sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Há uma língua do povo

Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de Dezembro de 1865 e faleceu, igualmente, no Rio de Janeiro, a 28 de Dezembro de 1918. Poeta brasileiro foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Aqui fica um belíssimo poema deste poeta-irmão que tão bem soube esculpir em poema a nossa língua.



Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!


(in “Tarde”, 1919)

Mariza nasceu em Moçambique, a 16 de Dezembro de 1973. É a fadista portuguesa, da actualidade, com maior projecção a nível mundial. Fadista? Ela, em conversa com Carlos Vaz Marques na TSF em 2003, diz ser uma «cantadeira de fados». Foi a única portuguesa até hoje a integrar os concertos do Live 8 e a primeira a ser nomeada para um Grammy Latino, o qual perdeu para Los Gaiteros de San Jacinto, da Colômbia. Muitos foram os prémios já atribuídos a esta grande fadista.
Se Olavo Bilac bem elevou, pela escrita, a nossa língua, Mariza não lhe fica atrás com a sua portentosa voz. Aqui fica um poema de Fernando Pessoa e Mário Pacheco imortalizado pela voz de Marisa.


Há uma Música do Povo

Há uma musica do Povo,
Nem sei dizer se é um Fado –
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…

Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…

Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!

(José Amaral)

3 comentários:

A. João Soares disse...

Amaral
Parabéns pela obra de «serviço público» que desenvolve neste blog, divulgando aspectos muito significativos da cultura. Continue, para enriquecinmento cultural de quem o visita.
Abraço

Amaral disse...

João
Obrigado pelo elogio (serviçi público) espero continuar a divulgar a cultura, a partilhar gostos e a estar receptivo a novas partilhas.
Abraço

Paulo Sempre disse...

Mas a "sombra" de Amália Rodrigues, a DIVA DO FADO, fará sempre "sombra" a qualquer fadista.
Amália, ainda, pertence aos patamares onde só os demasiado grandes têm lugar...
Abraço