar.

Amaral disse...

Meg
Pois foi, mas sempre ocupado.
Abraço

Amaral disse...

Al Cardoso
O poeta (José Régio) é que não crê. Pode até acreditar em Deus e num momento de dúvida ter escrito esta frase. A relação de Régio com Deus foi muito "conflituosa", numa busca constante com avanços e recuos (mais estes).
Abraço