quarta-feira, 11 de outubro de 2006

CATS

No passado fim-de-semana tive a felicidade de assistir, no Coliseu de Lisboa, ao musical “Cats” de Andrew Lloyd Webber. Este musical é baseado na obra de TS Eliot “OLd Possum’s Book of Practical Cats” e apresenta-se em Lisboa depois de ter estado, também, no Porto.

“Cats" foi o musical que mais tempo esteve em cartaz no New London Theatre: 21 anos e sempre esgotado. A proeza repetiu-se quando subiu ao palco da Broadway, em Nova Iorque. Entretanto, soltou amarras e partiu em digressão. Em todos os países por onde passou foi um sucesso. Portugal não é excepção e não fugiu, por isso, à regra. Entre os muitos prémios que já lhe foram atribuídos, contam-se sete Tony Awards e um Grammy.

Neste musical conta-se/canta-se a história da Gata Grizabella e do seu regresso à família que abandonou pela descoberta de outros “mundos”. Pleno de mistério e romantismo “Cats” conta uma história simples à qual ninguém fica indiferente! Em palco 29 “gatos” mostram-se humanos, vivendo rituais e partilhando segredos, como os nomes mágicos com que se tratam entre si.

Qual o motivo de tão grande sucesso? Um excelente elenco em que cada intérprete dá um cunho pessoal à personagem, a inesquecível música que acompanha a história ("Memory", por exemplo, já foi gravada por mais de 170 artistas), um argumento apelativo para qualquer idade e um deslumbrante conjunto de guarda-roupa, encenação e coreografia.

Muitos são os que também gostariam de assistir a este espectáculo, mas infelizmente em Portugal a política da Cultura está centrada em Lisboa e ramificada no Porto e pouco mais. É hora de as empresas de espectáculos – e porque não o próprio Ministério da Cultura – começarem a levar a cultura a todo o país, promovendo espectáculos como este pelo menos nas capitais de distrito.

José Amaral

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Parabéns Manuela


“O Canto das Fragas”

Foi apresentado no passado dia 7 de Outubro de 2006, na livraria Pretexto em Viseu, o livro " O Canto das Fragas " de Manuela de Azevedo.

O evento decorreu no auditório da livraria Pretexto que, segundo informações de José Santolaya e de Raul Traveira, foi pequeno para acolher todos os que com a autora quiseram partilhar o momento.

A obra apresenta prefácio do eminente poeta albicastrense António Salvado e posfácio de Raul Traveira. A apresentação esteve a cargo do escritor e músico Eduardo Aroso. Depois seguiu-se um breve recital poético pela declamadora moçambicana Elsa de Noronha. A sessão encerrou com um apontamento musical pelo grupo “Quatro Elementos” (lied coimbrão).

José Amaral

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Dia Mundial do Professor

Celebra-se hoje, 5 de Outubro, o Dia Mundial do Professor. Escrevo aqui, no ad litteram, sob a dupla condição de professor e de cidadão. Sobre a primeira acho não dever alongar-me muito, apenas dizer que, por mais mal que se fale dos professores, me orgulho muito em sê-lo.

Hoje muito se fala dos professores, mas por tantos outros motivos que não o essencial. Isso são outras lutas que não quero trazer para aqui. Apenas um lamento: Não ouvi hoje ninguém com responsabilidades dar uma palavra de apreço aos professores. A data passou um pouco despercebida (embora sirva de atenuante a coincidência de esta data coincidir com o Dia da Implantação da República).

Como cidadão posso congratular-me pelos “mestres” que tive ao longo da vida. Muitos foram os professores que passaram pela minha vida e que muito me ensinaram. Posso dizer que, exceptuando dois ou três professores (e já na Faculdade), tive bons professores. Tive professores, e foram alguns, que me marcaram muito pela positiva. Ensinaram-me não só o bê-á-bá, mas ensinaram-me igualmente a ser um homem responsável e culto. Foram também, enquanto professor que sou, um exemplo para a profissão que abracei, assim como continuam a ser muitos colegas meus enquanto bons profissionais que o são.

Neste dia quero prestar uma singela homenagem através de um poema que publiquei no livro “Oráculo Luminar”:

professor

Entra na sala

de pasta na mão

ou a tiracolo.

Na outra mão

o livro de ponto.

É o primeiro dia de aulas,

mas este ritual

repetir-se-á ao longo

do ano.

Os alunos

chegam a horas

nesse dia,

ritual que para alguns

jamais se repetirá

ao longo do ano.

Dão-se ao conhecimento.

Da turma dizem-se

“cobras e lagartos”;

realidade ou ficção?

o tempo o dirá!

(…)

Passam os dias!

O ano aproxima-se

a passos largos do fim.

Sai da sala

de pasta na mão

ou a tiracolo.

Na outra mão

o livro de ponto.

É o último dia de aulas,

mas este ritual

repetir-se-á ao longo

dos anos.

José Amaral

terça-feira, 3 de outubro de 2006

O pai de "A Portuguesa"


Keil, Alfredo (1850-1907)

Alfredo Keil (Lisboa, 3 de Julho de 1850 — Hamburgo, 4 de Outubro de 1907) foi um compositor de música, pintor, poeta, arqueólogo e coleccionador de arte português.

Era filho de João Cristiano Keil e de Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã e radicados em Portugal.

Em 1890, o ultimato inglês a Portugal ofereceu a Alfredo Keil a inspiração para a composição do canto patriótico "A Portuguesa", com versos de Henrique Lopes de Mendonça. A cantiga tornou-se popular em todo o país e seria mais tarde feita Hino Nacional de Portugal – A Portuguesa.

Alfredo Keil foi galardoado com vários prémios, de entre os quais o mais importante foi a medalha de ouro recebida em 1879 na Exposição Artística do Rio de Janeiro.

O Hino é composto por três partes, cada uma delas com duas quadras (estrofes de quatro versos), seguidas do refrão, uma quintilha (estrofe de cinco versos). É de salientar que, das três partes do Hino, apenas a primeira parte é usada em cerimónias oficiais, sendo as outras duas partes praticamente desconhecidas.

A Portuguesa é executada oficialmente em cerimónias nacionais, civis e militares, onde é prestada homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Do mesmo modo, em cerimónias oficiais no território português por recepção de chefes de Estado estrangeiros, a sua execução é obrigatória depois de ouvido o hino do país representado.

A Portuguesa foi designada como um dos símbolos nacionais de Portugal na constituição de 1976, constando no § 2° do Artigo 11° (Símbolos nacionais e língua oficial) da Constituição da República Portuguesa:

A Portuguesa

Data: 1890 (com alterações de 1957)

Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil

I

Heróis do mar, nobre povo,

Nação valente e imortal

Levantai hoje de novo

O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,

Ó Pátria, sente-se a voz

Dos teus egrégios avós

Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!

II

Desfralda a invicta Bandeira,

À luz viva do teu céu!

Brade a Europa à terra inteira:

Portugal não pereceu

Beija o teu solo jucundo

O oceano, a rugir de amor,

E o teu Braço vencedor

Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!

III

Saudai o Sol que desponta

Sobre um ridente porvir;

Seja o eco de uma afronta

O sinal de ressurgir.

Raios dessa aurora forte

São como beijos de mãe,

Que nos guardam, nos sustêm,

Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!

Texto adaptado de Wikipédia

segunda-feira, 2 de outubro de 2006


SolidãO

Para ti, a solidão é um bem essencial,

qual ar que respiras…

qual água que bebes…

qual sol que te aquece…

Assim, pensas tu.

Tenho compaixão de ti.

Vou “confidenciar-te” um desabafo:

- “És um ente acabado para o mundo”.

A tua carapaça,

que tu pensas inquebrável,

não passa de uma casca de noz.

Ah! Se eu quisesse…

partia-ta com um murro,

mas para quê tanta violência,

quando o mundo está pejado dela,

se tu não te queres ver livre

dessa maldita armadura.

Vai, enfrenta moinhos de vento.

Anda meu herói de Cervantes.

Vai, vai, vai,

mas não voltes.

Metes-me nojo.

in Poder da Díctamo, José Amaral

domingo, 1 de outubro de 2006

Não à violência


Gandhi, Mahatma (1869-1948)

Mohandas Karamchand Gandhi mais conhecido popularmente por Mahatma Gandhi – Mahatma, do sânscrito "grande alma" – (2 de Outubro de 1869 - Nova Deli, 30 de Janeiro de 1948) foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano e um influente defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.
Gandhi ajudou a libertar a Índia do governo britânico, inspirando outros povos coloniais a trabalhar pelas suas próprias independências e em última análise para o desmantelamento do Império Britânico e sua substituição pela Comunidade Britânica (Commonwealth). O princípio do satyagraha, frequentemente traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade", também inspirou gerações de activistas democráticos e anti-racistas, incluindo Martin Luther King e Nelson Mandela. Frequen
temente Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores, derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).
A Filosofia de Gandhi e suas ideias sobre o satya e o ahimsa foram influenciadas pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e da religião jainista. O conceito de 'não-violência' (ahimsa) permaneceu por muito tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em diversas passagens dos textos hindus, budistas e jainistas. Gandhi nunca recebeu o Prémio Nobel da Paz, apesar de ter sido indicado cinco vezes entre 1937 e 1948. Décadas depois, no entanto, o erro foi reconhecido pelo comité organizador do Nobel. Quando o Dalai Lama Tenzin Gyatso recebeu o prémio em 1989, o presidente do comité disse que o prémio era "em parte um tributo à memória de Mahatma Gandhi".
Estritamente vegetariano, escreveu livros sobre o vegetarianismo enquanto estudava
direito em Londres. Gandhi experimentou diversos tipos de alimentação e concluiu que uma dieta deve ser suficiente apenas para satisfazer as necessidades do corpo humano. Jejuava muito, e usava o jejum frequentemente como estratégia política.
Gandhi renunciou ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática, largamente associada ao celibato. Também passava um dia da semana em silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, lhe trazia paz interior. A mudez tinha origens nas crenças do mouna e do shanti. Nesses dias ele se comunicava com os outros apenas escrevendo.
Depois de retornar à Índia de sua bem-sucedida carreira de advogado na África do Sul, ele deixou de usar as roupas que representavam riqueza e sucesso. Passou a usar um tipo de roupa que costumava ser usada pelos mais pobres entre os indianos. Promovia o uso de roupas feitas em casas (khadi). Gandhi e seus seguidores fabricavam artesanalmente os tecidos da própria roupa e usavam esses tecidos em suas vestes; também incentivava os outros a fazer isso, o que representava uma ameaça ao negócio britânico – apesar dos india
nos estarem desempregados, em grande parte pela decadência da indústria têxtil, eles eram forçados a comprar roupas feitas em indústrias inglesas. Se os indianos fizessem suas próprias roupas, isso arruinaria a indústria têxtil britânica, ao invés. O tear manual, símbolo desse acto de afirmação, viria a ser incorporado à bandeira do Congresso Nacional Indiano e à própria bandeira indiana.
Também era contra o sistema convencional de educação em escolas, preferindo acreditar que as crianças aprenderiam mais com seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, Gandhi e outros homens mais velhos formaram um grupo de professores que leccionava directamente e livremente às crianças.

Aqui ficam algumas das citações de Gandhi para percebermos melhor a sua Filosofia:
"A não-violência é a qualidade mais fina da alma, mas ela desenvolve-se por meio da prática."
"A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer actualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade?"
"A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar."
"Sempre houve o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; nunca haverá o suficiente para a cobiça humana."
"As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objectivo?"
"As enfermidades são os resultados não só dos nossos actos como também dos nossos pensamentos."
"O amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha."
"A única maneira de castigar quem se ama é sofrer em seu lugar."
"Três quartos das misérias e mal-entendidos do mundo desaparecerão se nos colocarmos no lugar de nossos adversários e entendermos o ponto de vista deles."
"Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida."
"Se um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões."
"A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível."
"A não-violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os bravos."
"Os sete pecados capitais responsáveis pelas injustiças sociais são: riqueza sem trabalho; prazeres sem escrúpulos; conhecimento sem sabedoria; comércio sem moral; política sem idealismo; religião sem sacrifício e ciência sem humanismo."
"De olho por olho e dente por dente o mundo acabará cego e sem dentes."
"Divergência de opinião jamais deve ser motivo para hostilidade."

Texto elaborado com informação da Wikipédia

Prémio Pablo Neruda

Escritora chilena escolhida por unanimidade
Malú Urriola ganha prémio Pablo Neruda de Poesia 2006

Malú Urriola foi hoje galardoada com o prémio de poesia Pablo Neruda, anualmente entregue pela fundação com o nome do Prémio Nobel da Literatura 1971 a um poeta chileno com menos de 40 anos.
Urriola, nascida em Santiago em 1967, foi eleita vencedora por unanimidade do júri presidido por Jorge del Rio Pérez e composto por representantes da Academia Chilena da Língua e da Sociedade de Escritores do Chile, indicou a fundação Pablo Neruda em comunicado. O projecto poético de Malú Urriola "é original e criativo” e”revê com consistência o acto de escrever através da decomposição de um mundo onde a solidão é matéria viva e consegue representar essa interrogação tornada carne numa palavra derramada e contida ao mesmo tempo", sustentou o júri na fundamentação do prémio.
O galardão, no valor de 6000 dólares (4732 euros) e que consiste numa medalha e um diploma, será entregue à poetisa a 12 de Dezembro.
Malú Urriola publicou "Piedras Rodantes" (1988), "Dame tu Sucio Amor" (1994), "Hija de Perra" (1998) e "Nada" (2003).
Em 2002, recebeu a Bolsa do Fundo de Desenvolvimento das Artes e Cultura para realizar o projecto poético "Poesía es +: Lectura de poesía desde globos aerostáticos".
Em 2004, recebeu o Prémio Melhor Contribuição Televisiva, atribuído pelo Ministério da Mulher, pelo guião "Sofía, (Una historia de maltrato a la mujer)", realizado por Christine Lucas, no contexto da série "Cuentos de Mujeres", transmitida pela Televisão Nacional do Chile.
No mesmo ano foi também galardoada com o Prémio Municipal de Poesia e o Prémio Melhores Obras Editadas, entregue pelo Conselho Nacional do Livro, pela sua obra "Nada".
O Prémio Pablo Neruda é anualmente atribuído desde 1987 e já distinguiu autores como Gonzalo Millán, Raúl Zurita, Diego Maquieira, Clemente Riedemann, Carlos Trujillo, Teresa Calderón, Erick Pohlhammer, Alicia Salinas, Tomás Harris, José María Morales, Armando Roa, Jaime Huenún, Victor Hugo Díaz e Germán Carrasco.

in Jornal Público (edição online) 01OUT06


A 23 de Setembro, aniversário da morte de Pablo Neruda, publiquei no ad litteram um artigo sobre o poeta chileno. Hoje apraz-me ver esta notícia sobre um prémio com o nome do autor. Mas apraz-me sobretudo porque é um prémio de poesia que se destina a premiar um poeta (chileno) com menos de quarenta anos. É positivo e funciona como um reforço de incentivo para que escreve poesia.
Não conheço a poetisa premiada, mas pelo que a notícia revela parece ser inteiramente merecedora deste prémio, não só pela obra, mas também pelo que tem feito em prol da Poesia no seu país.

Parabéns

Uma de ouro, outra de prata e duas de bronze
Portugal conquista quatro medalhas nas Olimpíadas Ibero-americanas de Física

Portugal conquistou quatro medalhas, uma de ouro, outra de prata de duas de bronze, durante as Olimpíadas Ibero-americanas de Física, que se realizaram na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Em comunicado divulgado hoje, aquela instituição indica que João Caldeira, aluno da Escola Emídio Navarro, em Almada, terminou a competição na segunda posição (distinguida com uma segunda medalha de ouro), com uma classificação de 37.45 (numa escala de zero a 50), atrás do chileno Xavier Alcon, campeão absoluto com 40.20. Miguel Nogueira, da Escola Acácio Calazans Duarte, na Marinha Grande, conquistou uma medalha de prata, enquanto João Costa, da Escola Carlos Amarante, em Braga, e Filipe Direito, da secundária de Valpaços, alcançaram medalhas de bronze. O presidente da Comissão Organizadora das Olimpíadas, José António Paixão, constatou que esta "foi a melhor prestação global de sempre da equipa portuguesa", reconhecendo "o nível de exigência das provas".
Esta foi a 11ª edição das Olimpíadas Ibero-Americanas de Física, que contou com a presença de estudantes de 17 países membros daquela comunidade.


in Jornal Público (edição online) 01OUT06


Afinal os nossos alunos até nem são assim tão maus. Porque será? Talvez os professores também não o sejam, como muitas vezes é pretendido fazer ver-se. Se estes alunos alcançaram estes resultados, certamente que em muito se deve aos ensinamentos e à dedicação dos professores que tiveram, nesta e em outras áreas. Mas deve ser chique (a valer) dizer-se mal dos professores. Pois que assim seja…

sábado, 30 de setembro de 2006

Caminhada

Cancro da Mama
O Cancro da Mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. Um tumor maligno consiste num grupo de células alteradas (neoplásicas) que pode invadir os tecidos vizinhos e disseminar-se (metastizar) para outros órgãos do corpo. É mais frequente nas mulheres mas pode atingir também os homens.

O que é o Cancro da Mama?
O organismo humano é constituído por triliões de células que se reproduzem pelo processo de divisão celular. Em condições normais, este é um processo ordenado e controlado, responsável pela formação, crescimento e regeneração de tecidos saudáveis do corpo.
Algumas vezes, no entanto, as células perdem a capacidade de limitar e comandar o seu próprio crescimento passando, então, a dividir-se e multiplicar-se muito rapidamente e de maneira aleatória.
Como consequência dessa disfunção celular, isto é, desse processo de multiplicação e crescimento desordenado das células, ocorre um desequilíbrio na formação dos tecidos do corpo, no referido local, formando o que se conhece como tumor.
O cancro da mama, muitas vezes, apresenta-se como uma massa dura e irregular que, quando palpada, se diferencia do resto da mama, pela sua consistência.

Caminhada Rosa em Monsanto
No próximo dia 5 de Outubro, junte-se a nós, entre as 10h e as 13h, e venha caminhar na prevenção do cancro da mama. Aceite o nosso convite e venha passar connosco uma manhã descontraída e saudável, na Alameda Keil do Amaral (Autocarros 23 e 29). Pelas 12h00, no palco do Anfiteatro poderá, ainda, assistir a uma actuação de Luís Represas.
Há ainda um longo caminho a percorrer na cura do cancro da mama. Por isso, o seu passo por esta causa é importante. Não falte à Caminhada Rosa. Saiba mais sobre este evento em
www.caminhadarosa.com.

Viva a Música!


1º de Outubro é o 274º dia do ano no calendário gregoriano (275º em anos bissextos). Faltam 91 para acabar o ano. É neste dia que se celebra o Dia Mundial da Música. Que seria a nossa vida sem música? Certamente seria muito triste e monótona.
A música, desde o início de sua história, foi considerada uma prática cultural e humana. Provavelmente, fruto da observação dos sons da natureza, despertou no homem, através do sentido auditivo, a necessidade e vontade de fazê-la. Defini-la não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o tempo e o som. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, ela já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Uma das maiores dificuldades em definir música tem sido o emprego dessa palavra na descrição de todas as actividades e elementos relacionadas aos sons organizados. Conceitos pré-definidos aplicam-se a práticas exploradas, esquadrinhadas, completamente conhecidas, o que não ocorre na música, que é infinita.

Finalmente...

A25 não terá portagens até região que atravessa se desenvolver

O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu que a auto-estrada A25, que a partir de hoje liga Aveiro a Vilar Formoso, não terá portagens pagas pelos utilizadores até a região que atravessa atingir os indicadores socio-económicos do resto do país.
Durante a inauguração do lanço Boaldeia (Viseu)-Mangualde, com o qual o grupo AENOR encerra a sua concessão das Beiras Litoral e Alta, José Sócrates frisou que esta é uma forma de solidariedade nacional para com o desenvolvimento do interior.
A A25, que substitui o Itinerário Principal 5, tem uma extensão total de 172,4 quilómetros, atravessando os distritos de Aveiro, Viseu e Guarda, no regime de portagem virtual SCUT (sem custos para o utilizador).
“Se esta região do interior do país tivesse indicadores de desenvolvimento iguais à média nacional, não havia motivos para não ter portagens pagas”, afirmou aos jornalistas no final da cerimónia, lembrando que “todos os portugueses estão a contribuir”.
Antes da cerimónia, a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A25 colocou tarjas em várias pontes e junto à tenda onde se realizou a cerimónia de inauguração a reafirmar a necessidade de a passagem naquela auto-estrada não ser taxada.
No exterior da tenda, estava um pequeno grupo de elementos da comissão, que não ficaram descansados com as palavras do primeiro-ministro. “O PS sempre teve uma posição duvidosa em relação ao assunto e estamos convencidos de que o Governo só assumiu este compromisso eleitoral por causa da luta das populações”, afirmou à Lusa Manuel Rodrigues, também militante do PCP.
Disse ainda não ter ficado “tranquilo relativamente ao futuro”, até porque José Sócrates, “por um lado fala na necessidade de solidariedade para com o interior do país, mas depois encerra-lhe escolas e serviços de saúde”.


in Jornal Público (edição online) 30SET06

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

"Os Anões"


Quando em 2005 Harold Pinter foi premiado com o Prémio Nobel da Literatura, muitas vozes críticas se opuseram a esta escolha da Academia Sueca. Outras houve que acharam que o prémio vinha com o rótulo de “tardio”.

Harold Pinter, nascido em Londres a 10 de Outubro de 1930, é filho de judeus de origem portuguesa. É um dramaturgo inglês (para alguns o “irmão menor, inofensivo, de Beckett”) e um forte opositor às políticas belicistas. É um dos mais importantes renovadores do teatro do absurdo e as suas peças apresentam situações em que as personagens vêem, repentinamente, em perigo a segurança das suas vidas quotidianas.

O seu discurso de aceitação do Nobel foi, no mínimo, politicamente pouco correcto. Uma pedrada no charco. Nesse discurso (apresentado sob a forma de gravação de vídeo) Pinter combinou arte, crítica dura e ironia contra Blair e Bush. Chegou mesmo a oferecer-se para escrever os discursos de Bush.

Por todas estas razões fiquei com a curiosidade de ler o único romance de Harold Pinter, “Os Anões”. Apenas, agora, me foi possível fazê-lo.

O livro descreve as vidas e preocupações de quatro jovens londrinos na Inglaterra do pós-guerra. Através da sua amizade, Pinter explora o modo como as vidas comuns são moldadas pelas limitações e fronteiras da sexualidade e da moralidade, ao mesmo tempo que põe a nu as profundas verdades existentes em acontecimentos aparentemente correntes. Descobre-se o precipício sob a conversa fútil do dia-a-dia (dias) e força-se a entrada nas salas fechadas da opressão. Parece algo incerto, alucinatório, embora às vezes possa ser uma avalanche como o autor confessa.

“Os Anões” é um romance divertido (um sentido de humor peculiar, tipicamente inglês, apurado, mas não entendível por todos), vivo e perturbante.

Recomendo, vivamente, a leitura desta belíssima obra.

sábado, 23 de setembro de 2006

Pablo Neruda, pseudónimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de Julho de 1904, em Parral, no Chile. Foi um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Em 1945 é eleito senador e obtém o Prémio Nacional de Literatura. Prémio Nobel de Literatura em 1971, sua poesia transpira em sua primeira fase o romantismo extremo de Walt Whitman. Depois vieram a experiência surrealista, influência de André Breton, e uma fase curta bastante hermética. Marxista e revolucionário, cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários. Diplomata desde cedo, foi cônsul na Espanha de 1934 a 1938 e no México. Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito entre outras as seguintes obras: "La canción de la fiesta", "Crepusculario", "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", "Tentativa del hombre infinito", "Residencia en la tierra" e "Oda a Stalingrado". Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende. Participa da campanha e, eleito Allende, é nomeado embaixador do Chile na França. Outras obras do autor: "Canto General", "Odas elementales", "La uvas y el viento", "Nuevas odas elementales", "Libro tercero de las odas", "Geografía Infructuosa" e "Memorias (Confieso que he vivido — Memorias)". Morreu a 23 de Setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende, de cancro da próstata.

Os teus pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada púrpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

(Pablo Neruda)

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Breve homenagem aos Professores

Prévert, Jacques (1900-1977) 
Poeta, roteirista de Jean Renoir e Marcel Carné, amigo de Picasso e Montand,
ele foi uma das figuras obrigatórias do cenário cultural parisiense do pós-guerra.
No início de mais um ano lectivo deixo aqui dois belíssimos poemas deste poeta,
pois ambos têm a ver com a escola, nomeadamente com professores e alunos.
 
LE CANCRE
 
Il dit non avec la tête
mais il dit oui avec le coeur
il dit oui à ce qu’il aime
il dit non au professeur
il est debout
on le questionne
et tous les problèmes sont posés
soudain le fou rire le prend
et il efface tout
les chiffres et les mots
les dates et les noms
les phrases et les pièges
et malgré les menaces du maître
sous les huées des enfants prodiges
avec des craies de toutes les couleurs
sur le tableau noir du malheur
il dessine le visage du bonheur.
 
 
PAGE D’ÉCRITURE
 
 
Deux et deux quatre
quatre et quatre huit
huit et huit font seize
Répétez! dit le maître.
Deux et deux quatre
quatre et quatre huit
huit et huit font seize.
Mais voilà l’oiseau-lyre
qui passe dans le ciel
l’enfant le voit
l’enfant l’entend
l’ enfant l’appelle:
Sauve-moi
joue avec moi
oiseau!
Alors l’oiseau descend
et joue avec l’enfant.
Deux et deux quatre...
Répétez! dit le maître
et l’enfant joue
l’oiseau joue avec lui...
Quatre et quatre huit
huit et huit font seize
et seize et seize qu’est-ce qu’ils font?
Ils ne font rien seize et seize
et surtout pas trente-deux
de toute façon
et ils s’en vont.
Et l’enfant a caché l’oiseau
dans son pupitre
et tous les enfants
entendent la chanson
et tous les enfants
entendent la musique
et huit et huit à leur tour s’en vont
et quatre et quatre et deux et deux
à leur tour fichent le camp
et un et un ne font ni une ni deux
un à un s’en vont également.
Et l’oiseau-lyre joue
et l’enfant chante
et le professeur crie:
Quand vous aurez fini de faire le pitre!
Mais tous les autres enfants
écoutent la musique
et les murs de la classe
s’écroulent tranquillement.
Et les vitres redeviennent sable
l’encre redevient eau
les pupitres redeviennent arbres
la craie redevient falaise
la porte-plume redevient oiseau.

O meu livro “Outonalidades” voltou a ser noticiado desta vez no Jornal “Diário XXI” (edição de 15 de Setembro de 2006). Na primeira página da secção de Cultura lá aparece a referência ao livro, bem como a publicação de sete poemas (aqui apenas publico, mas podem ver os restantes em http://www.diarioxxi.com/).

“Outonalidades” de José Amaral

Sexta-Feira, 15 de Setembro de 2006

Às sextas, publicamos excertos dos últimos livros da Papiro Editora

Título: Outonalidades

Autor: José Amaral

Editor: Papiro Editora

Onde Comprar: www.livrosnet.com

Excertos da Obra

Diferenças

São trinta e três
as ovelhas
daquele rebanho
que pasta na verdejante colina.
Trinta e duas
são brancas,
a outra é preta.
Esta vive
em felicidade
entre as demais.
São tão diferentes,
mas tão iguais.
Para o pastor,
que as vê com bons olhos,
aquela nunca o preocupa,
já que
sempre que olha o rebanho
logo a vê,
enquanto que as demais
lhe parecem todas iguais
e nunca sabe
se faltará alguma.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Abençoados professores

Professores contribuem para a descida efectiva do peso dos salários no Estado


A descida efectiva das despesas do Estado com salários deve-se quase exclusivamente à diminuição destes encargos com os professores.
De acordo com o boletim de execução orçamental de Agosto, apresentado pelo Ministério das Finanças na passada sexta-feira, as remunerações certas e permanentes no Estado diminuíram 2,3% face ao período homólogo do ano anterior.
Dessa descida, contudo, um ponto percentual, como refere o próprio boletim, é devido a uma alteração meramente contabilística: a saída dos laboratórios do Estado para o subsector dos Fundos e Serviços Autónomos.
A restante diminuição de 1,3%, que corresponde a 58,7 milhões de euros é, em larga medida, realizada no Ministério da Educação. Aqui, a redução homóloga dos salários pagos aos funcionários, principalmente professores, foi de 2,4% ou 75,9 milhões de euros.
Retirando os que detinham, durante o ano passado, laboratórios do Estado, apenas em mais três ministérios se verificou uma descida da despesa com salários: a Justiça com menos 0,8%, a Saúde com menos 1% e o Trabalho e Solidariedade Social com menos 1,1%.
Nos restantes, verificou-se uma subida das remunerações certas e permanentes. A mais pronunciada, curiosamente, regista-se no Ministério das Finanças e da Administração Pública, de onde saem as instruções para contenção de custos e restrição nas contratações de pessoal. Os montantes gastos em salários na entidade liderada por Fernando Teixeira dos Santos aumentaram 2,2% até Agosto deste ano face a igual período do ano anterior.
O peso do Ministério da Educação no total das despesas com salários no subsector Estado atinge os 58,7%, pelo que a descida registada chegou para compensar as subidas que se verificaram em outras áreas do Estado.
No boletim de execução orçamental, as Finanças afirmam que a redução das remunerações certas e permanentes tem "especial incidência no Ministério da Educação" e que se deve "à diminuição do número de professores dos ensinos básico e secundário contratados para o ano lectivo 2005/2006".
Para além disso, Teixeira dos Santos defendeu que este resultado se deve também à moderação salarial imposta pelo Executivo e ao congelamento das progressões automáticas na carreira.
O que é certo é que a descida registada nas remunerações certas e permanentes é a principal contribuição para a limitação da variação da despesa corrente do subsector Estado a um nível inferior à inflação e ao que estava previsto no Orçamento do Estado.
Para 2007, o plano do Governo é manter esta tendência, possivelmente ainda com a manutenção do congelamento das carreiras, com aumentos salariais negativos em termos reais e com os efeitos da reestruturação da administração pública. SA

in Diário de Notícias 18SET06


Finalmente os professores servem para alguma coisa. Pode ser que, agora, a sociedade veja os professores como um exemplo, que mais não seja para ajudar o país a diminuir a despesa pública.

domingo, 17 de setembro de 2006

Não vou por aí...


Régio, José (1901-1969)

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901 — Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi um escritor português, que viveu grande parte da sua vida na cidade de Portalegre (de 1928 a 1967).

Fundou em 1927 a revista Presença, que veio a marcar o segundo modernismo português e de que Régio foi o principal impulsionador e ideólogo. Para além da contribuição para esta revista, ainda escreveu para vários jornais, como por exemplo o Diário de Notícias e o Comércio do Porto. Fez também frente ao Estado Novo, tendo sido membro do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e apoiado a candidatura do General Humberto Delgado. Como escritor, José Régio dedicou-se ao romance, ao teatro, à poesia e ao ensaio. A sua obra é fortemente marcada por conflitos entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade, numa análise crítica da solidão e das relações humanas. Como ensaísta, dedicou-se ao estudo de Camões e Florbela Espanca, entre outros.

Fonte Wikipédia

José Régio é um dos meus poetas portugueses favoritos. Morreu no ano em que eu nasci. Coincidências! A sua poesia preenche-nos a vários níveis. Faz-nos pensar que, enquanto homens, nada somos; “somos pó e ao pó voltaremos”.

Como refere Eugénio Lisboa “A obra de Régio não nos deixa esperança. Não é uma obra optimista. Nada resolve. Mas enche-nos de uma estranha felicidade e mesmo alegria, pelo simples facto de ser uma grande obra”. Essa falta de esperança e de optimismo é uma constante na obra de Régio como podemos constatar neste seu poema:

Epitáfio para um poeta

As asas não lhe cabem no caixão!
A farpela de luto não condiz
Com seu ar grave, mas, enfim, feliz;
A gravata e o calçado também não.
Ponham-no fora e dispam-lhe a farpela!
Descalcem-lhe os sapatos de verniz!
Não vêem que ele, nu, faz mais figura,
Como uma pedra, ou uma estrela?
Pois atirem-no assim à terra dura,
Ser-lhe-á conforto:
Deixem-no respirar ao menos morto!

Também para mim, Régio, serviu de fonte de inspiração para alguns poemas. Os poemas “poeta” e “ignorância” (publicados em “Oráculo Luminar”) são disso exemplo.

poeta

“Poeta sou! Cumpro meu fado, estranho

como o dum Santo ou louco

só posso dar de mais ou muito pouco,

que é tudo quanto tenho”

(José Régio)


A pena traz-me

à memória

a hagiografia escrita louca,

que dei ao mundo

cumprindo meu fado

dos loucos Santos

e eu, em perdidos prantos,

encontro no mais fundo

de mim

uma resposta breve

para dar,

de mais ou muito pouco

dando-me a conhecer

ao mundo

como um Santo

...louco!

ignorância


“Não sei para onde vou;

sei que não vou por aí!”

(José Régio)

Encontro-me na encruzilhada

desta vida maldita

- para minha desdita -

que se mostra enigmática

a ponto de sofrer,

sem saber

aquilo que vou ser

(ou simplesmente dizer).

Não sei que caminho seguir

e só a Ti,

Deus meu,

posso pedir

para me mostrares

o caminho

- o mais certinho -

a seguir,

e, assim, descansado

poder adormecer

e ...sorrir!

sábado, 16 de setembro de 2006

Cláudio Feldman


Aquando da edição do meu terceiro livro de poesia, “Outonalidades”, descobri através do Prof. Dr. Joaquim de Montezuma de Carvalho o poeta brasileiro Cláudio Feldman. Este poeta brasileiro nasceu em Bauru em 1944, reside em Santo André desde 1959. Autor de 39 obras, consta de diversas antologias. Avulta na sua escrita o talento crítico, nunca perdendo o sentido colectivo do que importa causticar e modificar.

Nessa altura recebi um conjunto de pequenos poemas deste autor, publicados no “Diário dos Açores” sob o título “No Reino da Poesia Infantil”. Estes poemas preencheram-me e abriram-me o apetite para descobrir mais a sua poesia (permito-me transcrever um pequeno poema cujo título é “Ode Ocidental”: Podemos assassinar os cachalotes/ Depois/ Perfumaremos as mãos/ Com seu âmbar gris), pois estas pequenas maravilhas líricas despertaram-me a curiosidade.

Enviei, na altura, um exemplar do meu livro ao poeta Cláudio Feldman que teve a amabilidade de me enviar um pequeno opúsculo (síntese lírica) cujo título é “Campos de Algodão”. Lê-se em breves segundos, mas aprecia-se por largos momentos. Mostra-nos como não é preciso muitas palavras para se dizer muitas coisas.

José Amaral

25 Anos - revisited

No dia 1 de Setembro fiz aqui, no ad litteram, referência ao encontro dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Viseu.

Hoje, 16 de Setembro 2006, lá nos encontrámos em Fornos de Algodres no Seminário Menor. Antes de relatar, ainda que brevemente, o encontro impõe-se que faça aqui uma rectificação. No artigo, intitulado “25 Anos”, era dito que este encontro seria o último neste seminário, pois o mesmo iria fechar. Foi uma comunicação que me chegou (na convocatória), mas que continha incorrecções. O seminário vai, efectivamente, fechar mas, e para já, apenas este ano. A falta de alunos suficientes assim o obriga. Porém, ainda não está decidido que o seminário feche ad aeternum.

Vamos ao encontro.

Pelas nove horas e trinta minutos começámos a chegar ao seminário. O grupo foi engrossando. Depois do acolhimento assistimos à celebração eucarística. Em seguida tivemos a reunião geral para aprovação de contas e para a eleição da nova direcção. Foi reconduzida a direcção que já estava à frente da associação. O almoço foi mais um ponto de convívio, de recordação de tempos bons e outros menos bons que passámos no seminário. Por volta das dezasseis horas o grupo ad libitum brindou-nos com uma actuação e de seguida houve um “dão de honra”.

Findo o convívio uns mais cedo outros mais tarde fomo-nos despedindo e regressámos a casa. Como dizia Fernando Pessoa “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena” e certamente que este encontro valeu, porque era um encontro de amigos que nem sempre, ao longo do ano, podem encontrar-se quanto gostariam.

José Amaral

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Já Bocage não sou...

du Bocage, Manuel Maria (1765-1805)

Manuel Maria de Barbosa du Bocage (Setúbal, 1765 – Lisboa, 1805), poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX.

Nascido em Setúbal às três horas da tarde de 15 de Setembro de 1765, falecido em Lisboa na manhã de 21 de Dezembro de 1805. Era filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, que foi juiz de fora, ouvidor, e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier l’Hedois Lustoff du Bocage, cujo pai era francês.

Sua mãe era segunda sobrinha da célebre poetisa francesa, madame Marie Anne Le Page du Bocage, tradutora do Paraíso de Milton, imitadora da Morte de Abel, de Gessner, e autora da tragédia As Amazonas e do poema épico em dez cantos A Columbiada, que lhe mereceu a coroa de louros de Voltaire e o primeiro prémio da academia de Rouen.

Apesar das inúmeras biografias publicadas após a sua morte, uma boa parte da sua vida permanece um mistério. Não sabemos que estudos fez, embora se deduza da sua obra que estudou os clássicos e as mitologias grega e latina, que estudou francês e também latim. A identificação das mulheres que amou é muito duvidosa e discutível.

A sua infância foi infeliz. O seu pai foi preso por dívidas ao Estado quando ele tinha 6 anos de idade e permaneceu na cadeia seis anos. A sua mãe faleceu quando ele tinha dez anos. Possivelmente ferido por um amor não correspondido, assentou praça como voluntário em 22 de Setembro de 1781 e permaneceu no Exército até 15 de Setembro de 1783. Nessa data, foi admitido na Escola da Marinha Real, onde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou, mas, ainda assim, aparece nomeado guarda-marinha por D. Maria I. Nessa altura, já a sua fama de poeta e versejador corria por Lisboa.

Em 14 de Abril de 1786, embarcou como oficial de marinha para a Índia, na nau “Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena”, que fez escala no Rio de Janeiro (finais de Junho) e na Ilha de Moçambique (início de Setembro) e chegou à Índia em 28 de Outubro de 1786. Em Pangim, frequentou de novo estudos regulares de oficial de marinha. Foi depois colocado em Damão, mas desertou, embarcando para Macau. Estranhamente, não foi punido e deverá ter regressado a Lisboa em meados de 1790.

A década seguinte é a da sua maior produção literária e também o período de maior boémia e vida de aventuras. Ainda em 1790 foi convidado e aderiu à Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia, onde adoptou o pseudónimo Elmano Sadino. Mas passado pouco tempo escrevia já ferozes sátiras contra os confrades. Em 1791, foi publicada a 1.ª edição das “Rimas”. Dominava então Lisboa o Intendente da Polícia Pina Manique que decidiu pôr ordem na cidade, tendo em 7 de Agosto de 1797, dado ordem de prisão a Bocage por ser “desordenado nos costumes”. Ficou preso no Limoeiro até 14 de Novembro de 1797, tendo depois dado entrada no calabouço da Inquisição, no Rossio. Aí ficou até 17 de Fevereiro de 1798, tendo ido depois para o Real Hospício das Necessidades, dirigido pelos Padres Oratorianos de São Filipe Neri, depois de uma breve passagem pelo Convento dos Beneditinos. Durante este longo período de detenção, Bocage mudou o seu comportamento e começou a trabalhar seriamente como redactor e tradutor. Só saiu em liberdade no último dia de 1798.

De 1799 a 1801 trabalhou sobretudo com Frei José Mariano da Conceição Veloso, um frade brasileiro, politicamente bem situado e nas boas graças de Pina Manique, que lhe deu muitos trabalhos para traduzir. A partir de 1801, até à morte por aneurisma, viveu em casa por ele arrendada no Bairro Alto, naquela que é hoje o nº 25 da travessa André Valente.

15 de Setembro, data de nascimento do poeta, é feriado municipal em Setúbal.

Fonte Wikipédia

Bocage é igualmente conhecido pela sua veia satírica e erótica. Aqui fica um exemplo.

Bojudo fradalhão de larga venta

Bojudo fradalhão de larga venta,
Abismo imundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na ciência burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:

No púlpito um domingo se apresenta;
Pregas nas grades espantoso murro;
E acalmado do povo o grão sussurro
O dique das asneiras arrebenta.

Quatro putas mofavam de seus brados,
Não querendo que gritasse contra as modas
Um pecador dos mais desaforados:

"Não (diz uma) tu padre não me engodas:
Sempre, me há-de lembrar por meus pecados
A noite, em que me deste nove fodas"!