domingo, 6 de dezembro de 2009


De profundis amamus


Ontem às onze fumaste um cigarro encontrei-te sentado
ficámos para perder todos os teus eléctricos os meus estavam perdidos por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes
olhar a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não
faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

(Mário Cesariny)
(José Amaral)

7 comentários:

Delfim Peixoto disse...

Sempre bom reler
Abraço

GeoBlog disse...

Muito Bonito!
Boa Semana!
Bjos

Amaral disse...

Adelaide
Ainda bem que gostaste.
Bom feriado e boa semana
Bjo

Amaral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amaral disse...

Delfim
Vale sempre a pena ler mesmo. Bom feriado e boa semana
Abraço

Isabel-F. disse...

Oi Amaral,

Não conhecia o poema ...

gostei imenso e
obrigada pela partilha

bjs
isabel

Amaral disse...

Isabel
Ainda bem que gostaste. Continuação de boa semana.
BJo