quarta-feira, 4 de julho de 2007

Leitura de férias

Acabei de ler o livro “Vozes do Deserto”, da brasileira Nélida Piñon (Bertrand Editora, 264 páginas), e recomendo-o como leitura de férias. Nesta edição é de lamentar, apenas, (sem que isso seja um entrave) que a obra está escrita em Português do Brasil. Uma obra que prende a nossa atenção desde o início.
Partindo da história de há mil anos, em que Scherezade atravessou mil e uma noites contando histórias ao Califa e poupando, assim, a vida a mil e uma donzelas que o soberano ameaçara ceifar para se vingar da sultana, que o traíra com um escravo negro.
Passados mil anos, é a vez de Nélida Piñon, através da sua narrativa, contar a aventura interior vivida por Scherezade em face do homem que segura nas mãos o fio ténue da sua vida. Em "Vozes do Deserto", Nélida Piñon revela a mulher oculta por trás do mito da mais famosa narradora da literatura oriental --Scherezade. Numa escrita cuidada e rebuscada, fazendo-nos reportar aos grandes clássicos, Nélida presenteia o leitor com uma belíssima obra.

O AD LITTERAM deixa aqui um pequeno excerto:
«Caindo a noite, o Califa virá em seguida. Ele é sensível ao relógio, jamais se atrasa. Não perdoa quem desconsidera o valor do tempo, ainda que por minutos. Fiel a este atributo, ele desponta na curva do corredor, precedido pela diligente falange de guerreiros. Por disposição protocolar, o arauto responde por seus deslocamentos. Relevante figura na corte, ele anuncia de longe a aproximação do monarca, dando tempo às filhas do Vizir, que não estão isentas deste dever, de se prostrarem sobre o piso de mármore, antes de o soberano, ereto apesar do corpo cansado, cruzar o portal».

(José Amaral)

4 comentários:

Isabel-F. disse...

deve ser interessante ...

vou registar a tua ideia.

bjs

Amaral disse...

Isabel
sei que ainda a levo à falência (rsrs) com tantas sugestões, mas este é mais um daqueles livros que vale a pena ler.
Bjo

A. João Soares disse...

Admiro esse sultão que é parecido comigo no respeito pelo tempo. Para mim, ser pontual não é chegar a horas, é estar a horas, o que é um pouco diferente. Não me importo de esperar que chegue a hora de um encontro, mas aborrece-me que me façam esperar.
Abraço

Amaral disse...

João Soares
Aborrece-se que o façam esperar é porque estão atrasados, logo não chegaram a horas. É preciso ser pontual.
Abraço