terça-feira, 20 de março de 2007

Dia Mundial da Árvore

A comemoração oficial do Dia da Árvore teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872. John Stirling Morton conseguiu induzir toda a população a consagrar um dia no ano à plantação ordenada de diversas árvores para resolver o problema da escassez de material lenhoso.
A Festa da Árvore rapidamente se expandiu a quase todos os países do mundo, e em Portugal comemorou-se pala primeira vez a 9 de Março de 1913.
Em 1971 e na sequência de uma proposta da Confederação Europeia de Agricultores, que mereceu o melhor acolhimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), foi estabelecido o Dia Florestal Mundial com o objectivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra.
Em 21 de Março de 1972 – início da Primavera no Hemisfério Norte – foi comemorado o primeiro DIA MUNDIAL DA FLORESTA em
vários países, entre os quais Portugal.


Fonte: ICN (http://www.icn.pt/).


Amendoeira

Finais de Janeiro!

Em alguns dias

o Sol faz-se

anunciar

alegrando

os enfadonhos e tristes

dias de Inverno.

Na berma da estrada

por onde passa,

o professor

vê as amendoeiras

florir.

Algumas, já vestidas

de pétalas

branco-rosa,

são o contento

daquele que passa

todos os dias

por aquelas

desertas vias.

Em breve

desprender-se-ão da vida

e farão

estranhos bailados

no céu azul.


(in “Outonalidades”, José Amaral)

segunda-feira, 19 de março de 2007

DIA DO PAI

Dizem que o primeiro a comemorar o DIA DO PAI foi um jovem chamado Elmesu, na Babilónia, há mais de 4.000 anos. Ele teria esculpido em argila um cartão para seu pai. Mas a instituição de uma data para comemorar esse dia todos os anos é bem mais recente...
Em 1909, a norte-americana Sonora Louise Smart Dodd queria um dia especial para homenagear o pai, William Smart, um veterano da guerra civil que ficou viúvo quando a sua mulher teve o sexto bebé. Assim ele teve de criar os seis filhos sozinho numa fazenda no Estado de Washington. Foi olhando para trás, depois de adulta, que Dodd percebeu a força e generosidade do pai.


Muitos países têm datas especiais para homenagear os pais, mas não há uma data fixa, para se homenagear o pai, em todo o mundo. A Inglaterra e a Argentina comemoram a data no terceiro domingo de Junho. Em Itália e em Portugal, a homenagem acontece no Dia de São José, 19 de Março. Na Austrália, é no segundo domingo de Setembro. E na Rússia, no dia 23 de Fevereiro. Nos EUA é no terceiro domingo de Junho. No Brasil é no segundo domingo de Agosto.


tristeza

Eras um menino,

criança ainda.

Não sabias sorrir

e tinhas a tristeza estampada no

R

O

S

T

O

As lágrimas eram

a água que te lavava a

F

A

C

E

onde sulcavam

sonhos e amarguras.


V
I

V

I

A

S


N

U

M
CASEBRE

Num bairro de lata,

tão lavado

quanto a tua face.

A tua mãe morrera

ainda não tinhas feito

três primaveras;

o teu pai, esse, nunca o conheceste.


Abeirei-me de ti, e tu

B RU SCAMEN TE

fugiste como um bicho.

Tentei novamente.

Não te assustaste!

Demorei a minha mão

na tua face

e senti toda a tua tristeza e amargura

passar para mim.

Aquele menino

tinha um sonho.

Um sonho irrealizável!

Queria que eu lhe trouxesse

a mãe de volta

e que esta lhe mostrasse

o PAI que nunca

A

R

E

C

E

H

N

O

C


(in “Oráculo Luminar”, José Amaral)

sábado, 17 de março de 2007

Poema

Don du poème

Je t’apporte l’enfant d’une nuit d’Idumée!

Noire, à l’aile saignante et pâle, déplumée,

Par le verre brûlé d’aromates et d’or,

Par les carreaux glacés, hélas ! mornes encor,

L’aurore se jeta sur la lampe angélique.

Palmes! et quand elle a montré cette relique

A ce père essayant un sourire ennemi,

La solitude bleue et stérile a frémi.

O la berceuse, avec ta fille et l’innocence

De vos pieds froids, Accueille une horrible naissance :

Et ta voix rappelant viole et clavecin,

Avec le doigt fané presseras-tu le sein

Par qui coule en blancheur sibylline la femme

Pour des lèvres que l’air du vierge azur affame ?


Stéphane Mallarmé*


(* Stéphane Mallarmé nasceu em Paris, a 18 de Março de 1842 e faleceu em Valvins, a 9 de Setembro de 1898)

sexta-feira, 16 de março de 2007

AVAICHO OS INTELEQUETUAIS!...

Na edição desta semana da revista “Visão” (N.º732 – 15 de Março de 2007), na secção “Portofólio”, vem um artigo de Manuel António Pina («Avaicho os intelequetuais») que achei interessantíssimo. Faz-nos pensar e ler nas entrelinhas. Já na Bíblia se diz “quem tem ouvido para ouvir que oiça…” e eu acrescento quem tem olhos para ler, que leia. Aqui fica na íntegra o artigo


«Contava-se antes do 25 de Abril uma anedota em que dois amigos conversavam num café. Perguntava um: “Quantos são 2 mais 2?”. E o outro: “Quatro”. O primeiro de novo: “E quem foi o primeiro rei de Portugal?” “Acho que foi D. Afonso Henriques…” “Põe-te a pau, pá, que a PIDE anda atrás dos intelectuais!” A PIDE acabou entretanto, mas os intelectuais têm boas razões para continuarem desassossegados. Saber quantos são 2 mais 2 e quem foi o primeiro rei de Portugal (ou que a água ferve a 100 graus e ângulo recto a 90…) é ainda hoje algo capaz de suscitar mais hostilidade social do que acender um charro no meio da missa e o melhor que tem a fazer quem sabe coisas como essas é não o confessar a ninguém. «Intelectual» (normalmente diz-se «pseudo-intelectual») ou «académico» são os piores insultos que em Portugal se podem dirigir a um autóctone. E a suspeita de que alguém lê coisa diferente do Correio da Manhã e dos livros da D. Margarida Rebelo Pinto, ou que vê o canal Arte em vez de ouvir as prelecções do professor Marcelo, é suficiente para acabar com a carreira mais promissora. Pacheco Pereira, no PSD, e Manuel Alegre e Carrilho, no PS, que o digam.
Alegre, ainda por cima, lê e escreve versos e, entre nós, “poeta” é injúria pior do que “intelectual”. Aliás, é sabido que é por sermos um “país de poetas” que o défice público atingiu as épicas proporções que se conhecem com todo o seu interminável cortejo de prosaicas consequências para a bolsa das famílias. Por sua vez, Carrilho é “filósofo” e chamar “filósofo” a alguém, sobretudo a um político (mas não só: imagine o leitor que o vizinho lhe chama “filósofo” numa reunião do condomínio, admitiria uma coisa dessas sem lhe dar logo um tabefe?), é tão ou mais grave que chamá-lo de “poeta”.
Nas universidades, os estudantes que estudam em vez de copiar nos exames são “marrões” e os poucos que lêem são “ratos de biblioteca”, sendo que o problema não é serem “ratos” (ser “rato”, na política, nos negócios, na vida em geral, é um elogio que se agradece com um sorriso de modéstia), o problema é serem, bleugh!, de “biblioteca”. Um estudante “rato” é o que consegue tirar um curso sem ter lido um livro e que, metendo pela via rápida de qualquer juventude partidária, em pouco tempo chega a assessor de uma Secretaria de Estado, enquanto o colega “intelectual” continua estupidamente encafuado na biblioteca a preparar o mestrado para poder inscrever-se num Centro de Emprego.
“Marrão”, “rato de biblioteca”, “filósofo”, “poeta”, “intelectual”, “académico” são insultos que, em Portugal, nem aos árbitros de futebol se dirigem. Se algum imprudente adepto chamasse “intelectual” ou “filósofo” (há uns anos, um jogador chamou “filósofo” ao árbitro Jorge Coroado e apanhou poucas da Liga!) a um árbitro, este interromperia imediatamente o jogo e, virando-se para a bancada, gritaria: “Intelectual é a tua mãe!”, o que resultaria num sururu pior do que se a equipa da casa perdesse com um penalty no último do prolongamento (e a mãe do adepto, envergonhada, não voltaria decerto a sair à rua até ao fim da época). E nenhuma companhia de seguros cobre as consequências resultantes de um condutor chamar a outro “poeta” num engarrafamento em vez do inofensivo e portuguesíssimo filho desta ou daquela.
Recordo-me de um antigo cartoon de Siné com uma manifestação encabeçada por um cartaz garatujado com a palavra de ordem «Avaicho os intelequetuais!». Sempre acreditei que fosse uma homenagem de Siné ao bom povo português.»

(José Amaral)

quinta-feira, 15 de março de 2007

Prémio Camões para António Lobo Antunes

O Prémio Camões 2007, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, no valor de cem mil euros, foi hoje atribuído ao escritor português António Lobo Antunes.

A decisão do júri teve por fundamento “a mestria em lidar com a Língua Portuguesa, aliada à mestria em descortinar os recessos mais inconfessáveis dos homens, transformando-o num exemplo de autor lúcido e crítico da realidade literária”, informa o Ministério da Cultura português, em comunicado.

António Lobo Antunes nasceu a 1 de Setembro de 1942, em Lisboa.

"Memória de Elefante", o seu primeiro romance publicado, começou a ser escrito em 1976 e chegou às livrarias em 1979, ano em que começou oficialmente a sua carreira de escritor. Para além de "Memória de Elefante", publica nesse ano "Os Cus de Judas".

Em 1996 é distinguido com o prémio France Culture pelo romance "A Morte de Carlos Gardel". Um ano mais tarde volta a receber o mesmo prémio, desta feita pelo livro "Manual dos Inquisidores".

Três anos depois é distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE e com o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus, pelo romance "Exortação aos Crocodilos", com o qual recebe também, em 2000, o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco.

Em 2003 prossegue o reconhecimento internacional da sua carreira, com o Prémio Internacional União Latina e o Prémio Ovidius, da União de Escritores Romenos

Um ano mais tarde recebe o Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril Sol, pelo romance "Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo". No mesmo ano é galardoado com o Prémio Jerusalém pelo conjunto da sua obra.

Nos últimos dois anos foi distinguido com a Grande Ordem de Santiago de Espada (2005) e o Prémio José Danoso (2006), atribuído pela Universidade Chilena de Talca.
Prémio Pessoa prefere ficção

O júri deste ano reuniu-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e foi constituído por Francisco Noa (Moçambique), João Melo (Angola), Fernando J.B. Martinho (Portugal), Maria de Fátima Marinho (Portugal), Letícia Malard (Brasil) e Domício Proença Filho (Brasil).
Instituído em 1988, o galardão distinguiu, desde a sua primeira edição, oito autores portugueses, sete brasileiros, dois angolanos e um moçambicano.

Onze dos premiados são ficcionistas: Vergílio Ferreira, vencedor em 1992; Rachel de Queiroz (1993); Jorge Amado (1994); José Saramago (1995); Pepetela (1997); Autran Dourado (2000); Maria Velho da Costa (2002); Rubem Fonseca (2003); Agustina Bessa-Luís (2004); Lygia Fagundes Telles (2005); e José Luandino Vieira (2006). Cinco são brasileiros, quatro portugueses e dois angolanos.

Miguel Torga, o primeiro autor consagrado com o galardão, poderia integrar o lote de prosadores — tem uma importante obra ficcional e diarística —, mas é provavelmente como poeta que mais tem sido reconhecido e estudado.

Entre os poetas, além de Torga (1989), a lista inclui João Cabral de Mello Neto (1990), José Craveirinha (1991), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999) e Eugénio de Andrade (2001). Os portugueses são em maior número: três. Mello Neto é brasileiro e Craveirinha moçambicano.

O ensaio está em clara desvantagem no confronto com as restantes disciplinas. Em 18 anos, apenas dois ensaístas o receberam: o português Eduardo Lourenço, em 1996, e o brasileiro António Cândido, em 1998. Incluído no lote de ficcionistas — por ter sido a ficção o núcleo central da sua obra de escritor —, Vergílio Ferreira não estaria deslocado entre os ensaístas. É autor de significativos títulos nesta área.
Em 18 anos, apenas uma vez o prémio foi recusado. No ano passado, Luandino Vieira, invocou para tal "razões de consciência".

in “Público” 14MAR07

quarta-feira, 14 de março de 2007

Marxismo

Karl Heinrich Marx nasceu em Tréveris, a sul da Prússia, a 5 de Maio de 1818. Faleceu em Londres, a 14 de Março de 1883. Este intelectual alemão é considerado um dos fundadores da Sociologia. A sua influência estende-se a outras áreas tais como: Filosofia, Economia, História já que o conhecimento humano, na sua época, não estava fragmentado em diversas especialidades da forma como se encontra hoje. O Marxismo é o conjunto de ideias filosóficas, económicas, políticas e sociais elaboradas primariamente por Karl Marx e Friedrich Engels e desenvolvidas mais tarde por outros seguidores. Interpreta a vida social conforme a dinâmica da luta de classes e prevê a transformação das sociedades de acordo com as leis do desenvolvimento histórico de seu sistema produtivo. Marx teve, ainda, participação como intelectual e como revolucionário no movimento operário.


(José Amaral)

Teoria da Relatividade

Albert Einstein nasceu em Ulm, a 14 de Março de 1879. Faleceu em Princeton, a 18 de Abril de 1955. Foi Einstein, físico, que propôs a Teoria da Relatividade. A Teoria da Relatividade foi criada por Einstein em duas etapas: em 1905 ele publicou um trabalho que mais tarde ficou conhecido pelo nome de Teoria da Relatividade Especial, que trata do movimento uniforme; e em 1915, publicou a Teoria da Relatividade Geral, que trata do movimento acelerado e da gravitação.
As reflexões de Einstein, que mais tarde o levaram à criação da Teoria da Relatividade, começaram quando ele tinha 16 anos.
Einstein ganhou o Prémio Nobel da Física de 1921 pela correcta explicação do Efeito Fotoeléctrico, no entanto, o prémio
só foi anunciado em 1922. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atómica, apesar de ter sido contra seu desenvolvimento como arma de destruição em massa.
Nos seus últimos anos, a sua fama excedeu a de qualquer outro cientista na história, e na cultura popular, Einstein tornou-se um sinónimo de alguém com uma grande inteligência e um grande génio.
Foi um dos maiores génios da Física, tendo o
seu QI estimado em cerca de 240.


(José Amaral)

domingo, 11 de março de 2007

Diário de Anne Frank

Terça-feira, 11 de Abril de 1944


Querida Kitty:


Sinto como que marteladas na cabeça! Nem sei por onde começar. Sexta-feira (Sexta-feira Santa) à tarde, e no sábado também, fizemos vários jogos. Esses dias passaram-se sem novidade e bastante depressa. No domingo pedi ao Peter que viesse aqui e mais tarde subimos e ficámos lá em cima até às seis horas. Das seis e quinze até às sete horas ouvimos um belo concerto de música de Mozart; do que mais gostei foi da «K'eine Nachtmusik». Não consigo escutar bem quando há muita gente à minha volta, porque a boa música comove-me profundamente.

(…) As nove e meia o Peter bateu à porta e pediu ao pai que subisse para lhe ensinar uma frase inglesa muito complicada.

- Aqui há gato - disse eu à Margot. - Ele não está a dizer a verdade.

E tinha razão. Havia ladrões no armazém. Com rapidez, o pai, o Peter, o sr. van Daan e o Dussel desceram. A mãe, a Margot, a srª van Daan e eu ficamos à espera. Quatro mulheres cheias de medo não podem fazer outra coisa senão porem-se a falar. Assim fizemos. De repente, ouvimos, lá em baixo, uma pancada forte. Depois, silêncio. O relógio deu dez menos um quarto. Estávamos lívidas, muito quietas e cheias de medo. Que foi feito dos homens? O que é que significava aquela pancada? Haverá luta entre eles e os ladrões? Dez horas. Passos na escada. Entra primeiro o pai, pálido e nervoso, depois o sr. van Daan.

- Fechem a luz. Subam sem fazer barulho. Deve vir a polícia.

Agora não havia tempo para medos. Fechámos a luz. Ainda peguei no meu casaquinho e subimos.


(excerto do “Diário de Anne Frank”)

Anne Frank

Anne Frank (de nome completo Anneliese marie Frank) nasceu em Frankfurt (Alemanha) em 12 de Junho de 1929. Faleceu em Bergen-Belsen no início de Março de 1945, após ter contraído tifo, com quinze anos. A irmã de Anne, Margot, tinha também falecido dias antes de tifo e de subnutrição. Anne era Judia e foi obrigada a viver escondida dos nazistas durante o Holocausto. Ela e a sua família, juntamente com mais quatro pessoas, viveram 25 meses, durante a Segunda Guerra Mundial, num anexo de quartos por cima do escritório do pai dela, em Amsterdão, nos Países Baixos, denominado Anexo Secreto.

Enquanto vivia no Anexo Secreto, Anne escrevia no seu diário (que ganhou de presente de aniversário), que ela baptizou de Kitty. No seu Diário Anne escrevia o que sentia, pensava e o que fazia.

Ao fim de longos meses de silêncio e medo aterrorizante, acabou por ser denunciada aos nazistas e deportada para os campos de concentração nazistas. Anne Frank foi deportada inicialmente para Auschwitz, juntamente com os pais, a irmã e as outras pessoas com quem se refugiava na casa de Amsterdão (hoje casa-museu). Depois levaram-na para Bergen-Belsen, juntamente com a irmã, separando-a dos pais.

O seu diário, guardado durante a guerra por Miep Gies, foi publicado pela primeira vez em 1947. O diário está actualmente traduzido em 67 línguas e é um dos livros mais lidos do mundo.

Para saber mais sobre a vida de Anne Frank pode consultar:

http://www.starnews2001.com.br/anne-frank/anne-frank.html

http://www.annefrank.com/

http://www.annefrank.org/content.asp?pid=1&lid=2

(José Amaral)

quarta-feira, 7 de março de 2007

MULHER...


Hoje, 8 de Março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. É assim todos os anos. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos alcançados pela mulher. A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na viragem do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão económica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

A mulher sempre foi fundamental na sociedade. É ela que transporta em seu seio novos seres e que os dá à luz. Ela é fonte inspiradora de pintores, poetas, cantores…Assim foi com Tom Jobim e Vinicius de Morais se inspiraram para criar uma das canções mais traulitadas em todo o mundo. A versão definitiva (pois nem Vinicius nem Tom gostaram da letra da canção) foi feita mais tarde por Vinicius, inspirado numa moça – Helô Pinheiro – que passava frequentemente em frente ao Bar Veloso (que hoje se chama Garota de Ipanema).


“Garota de Ipanema”

(Composição: Tom Jobim e Vinícius de Morais)


Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça,
É ela a menina, que vem e que passa,
Num doce balanço, a caminho do mar.
Moça do corpo dourado do sol de Ipanema,
O seu balançado é mais que um poema,
É a coisa mais linda que já vi passar.

Ah, Por que estou tão sozinho.
Ah, Por que tudo é tão triste?
Ah, A beleza que existe,
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha.

Ah, Se ela soubesse

Que, quando ela passa,
O mundo sorrindo se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor.


Ah, Por que estou tão sozinho.
Ah, Por que tudo é tão triste?
Ah, A beleza que existe,
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha.

Ah, Se ela soubesse

Que, quando ela passa,
O mundo sorrindo se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor.

Por causa do amor, por causa do amor…


(José Amaral)

terça-feira, 6 de março de 2007

incultos


A biblioteca da escola

deve sofrer de solidão!?

Está sempre vazia,

devota à ignorância

a que o Povo Português

se foi habituando.

Os livros poentos

e novos em folha

(reveladores

da pouca curiosidade)

não ajudando o mostrar

esta manquidão cultural

que grassa no país.


(in "Oráculo Luminar", José Amaral)

Semana da Leitura anima Escolas


A Semana da Leitura arrancou ontem, com dezenas de escolas da região a dinamizarem iniciativas lúdicas e de carácter pedagógico que envolvem a comunidade escolar. Incentivar o prazer de ler nos mais jovens e promover o encontro das obras com os seus leitores são alguns dos objectivos deste projecto desenvolvido pela Comissão do Plano Nacional de Leitura.
Os debates, os espectáculos, as dramatizações e os momentos de poesia são algumas das actividades realizadas pelas instituições e bibliotecas escolares.
A Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Infante D. Henrique, em Viseu, foi uma das que viveu um clima de "festa" durante o dia de ontem. Pais, encarregados de educação e familiares foram convidados a passar pelo estabelecimento de ensino, de modo a participarem nas iniciativas desenvolvidas pelos educandos.
"A adesão foi muito positiva", adiantou a coordenadora da Biblioteca, Ana Sousa, acrescentando que os visitantes receberam uma flor e um marcador de livros, com uma frase temática.
"O projecto da Semana da Leitura é uma continuação das iniciativas desenvolvidas ao longo do ano e visa fomentar este hábito enquanto actividade lúdica e de desenvolvimento de conhecimentos", explicou a bibliotecária, sem deixar de acrescentar que a acção se reveste de grande importância tendo em conta o problema da iliteracia em Portugal.

(excerto in “Diário Regional de Viseu” 06Mar07)


A Escola EB2,3 Padre João Rodrigues (Sede do Agrupamento Vertical de Escolas de Sernancelhe), também, está envolvida nesta actividade. Não penso que seja a solução para a falta de gosto pela leitura, mas sempre é uma ajuda.
A Biblioteca da escola vai, ao longo da semana, desenvolver várias actividades. Nas semanas antecedentes os alunos (2º, 3º Ciclo e dos Cursos EFA – Educação e Formação de Adultos) fizeram cartazes alusivos, ilustraram textos (contos, poemas, anedotas…) e fizeram marcadores para livros. Os responsáveis pela biblioteca elaboraram um conjunto de actividades das quais se destaca: afixação na Biblioteca da Escola da lista de livros mais requisitados e leitores mais assíduos; ao longo da semana serão lidas Histórias, Contos, Poemas... nas aulas de Estudo Acompanhado e Língua Portuguesa, por forma a despertar o gosto pela leitura e também pela escrita e pela ilustração; presença de vários escritores (escritor/ilustrador Fernando Santos, escritor Carlos Paixão e o ilustrador Carlos Pais e o escritor José Amaral), leitura de contos adequados a diferentes níveis de ensino, pequena dramatização sobre a Guerra e a Paz (pelos alunos da Oficina de Teatro)…
Como dizia Mário Quintana: «Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem». Espero que os alunos adquiram gosto pela leitura, porque “Ler é um redobrado Prazer”.


(José Amaral)

sexta-feira, 2 de março de 2007

Mais um prémio para VGM

ofélia

é no vaivém da lua que naufraga

uma rosa nocturna assim perdendo

o lume e o perfume em que se apaga

o despegar das pétalas na vaga

vagarosa em que voga estremecendo,

com as grinaldas frouxas que inda traga,

ofélia entre nenúfares descendo,

vestida de palavras e morrendo.

(“Poemas com pessoas”, in “Poesia 1997/2000” de Vasco graça Moura*)


[* Vasco Graça Moura vencedor do prémio Vergílio Ferreira 2007. “Este prémio é muito importante, quer pelo prestígio da instituição que o criou, quer pelo nome de Vergílio Ferreira, representando um momento importante para mim”, disse Vasco Graça Moura.]


(José Amaral)

quinta-feira, 1 de março de 2007

"Manhã Submersa"


Vergílio Ferreira nasceu a 28 de Janeiro de 1916, em Melo – Concelho de Gouveia – e faleceu em 1996. Este escritor português, professor de formação, publicou inúmeras obras das quais se destacam: “Manhã Submersa”,Aparição” e “Mudança” (esta é a obra que marca a transição entre dois períodos literários: Neo-Realismo e Existencialismo). A sua vasta obra, muito influenciada pelo local onde nasceu com vista sobre a Serra da Estrela, geralmente está dividida em ficção (romance, conto), ensaio e diário.

O seu nome continua actualmente associado à literatura através da atribuição do Prémio Vergílio Ferreira. Em 1992, foi galardoado com o Prémio Camões.

Para saber mais vale a pena consultar este sítio:

http://www.rotadosescritores.org/

escritor_4.shtml


(José Amaral)

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Já pensou nisto...

Hoje, ao ler o "Jornal de Notícias" (25FEV07) dei, na Página do Leitor com uma carta assinada por Maria Domingues e com o sugestivo tìtulo: «Professores não podem adoecer». Antes de mais, devo tirar o chapéu a esta senhora pela lucidez com que escreve a carta.
Noutros post's meus, aqui no AD LITTERAM, discordei de vários pontos do novo Estatuto da Carreira Docente. Este é mais um dos exemplos em que estou em total desacordo. Veja-se o ridículo da
questão tão bem retratado nesta missiva que passo a transcrever na íntegra:
"Os professores, para acederem à categoria mais elevada da carreira, não podem ter faltas.
Assim, não podem ter doenças, não podem ter filhos, não podem dar assistência a familiares doentes, não podem ir a tribunal prestar qualquer depoimento, não podem participar em funerais de familiares ou amigos queridos... Por isso, filha, venho pedir-te perdão se não conseguir morrer em período de férias, porque, a juntar à dor de me teres perdido, o teu patrão dar-te-á o castigo que mereces, se resolveres acompanhar-me à última morada. Resta-me ainda uma outra hipótese, para não contribuir para a tua desgraça: é morrer numa sexta-feira, à noite, para teres tempo de me enterrar e ires trabalhar na segunda-feira».
Mais palavras para quê...

(José Amaral)

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Poeta 2

DE TARDE


Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampamos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois selos como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


Cesário Verde


(José Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa a 25 de Fevereiro de 1855. Foi um poeta português. A sua poesia delicada emprega técnicas impressionistas, com extrema sensibilidade ao retratar a Cidade e o Campo, seus cenários predilectos. Evitou o lirismo tradicional, expressando da forma mais natural possível. Faleceu de tuberculose a 19 de Julho de 1886, no Lumiar).



(José Amaral)

Poeta 1

Primavera

 
Todo o amor que nos
prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia
 
E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi
 
Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver
 
Todo o amor que nos
prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia
 
  David Mourão-Ferreira

(David Mourão-Ferreira nasceu a 24 de Fevereiro de 1927.Licenciou-se em Filologia Românica em 1951 pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, mais tarde, foi professor. Escritor e poeta faleceu a 16 de Junho de 1996).


(José Amaral)



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Moçambique


MoçambiquE

***

Moçambique:

ver-te era

querer-te,

sonhar-te era ter-te.


Bela,

selvagem,

formosa,

nativa,

escrava,

colonizada,

bélica,

revoltada,

libertada,

e... destruída.


De teu solo

nasciam corpos mutilados,

crianças órfãs,

velhos cadavéricos;

nascia também a destruição,

o fratricídio,

a esperança poenta.

Ias esculpindo

- a golpes de bazuca,

de metralhadora,

de granadas,

de minas –

a tua pobreza terceiro-mundista.


Ficaras rica de nada.

Sonhavas com um futuro

de coisas que nunca tiveras:

Paz

Amor

Liberdade.


Encontraste-te!!!


Renasceste, qual fénix,

das avermelhadas cinzas.

Ias esculpindo

- em passadas de elefante (pesadas)

que desejavas de chita (velozes) –

o teu futuro que previas risonho.


Aquele último ano do século

no último mês bissexto,

foi, qual colono, destruidor

para ti.

Levou-te tudo.

As monções, transformadas em cheias,

destruíram tudo, inundando,

como antes o fora com lágrimas,

o País.

As pessoas e os animais

procuravam salvação

a todo o custo.

Por todo o lado

se via destruição e miséria.


Uma vez mais

a vontade dos outros

- neste caso das forças da Natura -

se sobrepôs à tua vontade.

Não te deixes vencer!

Anima-te, renasce, revolta-te!


«Deus escreve direito

por linhas tortas».


*** Escrito em finais de Fevereiro 2000,

aquando de umas assoladoras cheias.


(in “Poder da Díctamo”, José Amaral)

Em 2000 as cheias assolaram este País (onde eu nasci) deixando um rasto de destruição e atrasando o desenvolvimento deste país-mártir. Volvidos sete anos – será o ciclo dos sete anos? – a Natureza causa novos estragos em Moçambique. Que a protecção divina não permita que as forças da natura causem estragos irreparáveis nesta Fénix que procura erguer-se nas cinzas da destruição.

José Amaral

Notícia

O meu livro "Outonalidades" volta a ser notícia. Desta feita foi no Jornal Oficial da "Livraria ABC" ( http://www.livrariaabc.com/ ) de Santa Maria da Feira. Aparece na secção dos destaques o que me deixa muito contente. Ao Artur Dias um abraço de gratidão por esta prova de amizade.

José Amaral

Senha da Revolução

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade


(Letra e música de Zeca Afonso

in “Cantigas de Maio”, 1971)

Zeca Afonso



A 23 de Fevereiro de 1987, morria o músico e cantor José Afonso, 57 anos, autor de «Grândola, Vila Morena», senha da revolução de 25 de Abril de 1974, na base da queda da ditadura.
José Afonso nasceu em Aveiro, a 02 de Agosto de 1929. Filho de um magistrado, cresceu entre Angola, Moçambique, Belmonte e Coimbra. Aqui frequentou o Liceu D. João III e a Faculdade de Letras, e aqui iniciou-se também na balada, com o mestre da guitarra Flávio Rodrigues.

Em 1953, gravou os primeiros discos: «Fado das Águias» e «Outras Canções». Em 1960, editou «Balada de Outono». Era então professor do ensino secundário, tendo leccionado em colégios particulares, por todo o país.

O ensino levou-o de volta a África, em 1964, experiência fundamental para a sua formação política. Ainda em Moçambique compôs para a peça «A Excepção e a Regra», de Bertold Brecht.

De regresso a Portugal, em 1967, editou o primeiro LP, «Baladas e Canções», ao qual se seguiram «Cantares do Andarilho», «Contos Velhos Rumos Novos» e «Traz outro Amigo Também».

Em 1971, a colaboração com José Mário Branco deu origem a «Cantigas do Maio», álbum onde se encontra a canção «Grândola Vila Morena», e que tem integrado as listas dos melhores discos de sempre da música portuguesa, à semelhança de «Venham mais Cinco», de 1973.

Depois do 25 de Abril, surgem «Coro dos Tribunais» e «Com As Minhas Tamanquinhas». «Enquanto Há Força», de 1977, «Fura Fura», de 1979, e «Baladas de Coimbra e Outras Canções», de 1981, são os álbuns seguintes.

Em 1983, foi-lhe diagnosticada a esclerose múltipla, de que viria a falecer.

Nesse ano, José Afonso realizou os últimos espectáculos ao vivo, nos Coliseus de Lisboa e Porto, sendo então editados «José Afonso Ao Vivo no Coliseu» e «Como Se Fora Seu Filho».

Em 1984, Pete Seeger, Chico Buarque, Sílvio Rodriguez, Isabel Parra e Amparo Ochoa, entre outros, homenagearam-no no Concerto pela Paz, em Manágua.

Em 1985, foi publicado o derradeiro disco, o LP «Galinhas do Mato», no qual já só participou apenas em duas canções, ao lado de Janita Salomé, Helena Vieira, Né Ladeiras e José Mário Branco.

José Afonso morreu em Setúbal, na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.

Nesta data, em 1685, nascia o compositor alemão Georg Friedrich Handel, enquanto em 1869, os escravos eram declarados libertos, em todo o território português.

A abolição da escravatura tornou-se efectiva em 1876.

Em 1945, na II Guerra Mundial, as forças dos EUA conquistavam a ilha de Iwojima, no Pacífico, e em 1961, o Conselho de Segurança da ONU emitia a primeira resolução condenatória da política colonialista do ditador português Oliveira Salazar.

A resolução surgia na sequência da repressão violenta dos trabalhadores angolanos pelas forças portuguesas, que causara cerca de 10 mil mortos, nos arredores de Luanda, entre finais de Janeiro e inícios de Fevereiro.

A brutalidade da intervenção intensificou então a luta armada pela independência de Angola com o ataque à Casa de Reclusão Militar, ao quartel da PSP e à delegação da Emissora Nacional em Luanda, pelo MPLA, a 04 de Fevereiro.

Pela mesma altura, a UPA lançava o ataque a fazendeiros brancos, no norte do território.

Em 1970, reunia-se, pela primeira vez, em Estrasburgo, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, enquanto, em 1981, ocorria uma tentativa de golpe de estado, em Espanha, durante a eleição do primeiro-ministro, no Parlamento, quando 150 guardas civis, comandados pelo tenente-coronel Tejero Molina, assaltaram o plenário, em Madrid.

Em 1989, morria a escritora portuguesa Luísa Neto Jorge, 50 anos.

Em 1992, António Guterres era eleito secretário-geral do Partido Socialista.

Em 2002, era jubilado o professor catedrático Nuno Grande, 70 anos, pioneiro nos ensaios do transplante pulmonar. No mesmo dia, verificava-se o rapto da deputada e candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betencourt, pelas FARC, continuando desde então sob sequestro.


in Diário Digital / Lusa (edição online) 23FEV07

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

A Quaresma começa com a Quarta-feira de Cinzas



O período da Quaresma é um tempo oportuno para reflectirmos e vivermos o essencial da fé cristã.
Depois da folia vivida com o Carnaval entramos num período de recolhimentos e de penitência. Inicia-se na Quarta-feira de Cinzas com a exortação a que tomemos consciência da nossa condição de fragilidade: somos pó, voltaremos ao pó a qualquer momento (“Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”). A Quaresma lembra-nos e convida-nos também a viver a nossa vocação transcendente de participar no Mistério Pascal de Jesus Cristo, vencendo o pecado e vivendo à imagem do Senhor Ressuscitado. O que só é possível através da penitência. Por isso é que a Quaresma, período de 40 dias antes da Páscoa, é um tempo de Jejum e Abstinência (mais associada à não ingestão de carne, sobretudo à Sexta-feira). Estes quarenta dias têm paralelismo com outros quarenta dias: 40 anos que o povo de Israel passou no deserto, 40 dias do dilúvio, 40 dias de oração de Jesus no deserto…
A Quaresma, tendo como fundo o Mistério Pascal de Cristo, apresenta-se portanto, como um percurso baptismal, que se traduz num percurso penitencial. Exorta-nos, ainda, constantemente à caridade.

(José Amaral)

Mais um...


Pela obra "Uma Carta no Inverno"
Vasco Graça Moura distinguido com prémio de poesia Max Jacob

O poeta e tradutor Vasco Graça Moura foi distinguido com o prémio francês de poesia Max Jacob pela obra "Uma Carta no Inverno", de 1997, anunciou hoje a editora La Différence.
O livro, que acaba de ser lançado em francês por aquela editora, com tradução de Joaquim Vital, mereceu a Vasco Graça Moura uma distinção na área da literatura estrangeira.
A editora parisiense, que conta no seu catálogo com vários autores portugueses, já tinha atribuído este mesmo prémio a Sophia de Mello Breyner Andresen, em 2001.
O prémio Max Jacob será entregue a Vasco Graça Moura a 8 de Março, em Paris.
Este é o segundo prémio que Vasco Graça Moura recebe no espaço de duas semanas, depois de, no dia 7, ter sido galardoado pela Universidade de Évora com o Prémio Virgílio Ferreira 2007.
Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Vasco Graça Moura publicou a primeira obra, "Modo Mudando", em 1963, ao qual se seguiram várias obras de poesia, ensaio e ficção.
A faceta de tradutor valeu-lhe em 1995 o Prémio Pessoa pela tradução de "Vita Nuova" e "Divina Comédia".


in “Público” (edição online) 20FEV07