segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Já por várias vezes tinha ouvido falar de João Tordo. O nome não me dizia nada, nem tão pouco associado ao nome de família (filho do cantor Fernando Tordo). Sabia que tinha ganho o Prémio José Saramago, em 2009. Sabia que tinha um novo romance O Bom Inverno (D. Quixote, 290 páginas). Sabia que tinha recebido os maiores elogios. Contudo, ainda não me tinha predisposto a adquirir a obra. Em boa altura o fiz. É um romance excelente, de leitura fácil e que nos prende do princípio ao fim. Muito bom para esta altura do ano.
Aqui fica a sinopse: «Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história».

(José Amaral)

2 comentários:

Paulo Sempre disse...

"Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia"

Ninguém pode, mesmo no quotidiano real, saber , à partida, o que pode acontecer depois de uma noite agitada...

Grande abraço.
Paulo

PS: Já tinha saudades de voltar a este «espaço».

Amaral disse...

Paulo
Seja sempre bem-vindo.
Realmente a vida é uma caixinha de surpresas. E ainda bem que assim é.
Abraço