domingo, 31 de maio de 2009

Dia Mundial da Criança

O Dia Mundial da Criança, oficialmente, é 20 de Novembro, data que a ONU reconhece como Dia Universal das Crianças por ser a data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança. Porém, a data efectiva de comemoração varia de país para país.
Em Portugal, o dia das crianças é festejado em 1 de Junho. Que bom seria que, em todo o mundo, as crianças pudessem ser felizes e pudessem comemorar o dia delas em Paz.


Menino


No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.
Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.


(Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano")

terça-feira, 26 de maio de 2009

Divinal

Quando pensamos que já lemos tudo, e nada mais nos pode surpreender, surge-nos um livro maravilhoso. É como se tivéssemos levado um murro no estômago.
Li num comentário num blog: «Como ser atropelado por um livro em poucas linhas». Este título ilustra bem o que é esta obra-prima. Trata-se de um livro de Juan José Millás, O Mundo (Editora: Planeta, 174 páginas).
Esta obra ímpar, de um autor que desconhecia, foi galardoada com o “Prémio Planeta 2007” e o “Prémio Nacional da Narrativa 2008”. Mas mesmo que não tivesse ganho nenhum prémio, já seria uma vencedora.
Neste livro tudo nos surpeende, a começar pela epígrafe: «o mundo é a rua da tua infância», que aparece na capa.
Ou uma outra frase que aparece na badana: «Ao princípio era o frio. Quem teve frio em pequeno, terá frio o resto da vida, porque o frio da infância não desaparece nunca».
Poderíamos ficar por aqui, mas era uma injustiça tremenda. Lê-se na contracapa: «Há livros que fazem parte de um plano e livros que, tal como um carro que passa um semáforo encarnado, se atravessam violentamente na nossa existência. Este é um dos que passam o semáforo. Encomendaram-me uma reportagem sobre mim próprio, e por isso comecei a seguir-me para estudar os meus hábitos.(...) Compreendi que a escrita, tal como o bisturi do meu pai, cicatrizava as feridas no mesmo momento em que as abria e descobri por que motivo eu era escritor. Não fui capaz de fazer a reportagem: acabava de ser atropelada por um romance.»
Estamos na presença de um romance autobiográfico de Juan José Millás. Na oficina das traseiras, onde o pai reparava aparelhos de medicina, o pequeno Juanjo assiste aos testes, em bifes de vaca, do bisturi eléctrico inventado pelo progenitor: um instrumento que garantia ao mesmo tempo o golpe preciso e a sua cicatrização imediata.
As cicatrizes dos primeiros anos – da problemática mudança de Valência para Madrid (onde o esperava a pobreza e o frio) ao desatino adolescente que o levou ao seminário – são justamente a matéria-prima deste livro em que Millás se entrega à reinvenção literária da sua vida.
Mais do que um romance, este livro é «um processo metabólico», uma coisa arrancada a ferros lá onde mais dói, um testemunho de quem atravessa o espelho sabendo que está a atravessar o espelho. Millás circula pelos espaços míticos da infância (a rua de Canillas, «espécie de maqueta do mundo» que reencontrará noutros lugares; a casa familiar; o imaginado Bairro dos Mortos) e reelabora vários momentos traumáticos (a relação difícil com a mãe; a perda do amigo Vitaminas; os descalabros amorosos; a dificuldade de deitar as cinzas dos pais ao mar). O Mundo alterna estados delirantes, «frágeis como bolas de sabão», e momentos de uma lucidez implacável.
Se tivesse que rever o meu Top5 dos livros favoritos este entraria directamente. Vale a pena ler! É um crime não ler!


(José Amaral)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

poema


Borboleta



O suave bater
de asas
daquela policromática
mariposa
suaviza o calor
que se faz sentir
naquele quarto
caiado
de branco pobre
onde,
num berço
de madeira carcomida
pelo caruncho,
dorme um bebé
de faces rosadas.


(José Amaral, in "Outonalidades")

segunda-feira, 18 de maio de 2009

No rasto da Literatura

Mais uma sugestão literária. Trata-se de O Rastro do Jaguar (Publicações Dom Quixote, 563 páginas) de Murilo Carvalho. Trata-se do livro vencedor da primeira edição do “Prémio Leya”.
É um livro bastante interessante, com uma narrativa – quanto a mim – um tanto ou quanto “lenta” no início, mas que facilmente nos prende e nos leva até ao fim – um final “veloz”. É uma narrativa que, como diz Manuel Alegre, “combina narrativa histórica e arte poética”.
Vale a pena ler esta interessante obra. Para abrir o apetite, a possíveis leitores, aqui fica a sinopse:
«Estamos no virar do século XIX em Congonhas do Campo. Pereira, um antigo jornalista de origem portuguesa, revisita as suas memórias, que percorrem todo o conturbado período da segunda metade do século. Através do relato da sua viagem, Pereira, que deixara Paris com o seu grande amigo e companheiro Pierre, leva-nos a conhecer o Brasil em guerra com o vizinho Paraguai, no período mais decisivo da sua história. Uma guerra sangrenta que o Brasil trava ao lado da Argentina e do Uruguai e que, para Pereira e Pierre, será o momento decisivo das suas vidas. É também a guerra pelo espaço vital das populações índias que, humilhadas pela acomodação forçada às regras e vivências dos colonos, tentam recuperar a sua Terra Mítica onde o Mal não existe. É ainda a guerra travada por Pierre para se definir a si mesmo: índio, como o seu povo, ou europeu, tal como foi criado? Levado em criança por Auguste de Saint’ Hillaire do Brasil para França, descobre, já adulto, nas feições de dois índios presos, a chave para as suas raízes nunca explicadas. Raízes que vai encontrar nesse cruzamento do Rio da Prata onde brasileiros e paraguaios morrem aos milhares e os índios guarani lutam por uma terra onde possam de novo viver livres e em paz. Da França à Argentina, do Brasil ao Paraguai, do sertão nordestino aos planaltos do Sul do Brasil, Pereira relata-nos de uma forma empolgante e quase cinematográfica as grandes transformações que definiram a América do Sul. Pelo caminho, encontra o amor perfeito e Pierre a pátria a que junto dos seus pode chamar sua.
Baseado em factos verídicos e personagens reais, "O Rastro do Jaguar" é um fresco dos intensos choques culturais e sociais que marcaram o século XIX e a relação dos europeus com as suas antigas colónias agora independentes».

(José Amaral)

domingo, 17 de maio de 2009


calemburgo

Quis beber anis...
só liam a sina;

Quis branca a alma...
mas caiu-me na lama;

Quis ir a uma clínica...
mas caiu-lhe o l e ficou cínica;

O aroma da amora
ou a amora do aroma...
a preto exalado
ou será antes ex alado?


(José Amaral, in "Oráculo Luminar")

Jacarandá



Que a beleza destas flores de jacarandá, ajudem a colorir este cinzento Domingo.

(José Amaral)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Filme angelical ou demoníaco

Ontem, como costuma ser mais ou menos habitual, foi dia de cinema. Desta feita o filme que estreou e que promete ser um sucesso: Anjos & Demónios.
Goste-se ou não da escrita de Dan Brown, chegou ao cinema mais uma adaptação de uma das suas obras, "Anjos e Demónios". O filme descreve os acontecimentos passados na vida de Robert Langdon (Tom Hanks) antes dos acontecimentos que são mostrados em "O Código Da Vinci". Langdon tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano após o estranho assassinato de um físico na Suíça. Este filme realizado por Ron Howard está cheio de acção, suspense e com efeitos especiais bem conseguidos.
Vale a pena ver o filme. Conhece-se muito sucintamente Roma, bem como o Vaticano. Há pequenos pormenores que são deliciosos. O realizador conseguiu um bom trabalho. O filme apresenta-se melhor que o livro.

(José Amaral)

domingo, 10 de maio de 2009

Restolho


RestolhO



Era noite.
Noite de breu medonho.
Acometia a nossa pequeneza.
Caminhávamos, passos periclitantes,
através dos atalhos dos campos.

Atravessámos um restolho.
A lua, alta, começou a vislumbrar-se,
e, foi quando, ao largo,
ressaltou o restolho,
negro, ao luar.

O trigo fora já cortado;
naquele campo – que outrora
fora um mar dourado –
apenas, e só, algumas espigas caídas
deixadas ao abandono,
prenhes de sementes,
esperando que alguma pobre viúva
as viesse recolher em seu regaço,
ou quiçá,
algum animal as transportasse
para servirem
de lauto sustento
aos seus rebentos.

Ao largo do restolho,
do lado direito,
árvores – penso que choupos,
quais guardiões –
demasiado esguias e esbeltas,
estrategicamente posicionadas,
guardavam o seu tesouro.

Os campos cheiravam
a rosmaninhos;
os grilos entoavam
uma melodia monocórdica
que se “espraiava”
ao longo do restolho.

De repente,
um pio, horripilante,
de um mocho
acordou a noite.
Fez-nos avivar o passo
e atravessar, quasi a correr...
...o restolho.


(José Amaral, in "Poder da Díctamo")

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Fantástico

Coisas de cérebro . . Da Universidade de Cambridge

Só pssaoes epsertas cnsoeugem ler itso.
Eu não cnogseui acreidatr que relmanet pidoa etndeer o que etvsaa lndeno. O pdoer fnemoeanl da mntee huamna, de aorcdo com uma psqueisa da Unvireisadde de Cmabrigde, não ipmrota a odrem em que as lteras em uma plavara etsão, a úcina cisoa ipmotratne é que a piremira e a útimla ltreas etseajm no lguar ctreo. O rseto pdoe etasr uma ttaol bnauguça e vcoê adnia pdoreá ler sem perolbmea. Itso pruqoe a mtene haunma não lê cdaa lreta idnvidailuemtne, mas a pvrlaaa cmoo um tdoo. Ipessrinaonte hien? É e eu smrepe pnenesi que slortaerr era ipmorantte! Se vcoê pdoe ler itso pssae aidntae!!



(retirado de um e-mail que recebi)
(José Amaral)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Poema


Orvalhada



Nas vetustas folhas
daquele imberbe
carvalho
luzem
gotas
de orvalho.

Brilham
rebrilham
refulgem
um brilho
a perfume
de rosas brancas.


(José Amaral, in "Outonalidades")

sábado, 2 de maio de 2009

Dia da Mãe

É Noite, Mãe

As folhas já começam a cobrir

o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...


Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos
agora, e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

(António Salvado, in "Difícil Passagem")
A todas as mães - àquelas que o são, àquelas que já foram e àquelas que estão para ser - um dia cheio de Amor. Feliz Dia da Mãe!
(José Amaral)

Livros

Mais uma sugestão literária. Desta feita trata-se de um livro de Nina Schuyler, O Quadro (Bizâncio, 332 páginas). Trata-se da história de quatro vidas que se cruzam em pontos distantes do mundo (Japão e França) no ano de 1870. Elas não sabem que há um elo que os une. Mas trata-se, também, da história do cenário de transformações sociais e culturais inerentes ao período Meiji no Japão e à guerra franco-prussiana em França.
A ligação entre as quatro personagens sucede quando Ayoshi, a mulher de Hayashi, um proeminente oleiro e comerciante japonês com uma deformidade nos pés causada por um fogo que matara a sua família quando criança, coloca, secretamente, um quadro por si pintado na caixa de artefactos a enviar para venda em França. Esse quadro, um entre vários que Ayoshi pintara para eternizar o seu amor perdido por Urashi, um Ainu de quem engravidara antes de se casar com Hayashi, revela a intimidade dos amantes e imortaliza esse amor intocável representado de forma comovente e hipnotizante. Quando Jorgen, um mutilado dinamarquês da guerra franco-prussiana e armazenista numa empresa que se dedica ao comércio de produtos raros, abre a caixa e se depara com o quadro que não consta da lista de artigos enviados, apodera-se dele para mais tarde o vender. Natalia, a meia-irmã do dono da empresa, entra no mundo escuro de Jorgen com a sua determinação em salvar a França e alista-se nas fileiras do exército francês, almejando tornar-se uma exímia atiradora.
É um livro que se lê com agrado.

(José Amaral)

Filme

Na quinta-feira à noite foi noite de cinema. O filme, Sinais do Futuro, tinha-me despertado curiosidade, pela ideia. Original, interessante. Em suma a ideia principal do filme era «uma cápsula do tempo era aberta na escola do filho de um professor universitário do MIT. A cápsula esteve fechada durante cinquenta anos. O professor depara-se com um estranho mapa numérico. Descodificado, este mapa mostra profecias assustadoras: são datas de cada uma das maiores catástrofes globais dos últimos 50 anos, como terramotos, incêndios e tsunamis, tudo em perfeita sequência. O problema é que algumas datas estão por vir, e portanto novos desastres para acontecer».
O filme, que conta com a interpretação de Nicolas Cage, até nem se torna disinteressante, mas tem algumas partes dispensáveis, nomeadamente o final. Contudo, vale a pena ver.

(José Amaral)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Apresentação Temática "25 de Abril"

No dia 25 de Abril, pelas 16h30, no Museu Militar do Porto, a «Papiro Editora» leva a efeito uma apresentação temática sobre o "25 de Abril".
Aqui fica a programação, e o convite, para todos aqueles que se mostrarem disponíveis para se juntarem a nós na comemoração desta data.


16H30 - Início
16H35 - Abertura da sessão a cargo da Exma. Sra. Coordenadora Editorial da Papiro, Ana Lemos
16h40 - Breve introdução a cargo do Exmo. Sr. Coronel Sérgio Santos

Apresentação das obras referenciadas:

16h45 - Apresentação da Obra Grito, a cargo da autora Lígia Bastos

17h00 - Apresentação da Obra As Hienas Também Choram, a cargo do autor João Sarabando
17h15 - Apresentação da Obra Cafeína, a cargo do autor Fernando Mascarenhas
17h30 - Apresentação da Obra Deus Acorda, a cargo da autora Ana Paula de Castro
17h45 - Apresentação da Obra Quissonde, a cargo do autor Rodrigues Miguel
18h00 - Apresentação da obra 25 Abril 34 Anos, a cargo do autor José Joaquim Pacheco Amaral
18h15 - Apresentação da Obra Fantasmas de uma Revolução, a cargo do autor António Sá Gué
18h30 - Encerramento da sessão a cargo da coordenadora editorial da Papiro Editora, Ana Lemos
(José Amaral)

domingo, 19 de abril de 2009

Livros

Desde 1996, e por decisão da UNESCO, que a 23 de Abril se comemora o Dia Mundial do Livro e dos direitos de autor. Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge e recebem em troca um livro.
Para além disso, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, Halldór Laxness (Prémio Nobel da Literatura) nascido nesta data, Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.
Esta data é simbólica, sem dúvida, pois os livros, tal como as emoções, deveriam fazer parte da vida de qualquer humano todos os dias, em qualquer momento. As palavras, as páginas, os livros, são termos secos mas contêm em si, cada um, mensagens e sentimentos tão fortes e vivos como a mais pura das crianças.
Quanto a mim também honrarei esta data com uma conversa sobre a escrita e os livros, na livraria Bertrand, do Palácio do Gelo, a partir das 19:00 horas. A todos os que puderem, e quiserem, apareçam.

(José Amaral)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Génio

Albert Einstein nasceu em Ulm, a 14 de Março de 1879 e faleceu em Princeton, a 18 de Abril de 1955. Este físico alemão, radicado nos Estados Unidos, ficou mais conhecido por desenvolver a teoria da relatividade. Ganhou o Prémio Nobel da Física, em 1921, pela correcta explicação do efeito fotoeléctrico. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atómica, apesar de não prever tal possibilidade.
Devido à formulação da teoria da relatividade Einstein tornou-se, mundialmente, famoso. Nos seus últimos anos, a sua fama excedeu a de qualquer outro cientista na cultura popular: "Einstein" tornou-se um sinónimo de génio. Foi eleito pela revista “Time” como a "Pessoa do Século" e a sua face é uma das mais conhecidas em todo o mundo.
Uma das suas frases mais conhecidas é "Deus não joga dados com o universo."

(José Amaral)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Abril


XII


Uma fresca e esperançosa brisa
sopra dos salgueirais
onde a Liberdade
cheira a torradas com manteiga,
onde as trepadeiras
de haste vermelha e corola verde
não florescerão sem terminar
a Revolução.

A nudez da desconfiança
amontoa-se nas ruas e
nos admirados olhares
um amendoado aroma
a incenso revolucionário
escorre reprimido pelas faces.
(in "25 de Abril/34 anos", José Amaral)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA FELIZ


A todos aqueles que visitam o meu "cantinho" desejo uma Santa Páscoa.

sábado, 4 de abril de 2009

Obrigatório ler

Recomendo um belíssimo livro, que se lê num fôlego, sustentado numa escrita criativa, mas acima de tudo na sua mensagem.
Trata-se do livro de estreia de Aravind Adiga. E foi uma estreia em grande, pois foi o vencedor do “Man Booker Prize 2008“. O livro chama-se O Tigre Branco (Editorial Presença, 242 páginas).
Estamos na presença de uma história irónica e divertida. O protagonista de O Tigre Branco, Balman Halwai, relata o trajecto bastante inusitado que percorreu para subir na vida e conseguir tornar-se alguém importante no cenário nacional: assassinar seu patrão. Em cartas dirigidas ao primeiro-ministro chinês, o protagonista revela uma visão crítica aguçada da sociedade indiana e do mundo contemporâneo, e justifica seu crime classificando-o como um acto de empreendedorismo. Ao longo do romance vamos sendo confrontados com as discrepâncias chocantes, entre o luxo extravagante da elite rica, e a luta desesperada pela sobrevivência, dos que nada têm. O mote principal do livro é a miséria que atinge o povo e da qual não se consegue escapar, pois não interessa o desejo de fuga. Fica assim feito o retrato de uma sociedade brutal, impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração, como uma ladainha que se entoa incessantemente.

(José Amaral)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Filme de animação

Hoje fui ao cinema ver um filme de animação. Um belo filme por sinal. Trata-se de Monstros vs Aliens, um filme produzido pela “Dreamworks SKG”, realizado por Rob Letterman e Conrad Vernon. A versão portuguesa conta com as vozes de Catarina Furtado e José Wallenstein.
Aqui fica a sinopse: «Susan Murphy é abalroada por um meteoro, e cresce 14 m e 28 cm. O exército entra em acção e ela é capturada e levada para um complexo secreto do Governo. Aí, é apelidada de Ginórmica e conotada como parte de um grupo estranho de monstros: o brilhante, porém cabeça-de-insecto, Dr. Barata Prof. Dr., o macho meio macaco, meio peixe O Elo Perdido, o gelatinoso e indestrutível B.O.B e a larva de 106 metros, de seu nome Insectosaurus. Quando um misterioso robot alien chega à Terra e começa a assolar o País, o grupo de Monstros é chamado para combater os aliens e salvarem o mundo da destruição eminente».

(José Amaral)

terça-feira, 31 de março de 2009

Literatura Bendita

Há bem pouco tempo publiquei aqui um post sobre um livro de João Ubaldo Ribeiro. Não lhe teci, a esse livro, grandes elogios. Contudo, a escrita de JUR é afamada e multi-premiada, pelo que decidi-me a ler um outro livro da sua autoria. Trata-se de Miséria e Grandeza do Amor de Benedita (Dom Quixote/Visão, 93 páginas).
Trata-se de um romance curto, extraordinariamente bem trabalhado do ponto de vista da escrita e da sua arquitectura interna, cheio de ironia e de mistérios, localizado na ilha de Itaparica. Este romance narra a história de Deoquinha Jegue Ruço, a versão nordestina de um Don Juan, casado com Benedita.É com a morte de Deoquinha, que aparece mort na cama de uma das suas amantes, que o autor dá partida à narrativa que reconstrói a trajectória desse conquistador, pai de vários filhos bastardos. Mas é a figura de Benedita que motiva toda a trama. Benedita é-nos apresentada como uma mulher ingénua, esposa exemplar e compreensiva, que perdoa todas as escapadelas do marido. O final afigura-se surpreendente.
Se no post anterior, em que me referi a “A casa dos Budas ditosos”, não fui muito elogioso para com o livro, desta vez devo render-lhe homenagem. É um livro que se lê com muito agrado, numa escrita melíflua e “agarradora”. Aconselho-o vivamente.

(José Amaral)

domingo, 29 de março de 2009

O Leitor - o filme

Há bem pouco tempo fiz aqui referência a um belíssimo livro de Bernhard Schlink. Teci-lhe os mais rasgados elogios, pois são merecidos.
Desta feita, apresento a mesma obra, “O Leitor”, mas na sua adaptação cinematográfica, pela mão de Stephen Daldry. Na Alemanha de 1958, o jovem de 15 anos, Michael (David Kross) - Ralph Fiennes interpreta a mesma personagem, mas com a idade mais avançada, conhece Hannah (Kate Winslet) e ambos iniciam um intenso relacionamento amoroso, ela vinte anos mais velha. Um dia, Hanna desaparece. Michael encontrá-la-á no seu julgamento. Hanna é julgada e presa…
Este filme é uma adaptação muito bem conseguida do livro que está muito bem escrito.
Do filme, destaca-se a aproximação à obra escrita e a excelente interpretação de Kate Winslet. Aliás, esta actriz foi a vencedora do Óscar, deste ano, para melhor actriz feminina. Mereceu-o!
O filme, à imagem do livro, está excelente. Recomendo-o vivamente. É um filme a não perder.

(José Amaral)

sábado, 28 de março de 2009

Mudança - Hora de Verão


Os relógios adiantam uma hora na próxima noite em todo o país, fazendo assim Portugal entrar na Hora de Verão, mas tirando 60 minutos ao domingo. Para cumprir o início da hora de Verão, à 01h00 da madrugada de Domingo (29 de Março de 2009) os relógios adiantam para as 02h00 em Portugal continental e na Madeira.
A mudança da hora deve-se a uma directiva comunitária que determina que os países da União Europeia devem entrar na hora de Verão no último domingo de Março e adoptar a hora de Inverno no último domingo de Outubro, independentemente do fuso horário em que se encontrem. De acordo com o Decreto-Lei nº. 17/96, de 8 de Março:
1 - A hora legal de Portugal continental coincide com o tempo universal coordenado (UTC) no período compreendido entre a 1 hora UTC do último domingo de Outubro e a 1 hora UTC do último domingo de Março seguinte (hora de Inverno).
2 - A hora legal coincide com o tempo universal coordenado aumentado de sessenta minutos no período compreendido entre a 1 hora UTC do último domingo de Março e a 1 hora UTC do último domingo de Outubro (hora de Verão).
Na prática, os portugueses vivem amanhã o dia mais pequeno do ano, com 23 horas, fazendo-se a mudança numa altura em que menos afecta o quotidiano das pessoas, durante a noite e no fim-de-semana.

(José Amaral)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Hora do Planeta

(imagem retirada da Internet)

Amanhã, dia 28 de Março, pelas 20H30 os geradores a diesel das ilhas Chatham, na Nova Zelândia, vão ser desligados, marcando o início de um movimento comunitário à escala mundial: a Hora do Planeta 2009. Qualquer pessoa pode participar neste momento simbólico, para isso só tem de desligar o interruptor.
Em Lisboa, o Cristo-Rei assim como a Ponte 25 de Abril, o Palácio de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Padrão das Descobertas, o Castelo de São Jorge, os Paços do Concelho e o Museu da Electricidade vão ficar apenas iluminados pela luz das estrelas. Muitos outros locais no país juntar-se-ão a esta iniciativa.
A iniciativa Hora do Planeta pretende fomentar a sensibilidade mundial sobre o futuro do Planeta e a incentivar à realização de outras pequenas acções que podem marcar uma grande diferença, como por exemplo: usar lâmpadas de baixo consumo, desligar o ar-condicionado e preparar uma festa ou jantar à luz de velas com amigos e família.
Iniciativa louvável que merece ser divulgada. Todos nós, mesmo que de forma simbólica, podemos contribuir um pouco para um melhor ambiente, para um futuro mais risonho.

(José Amaral)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Esperava mais

Quando em 2008 João Ubaldo Ribeiro ganhou o “Prémio Camões” fiquei com curiosidade em ler uma das suas mais conhecidas obras: A casa dos Budas Ditosos. Deste autor havia, apenas, lido “O Sorriso do Lagarto”. O livro encontrava-se esgotado e só agora me foi possível encontrá-lo, numa edição de 213 páginas, sob a chancela das “Edições: Nelson de Matos”.
A capa do livro alerta-nos que, segundo a revista “Veja”, este livro é «erótico, chocante, irónico, provocador. Ostensivamente pornográfico». E assim é, estamos na presença de uma narrativa pouco comum, às vezes chocante, às vezes irónica e sempre provocadora, envolvendo um dos pecados mais indomáveis e capitais: a luxúria. Trata-se de um romance impudico e provocador.
O livro é o relato de uma senhora de idade avançada - CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Baía e residente no Rio de Janeiro - contando a sua vida sexual. Faz-me lembrar um outro relato da vida sexual, que também li em tempos: “A vida sexual de Catherine M.”. O assunto principal é sexo, não é um livro erótico no sentido mais elevado da palavra, mas um livro devasso.
Segundo o autor, um misterioso pacote foi deixado na sua portaria: eram os originais do livro. Ficamos, assim, na dúvida: serão as memórias desta senhora devassa e libertina um relato verídico? Ou seria apenas uma brincadeira do autor? Nunca o saberemos.
Satisfiz a curiosidade, mas, com franqueza, não achei o livro nada de especial. Chocante? Provocador? Sim! Nada mais que isso.

(José Amaral)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia

Amanhã, 21 de Março, comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Este dia foi instituído na 30ª Conferência Geral da UNESCO, em 1999, e coincide com o Dia da Árvore e o início da Primavera no hemisfério Norte, numa lógica que parece simbolizar o renascimento ou a renovação.
O Dia Mundial da Poesia resultou da constatação de que existiam no mundo necessidades estéticas por satisfazer e de que a poesia podia preenchê-las se o seu papel social de comunicação interpessoal fosse reconhecido e continuasse a ser um meio de estimular e expressar o conhecimento.
Para me associar à comemoração deste dia, aqui deixo um poema da autoria de Alexandre O’Neill.


(Imagem retirada da Internet)

O poema

pouco original do medo
O medo
vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai
ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários (assim assim)
escriturários (muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados
Ah o medo
vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai
ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Sim
a ratos


(José Amaral)

Primavera - Dia Mundial da Árvore

(Imagem retirada da Internet)

Hoje, 20 de Março, a Primavera chega quando faltarem 15 minutos para o meio-dia e vai manter-se até ao dia 21 de Junho, de acordo com informação do Observatório Astronómico de Lisboa.
O Equinócio que marca o início da Primavera é o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. «A palavra de origem latina significa "noite igual ao dia", pois nestas datas dia e noite têm igual duração», explica o Observatório.
Amanhã, dia 21 de Março, celebra-se o Dia Mundial da Árvore ou Dia Mundial da Floresta. A comemoração oficial deste dia teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872. No hemisfério sul, o dia 22 de Setembro marca a chegada Primavera.
Em Portugal, que se encontra no hemisfério Norte, o "Dia da Árvore" festeja-se no dia 21 de Março.

(José Amaral)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dia do Pai

19 de Março é o dia em que se comemora o Dia do Pai. Também se comemora S. José, que exemplo melhor de Pai.
A todos, e em particular ao meu, os Pais um dia repleto de alegrias.


Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


(Alexandre O’Neill)

segunda-feira, 16 de março de 2009


Bravura


Ao longe,
nos Montes Hermínios,
urgueiras roxas
lembram o sangue
derramado
pelos bravos lusitanos
às ordens de Viriato.

Sangue
tornado seiva
de um povo que,
sendo pequeno,
mostrou ao mundo
ser grande.


(in "Outonalidades", José Amaral)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Leitura grotesca

Levado pela curiosidade, e uma certa publicidade, comprei o livro que hoje sugiro.
Trata-se de um livro de Tom Baker, O Rapaz Que Chutava Porcos (editorial teorema, 129 páginas). A capa apresenta esta obra como sendo “uma obra-prima do grotesco”. E é-o de facto, quer a escrita quer as ilustrações. Não sendo, de todo, o meu género de Literatura não desgostei, mas é uma leitura “bizarra”.
Chutar porcos é talvez a mais simples e pequena das bizarras acções de Robert Caligari, a personagem central deste livro, que se prepara para enfrentar o destino. Na contracapa podemos ler:
“Robert Caligari é um puto de treze anos, absolutamente diabólico, cujo maior prazer consiste em chutar porcos. Depois de um humilhante episódio, que o leitor identificará surpreendido, Robert percebe até que ponto detesta a raça humana. A sua vingança vai ser verdadeiramente terrível.”
A história inicia-se com a afirmação de que aquele é o dia em que a personagem principal vai morrer, e o que inicialmente pode parecer pouco estimulante devido à sua previsibilidade, vai-se transformando no decorrer do texto no alvo de todas as curiosidades. Pensamentos macabros, acções grotescas e frases cheias de humor negro, são os ingredientes principais. A personagem morre, tal como foi afirmado no início do livro, e a sua medonha e criativa morte constitui o último pico da história
O livro de tão pequeno lê-se num fôlego.

(José Amaral)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mais uma sugestão literária, daquelas a não perder. Trata-se de um livro de Bernhard Schlink, O Leitor (Edições Asa, 144 páginas). Um belíssimo livro que se lê num ápice, e nem a letra miúda nos incomoda. Já aqui fiz um post sobre um outro livro deste autor (“O Regresso”) que recomendei vivamente, mas este supera esse outro.
Trata-se da história de Michael Berg e de Hanna Schmitz. O primeiro, é um adolescente que nos anos 60, é iniciado no amor pela segunda, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos e ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual, seguindo sempre os mesmos passos: primeiro banham-se, depois ele lê em voz ata, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael. Este só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes. Hanna é condenada e só então é que Michael descobre que ela é analfabeta. Então decide continuar a ler para ela; para isso grava-lhe cassetes e envia-lhas para a prisão. Na véspera de Hanna sair da prisão, enforca-se.
Esta obra foi adaptada ao cinema e valeu um Óscar a Kate Winslet pelo papel de Hanna. Depois do livro fico à espera do filme. Mas quanto ao primeiro recomendo-o vivamente.

(José Amaral)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Selva

Desta feita regresso às sugestões literárias dos grandes clássicos da Literatura Portuguesa. Falo de um livro, de Ferreira de Castro, publicado em 1930: A Selva (Planeta DeAgostini, 249 páginas). Ferreira de Castro resgata as experiências vividas na Amazónia por Alberto, o herói deste romance. É um jovem monárquico que tinha saído de Portugal por ter participado na revolta de Monsanto. É um jovem que, pouco a pouco, transforma a sua visão do mundo, ao sofrer o embate da crueldade da vida, daquela vida que o espera no meio da selva.
No seringal, vigora a lei do mais forte, tanto no mundo vegetal como animal, inclusive entre os animais humanos. E é no mesmo seringal que a faceta animalesca do ser humano se manifesta nos impulsos mais bestiais, que vêm ao de cima e se sobrepõem à cultura, às normas sociais, à moral, à religião, à ética, à justiça. Na selva, só os seres mais fortes e mais aptos sobrevivem. Os capatazes Balbino e Caetano encarregam-se de “engajar” os trabalhadores agrícolas, que vivem em situação de extrema pobreza, nas regiões secas do Ceará. Estes empreendem uma viagem duríssima, muitos deles acabam, inclusive, por morrer no caminho. E os que chegam ao destino ficam endividados pelo resto da vida ao patrão que se oferece para custear as despesas da viagem e ao consumo de géneros na "venda" que o mesmo explora, junto ao seringal, praticando os preços correspondentes aos do mercado negro, ao vender as mercadorias por um valor cinco vezes superior àquele pelo qual as adquiriu.
Por outro lado, a ausência de elementos do sexo feminino dá azo ao eclodir, num lugar como este, dos mais bestiais impulsos nas bestas humanas. O ponto de viragem da história dá-se quando Alberto toma a cargo a gerência da loja. É nesta altura que o jovem se apercebe até que ponto a vida dos seringueiros está a ser vampirizada por Tristão.
Parece que somos levados através da Amazónia num qualquer episódio da National Geographic. Vale a pena ler/reler esta maravilhosa obra.

(José Amaral)

domingo, 1 de março de 2009

Março


momentos


Certa manhã de Março,
meiga, muito meiga,
convidava-me, melancolicamente,
qual grumete inquieto
que maquina alguma maroteira,
a ouvir a melodia,
magistralmente melodiosa,
do marulhar.

Debaixo de uma magnólia
lembrei-me que conheço um homem
- conheço!? -
que anda sem destino na areia,
mas só o faz quando está lua cheia.

Será que é? ...
Não sei!

Vagueia, vagamente.
Vagarosas vagas de uma viagem
vigiada pela visão voraz
de um verdadeiro grand frère.

Ficava impávido
fitando o horizonte,
fiando sua trama literária,
fazendo gestos frios,
facilmente confundidos
com habilidades de uma foca.

Batia com os pés
batidas brandas na areia e...
bebia suaves brisas.

Caiu calmamente
na cama improvisada.
Com o olhar cego de coragem;
com uma punhada seca,
cravou um punhal
na carne fria do peito.


(in "Oráculo Luminar", José Amaral)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Depois da folia...

Diz o povo, na sua sabedoria popular, que “a vida são dois dias e o Carnaval três”. Com as festas carnavalescas a despedirem-se entramos no tempo da Quaresma. A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma, no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia são um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira fragilidade da vida humana, sujeita à morte. A Quaresma ocorre quarenta dias antes da Páscoa. Para os cristãos serve, este dia – quarta-feira de cinzas – para lembrar quão efémera é a vida. “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris” (Lembra-te homem, que és pó, e em pó te hás de converter).
Aqui fica um poema, retirado do “Poemário do desterro”, da autoria de Henrique Marques Samyn:


Quarta-Feira de Cinzas

E quando a Quarta-Feira enfim chegou
e em cinzas transformou toda a folia,
rasgou, despudorada, a fantasia
que tantos mascarados deslumbrou;

e quando a Quarta-Feira enfim chegou,
fingiu não ver o mais cinzento dia;
e, em meio à rua clara e tão vazia,
cantou marchinhas e canções de amor.

No corpo nu calou toda a tristeza:
deitou-se, doida de melancolia,
na cama de confetes da calçada.

Tigresa, fez da quarta-feira presa:
lançou-se, incontrolável, sobre o dia –
bebeu, sedenta e só, a madrugada.

(José Amaral)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Prosa "alegre"

No seguimento do post anterior, apresento o verso do livro da colecção da “Visão” («Frente e Verso»). O autor é Manuel Alegre e a obra é A Terceira Rosa (138 páginas). Este livro lê-se com muito agrado, numa escrita cuidada e escorreita.
Este romance parece vivido na primeira pessoa, muito antes de as personagens encarnarem os seus feitos. O autor fala da paixão de Xavier e Cláudia, e o enredo desenvolve-se todo em torno da paixão. Em certos momentos, o autor explica cada sentimento de uma maneira própria, parecendo existir uma cumplicidade com a história escrita. Pelo título se consegue entrever o conteúdo do livro: a rosa, símbolo da paixão.
Vale a pena ler este belo livro.

(José Amaral)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Poesia "alegre"

A revista "Visão" está a lançar uma edição denominada «Frente e Verso». De um lado do livro Poesia, do outro Prosa. Autores em Português. O Primeiro livro é dedicado a Manuel Alegre. O livro que hoje apresento é Livro do Português Errante. São 41 poemas, com a mestria a que Alegre nos habituou. Lêem-se com agrado e são mais uma bela sugestão para estes dias de folia.
Aqui vos deixo um desses poemas:




Melancolia




Olhando distraído o armário eu vi
o sol que nele se reflectia.
E comecei: «um quadrado de luz
num rectângulo de sombra.
Ou talvez um quadro
uma equação
um exercício de pura geometria.»
Mas enquanto fazia isto que faço
já o sol no ocidente se escondia
deixando no armário um breve traço
de profunda profunda melancolia.




(José Amaral)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval


O Carnaval no Olimpo

Resplandece o Olimpo. Júpiter está sentado... no Alto da
Serra, mais fulgurante do que um sol. Mercúrio, Apolo,
Marte, Netuno, Minerva, Plutão, estão sentados mais abaixo, em
atitude respeitosa. Gênios alados correm o cenário,
oferecendo aos deuses copos de caldo de cana e caprade.
Júpiter
Não falta nenhum deus? Estamos todos, não?
Vai começar...
Apolo

...A Inana
Júpiter (severo)
Aquiete-se!... A Sessão!
Como sabeis, aí vem o Carnaval. Vejamos:
Não brincaremos também? Não nos fantasiamos?
Quero, entre os ideais com que me preocupo,
Dar um exemplo ao povo, organizando um grupo.
(...)
Se saíssemos nós sem braços e em salmoura
Para representar o Grupo da Lavoura!
Mas não convém baixar o preço do café...
Tome a palavra alguém! Netuno, por quem é...
Salva esta situação!

Netuno
Lá vou! Estou pensando...
Podíamos sair todos sete... imitando
Uns sete Aquidabãs, como um ar aborrecido
Voltando para o porto... antes de ter saído:
Seria essa a alusão melhor do Carnaval!

Plutão
E o nome do Cordão?

Netuno
Grupo Glória Naval!
(...)

Minerva
Eu já tinha pensado em um grande cordão
Com tudo o que se disse aqui num carroção:
Hidra, Aquidabã, Abel, Lavoura e Notas,
E por cima de tudo um mineiro com botas!
Mas, ó povo! Com essa quebradeira
Por que não pensar em simples zé-pereira,
Com três caixas, um bumbo e o nosso bom humor?
(...)

Coro
Se o Padre Santo soubesse
O gostinho que isto tem,
Vinha de Roma até cá
Tocar zabumba também. (Cai o pano.)


(Olavo Bilac)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Leitura "carnavalesca"

Desta feita, e para ler neste Carnaval, pois lê-se em duas penadas, sugiro Boa Noite, Senhor Soares (Dom Quixote, 93 páginas) de Mário Cláudio. Trata-se do novo livro (uma novela) deste autor já bastante premiado.
O livro relata-nos a história de António. Um rapaz da aldeia. Foi para a cidade; Lisboa, à procura de uma vida melhor. Nesta altura, os heterónimos de Pessoa e o próprio Pessoa andavam pelas ruas da Baixa. António arranjou trabalho num armazém de tecidos e instalou-se em casa da irmã (Florinda) e do brutamontes do cunhado (Gomes).


António foi depois caixeiro, empregado no escritório onde trabalhava o Sr. Soares, um tradutor entre livros de contas e de contabilidade. O senhor Soares era um homem estranho a quem chamavam poeta, que se sabia ser poeta, mas de quem António não conhecia a poesia. António apenas admirava a estranheza da figura e o respeito tutelar que ela lhe impunha. Este livro gira à volta da figura de Bernardo Soares, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, narrador do “Livro do Desassossego”.
É um livro de costumes, mas acima de tudo um livro interior, onde nos apercebemos da existência de um rapaz de sonhos, que se transforma num homem banal, anti-herói de uma ficção que reconstitui uma certa Lisboa, com as suas falas, a gente, as ruas, as coisas que se perderam e outras que permanecem, imutáveis. É um livro um pouco ao jeito de uma “Lisbon revisited”.
Recomendo vivamente este livro, que se lê com redobrado agrado.

(José Amaral)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cinema

Hoje deixo aqui duas belíssimas sugestões, a não perder. Dois excelentes filmes.
O primeiro filme é A Dúvida. Ambientado no ano de 1964, numa escola católica do Bronx, a história gira em torno de uma freira que passa a suspeitar de um padre que vem demonstrando profundo interesse num jovem aluno negro. Para ela, o padre está cometendo abuso sexual. Este animado e carismático sacerdote, padre Flynn, está a tentar acabar com os austeros uniformes escolares que são defendidos ferozmente, há já muito tempo, pela irmã Aloysius Beauvier, a directora com mão de ferro que acredita no poder do medo e da disciplina. Os ventos da mudança política estendem-se pela comunidade e a escola acaba de aceitar o seu primeiro estudante negro, Donald Miller. Mas quando a irmã James, uma inocente optimista, partilha com a irmã Aloysius a sua suspeita de que o padre Flynn presta demasiada atenção a Donald, a directora enceta uma cruzada pessoal para descobrir a verdade e expurgar Flynn da escola. Sem nenhuma prova para além da sua certeza moral, a irmã Aloysius vai entrar numa batalha de força com o padre Flynn que vai dividir a comunidade com consequências irrevogáveis. São quatro os actores deste filme nomeados para o Óscar: Meryl Streep (como actriz principal), Philip Seymor Hoffman (como actor principal) e Viola Davis e Amy Adams (como actrizes secundárias).
O segundo filme é Valquíria, um filme rodado na capital alemã, conta a história de um atentado que podia ter eliminado o 'Fuhrer' (Adolf Hitler). O coronel Claus von Stauffenberg, interpretado por Tom Cruise (numa excelente participação), sem um olho, a mão direita e dois dedos da esquerda participou numa espectacular tentativa de assassinato do ditador alemão. Stauffenberg e outros sete oficiais acreditavam que o regime estava condenado ao fracasso e, no dia 20 de julho de 1944, prepararam uma emboscada dentro do bunker de Hitler, conhecido como Toca do Lobo. Aí, durante uma reunião de militares, Stauffenberg deixou uma pasta que continha explosivos, que detonariam quando ele já estivesse a caminho de Berlim, onde um golpe de Estado era preparado para entrar em acção, logo que fosse confirmada a morte de Hitler. A pasta, no entanto, foi casualmente deslocada do seu local de origem por um dos participantes da reunião. Alguns centímetros que garantiram a sobrevivência de Hitler por mais alguns meses: ele foi protegido da explosão pela pesada mesa ao redor da qual ocorria o encontro, sofrendo escoriações pelo corpo.
São dois filmes que recomendo vivamente que mais não fosse por este belo leque de actores e actrizes.

(José Amaral)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Surreal

André Breton nasceu em Tinchebray, a 19 de Fevereiro de 1896 e faleceu em Paris, a 28 de Setembro de 1966. Foi um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo.
Em 1919, Breton funda com Louis Aragon e Philippe Soupault a revista Littérature e entra, também, em contacto com Tristan Tzara (fundador do Dadaismo). Breton publica o Primeiro Manifesto Surrealista, em 1924.
Aqui fica um poema de Breton, numa tradução de António Ramos Rosa e um outro na língua original:

Um homem e uma mulher absolutamente brancos


Lá no fundo do guarda-sol vejo as prostitutas maravilhosas
Com trajes um pouco antiquados do lado da lanterna cor dos bosques
Levam a passear consigo um grande pedaço de papel estampado
Esse papel que não se pode ver sem que o coração se
nos aperte nos andares altos de uma casa em demolição
Ou uma concha de mármore branco caída no caminho
Ou um colar dessas argolas que se confundem atrás delas nos espelhos
O grande instinto da combustão conquista as ruas
onde elas caminham Direitas como flores queimadas
Com os olhos na distância levantando um vento de pedra
Enquanto imóveis se abismam no centro da voragem
Nada se iguala para mim ao sentido do seu pensamento desligado
A frescura do regato onde os sapatinhos delas
banham a sombra dos seus bicos
A realidade daqueles molhos de feno
cortado onde desaparecem
Vejo os seus seios que abrem uma nesga de sol na noite profunda
E que se abaixam e se elevam a um ritmo
que é a única exacta medida da vida
Vejo os seus seios que são estrelas sobre as ondas
Seios onde chove para sempre o invisível leite azul.



Pièce fausse


à Benjamin Péret


Du vase en cristal de bohème
Du vase en cris
Du vase en cris
Du vase en
En cristal
Du vase en cristal de bohême
Bohême
Bohême
Bohême
Hême hême oui bohême
Du vase en cristal de Bo Bo
Du vase en cristal de bohême
Aux bulles qu'enfant tu soufflais
Tu soufflais
Tu soufflais
FlaisFlaisTu soufflais
Qu'enfant tu soufflais
Du vase en cristal de bohême
Aux bulles qu'enfant tu soufflais
Tu soufflais
Tu soufflaisoui qu'enfant tu soufflais
C'est là c'est là tout le poème
Aube éphé
Aube éphé
Aube éphémère de reflets
Aube éphé
Aube éphé
Aube éphémère de reflets



(José Amaral)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Superstição

(Imagem retirada da Internet)

Uma Sexta-feira 13 ou seja, uma Sexta-feira no dia 13 de qualquer mês, é considerada popularmente como um dia de azar.
O número 13 é considerado de má sorte. Na numerologia o número 12 é considerado um número de coisas completas como 12 meses no ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus ou os 12 signos do Zodíaco. Já o 13 é considerado um número irregular. A sexta-feira foi o dia em que Jesus foi crucificado e também é considerada um dia de azar. Somando o dia da semana de azar (sexta) com o número de azar (13) temos o mais azarado dos dias.


(José Amaral)