segunda-feira, 16 de junho de 2008

Eugénio

Eugénio de Andrade (pseudónimo de José Fontinhas Rato) nasceu na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) a 19 de Janeiro de 1923 e faleceu no Porto a 13 de Junho de 2005 (após doença prolongada). Viveu em Lisboa, Coimbra e Porto. Travou amizade com muitas personalidades da cultura portuguesa: Miguel Torga, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny… Eugénio era pouco dado a aparições públicas e vivia distanciado da chamada vida social. Aqui fica um belíssimo poema de Eugénio:

AS AMORAS

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


(José Amaral)

120 anos de Pessoa

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de Junho de 1888 e faleceu também na capital portuguesa a 30 de Novembro de 1935. É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa. Na literatura desdobrou-se em várias outras personalidades conhecidas como heterónimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia. Este ano comemoram-se os 120 anos do seu nascimento. Aqui fica um dos mais conhecidos poemas de Pessoa:


Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.


(José Amaral)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Poesia para o fim-de-semana

Konstantin Dmitrievich Balmont nasceu a 15 de Junho de 1867 e faleceu a 24 de Dezembro de 1942. Este poeta foi uma das maiores figuras da Idade de Prata da Poesia Russa.
Infelizmente não consegui um poema deste autor em Português, mas este italiano compreende-se.


IO VENNI AL MONDO PER VEDERE IL SOLE
Io venni al mondo per vedere il sole
e gli azzurri orizzonti.
Io venni al mondo per vedere il sole
e i bianchi monti.
Io venni al mondo per vedere il mare
e il verde oro del piano.
Più mondi in uno sguardo io so serrare:
sono un sovrano.
Io vinsi lo squallore dell'oblio
col mio incanto.
In me si cela eternamente un dio
e sempre canto.
Svegliato fu il mio sogno dal dolore
e in terra mi ama ognuno.
Chi pari m'è nelle virtù canore?
Alcuno, alcuno!
Io venni al mondo per vedere il sole
e all'imbrunire
io canterò… Io canterò del sole
nell'ora di morire.


Mihail Eminescu nasceu em Botoşani, a 15 de Janeiro de 1850 e faleceu em Bucareste, a 15 de Junho de 1889. Foi o mais importante e conhecido poeta da literatura romena.
Escreveu muito e graças a
Iacob Negruzzi, publicou os seus primeiros versos na revista Junimea. Foi por algum tempo actor, inspector de escolas e bibliotecário em Iaşi, onde conheceu Veronica Micle, sua inspiradora, e seu grande amor.


Foram-se os anos ...

Foram-se os anos como as nuvens vão
E nunca mais retornarão um dia;
Já não me encantam hoje, como então,
Lendas e doinas*, sons da fantasia

Que à mente de um menino foram graças
Mal compreendidas, cheias de um alarde –
Com tuas sombras hoje em vão me abraças,
Ó hora do mistério, ao fim da tarde.

Para arrancar um som do meu passado,
Para fazer-te, ó alma, ainda vibrar,
A mão em vão a lira tem tocado.

Perdeu-se tudo na alba do lirismo,
Calou-se a voz do outrora sublimado,
O tempo cresce em mim... e eu me abismo!

(* Doina: canção popular entranhável e melancólica, a mais viva expressão da alma romena, segundo o poeta Vasile Alecsandri. Tradução: Luciano Maia)


(José Amaral)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Queres fiado...

A 12 de Junho de 1875 (n’A Lanterna Mágica) Rafael Bordalo Pinheiro “dava à luz” o Zé Povinho, personagem de crítica social adoptada como personificação nacional portuguesa.
Tem como característica principal o gesto do manguito (por vezes acompanhado da frase “Queres fiado, toma!”), representando a sua faceta de revolta e insolência. O Zé Povinho (como se deduz) refere-se ao povo português, criticando de uma forma humorística muitos dos problemas sociais e políticos da sociedade portuguesa. Além disso, é uma caricatura do povo português na sua característica de eterna revolta perante o abandono e esquecimento da classe política, embora pouco ou nada fazendo para alterar a situação.
Nos dias que correm, conturbados e de agitação, é necessário descruzar os braços e mostrar a revolta que nos vai na alma. Quiçá, seja necessário, também, fazer o manguito como forma de protesto.

(José Amaral)

domingo, 8 de junho de 2008

O Prazer da leitura...

Mais uma sugestão de leitura e novamente de um escritor português de renome: Ramalho Ortigão. A obra, ainda da colecção Grandes Autores Portugueses (colecção 120 anos JN), desta feita é Histórias Cor-de-rosa. Também desta vez lamento a letra miudinha de um saboroso livrinho de 79 páginas. São pequenas, mas deliciosas histórias escritas num estilo muito sóbrio donde se destaca o sentido crítico do autor, bem como o austerismo e ao mesmo tempo a delicadeza da escrita de Ramalho.
Ramalho Ortigão nasceu no Porto onde viveu com sua avó materna, depois de frequentar o curso de direito, que não completou, dedicando-se ao jornalismo. Envolveu-se na “Questão Coimbrã” e acabou a enfrentar Antero de Quental num duelo de espadas, devido à sua ligação profissional com o romantismo que dominava as letras. Contudo, mais tarde veio a ser uma das principais figuras da “Geração de 70”. Construiu uma sólida amizade com Eça de Queirós.

(José Amaral)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Feira do Livro - Porto - 2008

No dia 7 de Junho de 2008, pelas 21:00 horas, estarei presente na Feira do Livro do Porto (a convite da Papiro Editora) num "Encontro de Poetas". É sempre uma oportunidade para rever amigos e para adquirir alguns livros a preços mais convidativos.
A todos os visitantes/amigos do Ad Litteram que queiram e possam estar presentes aqui fica o meu convite. Muito me honraria a vossa presença.
Apareçam e tragam um amigo!

(José Amaral)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Poema

Negra

Naquela pueril
face negra
aqueles
dois olhos grandes,
brancos,
lembram
os pólos
imaculadamente pacíficos.

O sorriso,
branco,
daquela pueril
face negra
lembra
a inocência
desta criança
que sorri
à pobreza
e às armas.

(in “Outonalidades”, José Amaral)

domingo, 1 de junho de 2008

"Menina e Moça"

Menos tempo disponível, e mais trabalho acrescido, não é sinónimo de não-leitura. Desta feita acabei de ler Menina e Moça, romance de Bernardim Ribeiro (Colecção 120 anos JN, 95 pág.). Esta edição tem a particularidade de estar escrita com o Português à época de Bernardim (século XV? – antes de 1557?), e só é pena estar grafado com uma letra muito miudinha.
Estamos na presença de uma obra, incompleta, de índole sentimental. A natureza aparece como “culpada” do estado de alma. Nesta obra encontramos uma comum nostalgia amorosa e o fatalismo do sofrimento (ex. Aónia e Bimuarder, Arima e Avalor), bem como constantes desencontros amorosos.
Vale a pena ler esta obra (fundamentalmente destinada a alunos do ensino secundário), pois trata-se de uma perturbante e enigmática obra.

(José Amaral)

sábado, 31 de maio de 2008

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Festeja-se anualmente a 1 de Junho (pelo menos em Portugal) o Dia Mundial da Criança.
Muitos países comemoram o dia das Crianças a 20 de Novembro, data que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece como dia Universal das Crianças por ser quando se comemora a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças.
Como dizia o poeta “o melhor do mundo são as crianças”. A todas as crianças do mundo um Feliz Dia da Criança!


"Qualquer criança me desperta dois sentimentos: ternura pelo que ela é e respeito pelo que poderá vir a ser." (Pasteur)
"Eduquem as crianças e não será preciso castigar os homens." (
Pitágoras)
"Cada criança chega-nos com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens."
(Tagore)
"Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças"
(Picasso)
"A alma das crianças é um espelho em que se retrata a natureza." (
Cícero)
"É vergonhoso insultar uma criança. Ela tem sentimentos, tem sua pequena dignidade e como não pode se defender com isso, é sem dúvida um ato ignóbil ferir tais sentimentos." (
Mark Twain)

(José Amaral)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Espectáculo dantesco

Dante Alighieri nasceu em Florença, em Maio ou Junho de 1265 e faleceu em Ravena, a 13 ou 14 de Setembro de 1321. Viveu a primeira parte da sua vida na sua cidade natal, antes de ser, injustamente, exilado. Foi um escritor, poeta (considerado o primeiro e mais importante poeta da língua italiana) e político italiano. Da sua vastíssima obra a mais conhecida é sem dúvida La Divina Commedia (“A Divina Comédia”).Esta obra descreve uma viagem de Dante através do Inferno, do Purgatório, e do Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio, autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz. O Purgatório é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. O poema chama-se "Comédia" não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens.

INFERNO


CANTO I (trecho inicial)

No meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva escura,
solitário, sem sol e sem saída.

Ah, como armar no ar uma figura
desta selva selvagem, dura, forte,
que, só de eu a pensar, me desfigura?

É quase tão amargo como a morte;
mas para expor o bem que encontrei,
outros dados darei da minha sorte.

Não me recordo ao certo como entrei,
tomado de uma sonolência estranha,
quando a vera vereda abandonei.

Sei que cheguei ao pé de uma montanha,
lá onde aquele vale se extinguia,
que me deixara em solidão tamanha,

e vi que o ombro do monte aparecia
vestido já dos raios do planeta
que a toda gente pela estrada guia.

Então a angústia se calou, secreta,
lá no lago do peito onde imergira
a noite que tomou minha alma inquieta;


e como náufrago, depois que aspira
o ar, abraçado à areia, redivivo,
vira-se ao mar e longamente mira,

o meu ânimo, ainda fugitivo,
voltou a contemplar aquele espaço
que nunca ultrapassou um homem vivo.

(...)


Tradução: Augusto de Campos

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Homenagem

O Bombeiro é um profissional/voluntário que possui treino adequado para apagar incêndios, resgatar pessoas em situação de perigo, salvaguardar bens materiais e ajudar e fornecer assistência nos desastres naturais e nos causados pelo homem. Em geral são profissionais que têm grande prestígio junto do público, nomeadamente o infantil, pois são vistos como heróis. Em Portugal, os bombeiros são popularmente conhecidos como Soldados da Paz. Há quatro tipos de Corpos de Bombeiros em Portugal: Profissionais (mais conhecidos por Sapadores), Voluntários, Militares e Privativos. A estes acrescem, ainda, os corpos mistos, compostos por Voluntários e Profissionais, denominados Bombeiros Municipais.
Hoje, 26 de Maio, comemora-se o Dia Nacional do Bombeiro. Estes homens e mulheres que, muitas vezes, arriscam a própria vida merecem o nosso respeito e a nossa homenagem.

(José Amaral)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Poeta russo

Joseph Brodsky nasceu a 24 de Maio de 1940 e faleceu a 28 de Janeiro de 1996. Este poeta russo foi vencedor do Prémio Nobel de Literatura em 1987.

XIII

Deveria dizer-te adeus
como a um dia que termina?
As memórias humanas podem esmorecer
tornar-se ténues e cair
como o cabelo.
O problema é
que atrás das suas costas não estão
camas de casal para amantes,
sono difícil, o passado,
ou dias em filas apertadas
de costas retesadas - mas, antes,
nuvens enormes, de borboletas,
volteando juntas.

Joseph Brodsky

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Sugestão de Leitura

Acabei de reler (a primeira vez que li já lá vão muitos anos) o livro Os Meus Amores de Trindade Coelho (Colecção 120 Anos JN, 190 pág.). É um livro de contos rurais editado em 1891. Para muitos é a principal obra do autor. Neste belíssimo livro encontramos um conjunto de histórias que evocam de forma saudosista a vida do campo, a recriação de gentes e lugares, motivada pela saudade, e velhas recordações de infância do mundo transmontano onde o autor cresceu. É uma obra-prima na forma como se apresenta ao leitor, permitindo-lhe desfrutar da mais refinada literatura. Os contos remetem-nos para evocações e quadros descritos com espontaneidade e simplicidade, compreensível a todos. Um toque de suave lirismo reforça-lhes o encanto e uma utilização da linguagem popular, em diálogos vivos, confere-lhe algum realismo. Nele encontramos contos como “A choca”, “Parábola dos sete vimes”, “Abyssus Abyssum”, “Para a Escola”…
Quantas e quantas vezes os nossos escritores ficam esquecidos, merecendo melhor sorte. Este livro vale a pena lê-lo e saboreá-lo. Aconselho-o vivamente!

(José Amaral)

sábado, 17 de maio de 2008

Poema para o fim-de-semana

Poema do fecho-éclair

Filipe II tinha um colar de oiro,
tinha um colar de oiro
com pedras rubis.
Cingia a cintura com cinto de oiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.

Na mesa do canto
vermelho damasco,
e a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da Terra,
foi senhor do Mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safiras, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo,
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.

O que ele não tinha
era um fecho-éclair.

(António Gedeão)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

2º ANIVERSÁRIO

No dia 12 de Maio de 2008 o Ad Litteram fez dois anos.!
Os muitos afazeres fizeram-me deixar passar, ligeiramente, a data. Faço um "mea culpa", qual pai desnaturado, pelo esquecimento que, evidentemente, não foi propositado.
A todos aqueles, e foram muitos, que ao longo destes dois anos visitaram (comentando ou não) o meu blog um sincero obrigado.

(José Amaral)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Manuel Alegre nasceu em Águeda, a 12 de Maio de 1936. Este poeta esteve exilado na Argélia durante o período Estado Novo. É membro destacado do Partido Socialista português, partido do qual foi fundador e Vice-Presidente.
Estudou
Direito na Universidade de Coimbra. Desde muito cedo demonstrou os seus ideais políticos. Destaca-se sobretudo a sua obra poética.
Recebeu numerosos prémios literários e o
Prémio Pessoa em 1999.
Aqui fica um poema da autoria de Manuel Alegre:


Canção tão simples

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?


(José Amaral)

domingo, 11 de maio de 2008

Surreal

Salvador Dalí nasceu em Figueres, a 11 de Maio de 1904, e aí faleceu a 23 de Janeiro de 1989. Este pintor catalão é o nome maior do Surrealismo. O seu trabalho chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica.
Salvador Dalí era um excêntrico. Tinha uma reconhecida tendência por atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua
arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos.

(José Amaral)
(Imagens retiradas da Internet)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sonhos...

Nesta Primavera que tarda em deixar de se travestir de Outono-Verão-Inverno nada melhor que mais uma sugestão de leitura. Volto a um autor que já aqui referi (Kafka à Beira-Mar e Em busca do Carneiro Selvagem) Haruki Murakami.
Desta feita a obra A Rapariga que Inventou um Sonho (Casa das Letras, 424 pág.) encontramos os vinte e quatro melhores contos de Murakami. A fantasia confunde-se com a realidade. Contos com um homem de gelo, um macaco ou corvos como personagens principais, não são vulgares… há personagens com perdas dolorosas… Há uma marca entre as histórias: melancólicas; as personagens também têm algo em comum: a solidão. Neste livro Murakami volta aos seus temas favoritos: o jazz, os pássaros, os gatos… Os contos são interessantes e prendem-nos do princípio ao fim.
Enquanto esta Primavera não se decide, vale a pena ler este belo livro.

(José Amaral)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Poema


Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor - muito melhor!
Do que tu. Não digas nada.
Sê Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

(Mário Cesariny)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Campanha PIRILAMPO MÁGICO 2008

A Federação Nacional de CERCI'S FENACERCI, vai lançar mais uma Campanha Pirilampo Mágico que irá decorrer entre 9 de Maio a 1 de Junho com o apoio da R.D.P. Antena 1.
Esta iniciativa, para além de constituir um meio de recolha de fundos que visa obviar às dificuldades financeiras com que muitas das Instituições se debatem, tem subjacente a sensibilização da Comunidade em geral para a problemática do cidadão deficiente mental e o papel interveniente que a todos cabe no processo da sua integração social e profissional.
Para que estes objectivos se alcancem, necessário se torna assegurar a colaboração com entidades de diversas áreas de que algum modo, possam cooperar neste esforço de tentar construir uma realidade diferente para o deficiente mental, onde palavras como solidariedade e oportunidade tenham, de facto, um verdadeiro significado.

(Fonte: Federação Nacional de CERCIS FENACERCI)
(José Amaral)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

"Homem Nobre"

Rabíndranáth Thákhur, mais conhecido por Tagore (que em sânscrito quer dizer “homem nobre”), nasceu em Calcutá, a 6 de Maio de 1861 e faleceu também em Calcutá, a 7 de Agosto de 1941. Este escritor, poeta e músico indiano, com formação filosófica, cria uma escola dedicada ao ensino das culturas e filosofias ocidentais e orientais. Sua obra poética compreende uma colecção de três mil poemas em língua bengali sobre temas religiosos, políticos e sociais. Em 1913 vence o Prémio Nobel da Literatura. Para Tagore “O homem só ensina bem o que para ele tem poesia”.


Poema de Despedida

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.

Rabindranath Tagore
(José Amaral)

Simplicidade

Mario Quintana nasceu em Alegrete, a 30 de Julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre, a 5 de Maio de 1994. Este poeta, tradutor e jornalista brasileiro é considerado o poeta das coisas simples e com um estilo marcado pela ironia, profundidade e perfeição técnica.

AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira
-em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida
-acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível
(José Amaral)

sábado, 3 de maio de 2008

DIA DA MÃE

Poema à mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!


(Eugénio de Andrade)[ Em Portugal, até há alguns anos atrás, o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria. ]
(José Amaral)

«Vazio»

Faz hoje (03MAI08) um ano que Madeleine McCann desapareceu da Praia da luz. O desaparecimento desta menina loirinha, com um traço único que a torna inconfundível (uma mancha no olho direito) foi notícia. Por todo o mundo se falou de Maddie, muito se disse, muitas hipóteses se levantaram - algumas assustadoras -, mas a menina ainda não apareceu... Vem isto a propósito para relatar uma daquelas coincidências. Ontem entre as 23 e a 01 da manhã estive a ver (em DVD) o filme português Alice.
Entre outros o filme conta com interpretações de qualidade de Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Miguel Guilherme. O filme começa quando já se passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez. Todos os dias Mário, o pai, que neste filme assume o papel de elo mais forte do casal, sai de casa e repete o mesmo percurso que fez no dia em que a filha desapareceu. A mãe acredita na justiça, mas aos poucos vai perdendo essa fé e a hipótese de encontrar a filha. A obsessão de encontrar a filha, aliada à esperança que acalenta em encontrá-la, leva Mário a instalar uma série de câmaras de vídeo que registam o movimento das ruas. No meio de todos aqueles rostos, daquela multidão anónima, que cruza as ruas de Lisboa, Mário procura uma pista, uma ajuda, um sinal...
Quer no filme, quer na realidade a dor brutal causada pela ausência de Alice/qualquer filho desaparecido é assustadora; pelo olhar do realizador podemos aperceber-nos como é a vida de quem “perde” um filho… Este pai, assim como muitos espalhados pelo mundo, tudo fez para encontrar a filha.
Vale a pena ver este filme, pois faz-nos reflectir, faz-nos sentir pequenos perante uma tragédia.

(José Amaral)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dia do Trabalhador

A 1 de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica. Exigiam a redução do horário de trabalho diário para oito horas. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração. Foram feridos e morreram dezenas de operários.
Os trabalhadores não se deixaram abater, pois achavam que eram horas diárias de trabalho a mais. Assim, no dia 5 de Maio de 1886 voltaram às ruas e foram novamente reprimidos
Em 1889 o Congresso Operário Internacional (COI), reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. Em 1890, os trabalhadores americanos conseguiram, finalmente, que a jornada de trabalho tivesse oito horas.
Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por Labor Day.
Na Europa o Dia do Trabalhador comemora-se sempre no dia 1 de Maio. Os trabalhadores aproveitam este dia para alertar o Governo e outras entidades para algumas das suas necessidades, tais como: direitos dos trabalhadores, aumento de salários e melhores condições.
Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio, passando a ser feriado.
Neste feriado há também quem comemore o dia de S. José, pois, em 1955, o Papa Pio XII fixou o dia 1 de Maio para “S. José Operário, o trabalhador”

(José Amaral)

Sugestão

Hoje foi noite de cinema! O filme escolhido foi Ponto de Mira (“Vantage Point”). Do leque de actores destacavam-se Dennis Quaid, Matthew Fox, Forest Whitaker, Sigourney Weaver, William Hurt, Zoe Saldana. É um emocionante thriller que nos mostra a beleza da tão próxima Salamanca. Naquilo que se supunha ser uma cimeira anti-terrorista vai desenrolar-se uma trama inesperada que nos mostra diferentes pontos de vista. Vale a pena ver!
Aqui fica a sinopse do filme:
«Thomas Barnes (Dennis Quaid) e Kent Taylor (Matthew Fox) são Agentes dos Serviços Secretos, designados para proteger o Presidente Ashton (William Hurt), numa cimeira sobre a guerra global contra o terror. Quando o Presidente Ashton é baleado, momentos após a sua chegada a Espanha, o caos instala-se. No meio da multidão, Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano, estava a gravar o acontecimento histórico para mostrar aos seus filhos no seu regresso a casa. Há também Rex (Sigourney Weaver), uma Produtora de Televisão Americana que é inquirida sobre a conferência. A terrível verdade sobre o atentado apenas nos é revelada à medida que observamos as perspectivas de todas as personagens, naqueles fatídicos 15 minutos antes e depois do tiro ter sido disparado».
(José Amaral)

domingo, 27 de abril de 2008

Dia Comemorativo

O dia 28 de Abril é comemorado anualmente, em todo o mundo, como Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. O objectivo é homenagear as vítimas de acidentes de trabalho e de doenças profissionais.
Foi em 1996 em Nova Iorque, na Organização das Nações Unidas, que teve lugar a primeira cerimónia. Aí foi aceso um memorial para recordar todos aqueles que perderam a vida enquanto trabalhavam ou que contraíram doenças relacionadas com a sua actividade profissional.
A data foi escolhida para coincidir com as Jornadas Nacionais de Luto do 28 de Abril, previamente adoptadas pelo Congresso Canadiano do Trabalho, e logo se estendeu a todo o mundo, por iniciativa de diversas organizações sindicais, sendo, em 2001 reconhecida e apoiada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Actualmente é celebrada oficialmente em inúmeros países.
Em Portugal, o dia 28 de Abril foi ainda instituído como Dia Nacional da Prevenção e Segurança no Trabalho, por uma Resolução da Assembleia da República.

(José Amaral)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Feriado do 25 de Abril


XXV/25

São cinco e vinte
do vinte e cinco de Abril!

Há cravos e multidões mil
que cheiram a Liberdade
e gritam vivas vermelhos
até à rouquidão da felicidade.

As pedras da calçada,
de forma admirada,
contemplam liberdades até aí
nunca imaginadas.
Os ajuntamentos são saudados,
os beijos andam à solta,
os ouvidos ganham paredes
e os soldados são vitoriados.

A neófita Revolução
está em marcha
e jamais poderá parar
assim a saiba, o País, implementar.


(in "25Abril/34Anos", José Amaral)

terça-feira, 22 de abril de 2008

DIA MUNDIAL DO LIVRO

No dia 23 de Abril, mais de 100 países comemorarão o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, que foi lançado pela UNESCO em 1996. A biblioteca da nossa escola também se preparou para celebrar este dia, exaltando a importância dos livros para a sociedade moderna. Assim, promoveu a «Feira do Livro» nos dias 21, 22 e 23 de Abril.
A ideia é promover a importância do livro como um instrumento de expressão, educação, comunicação e de divertimento.
Infelizmente, em Portugal, pouco se lê. Os livros são caríssimos e muitas são as outras “tentações” que afastam as pessoas da leitura. Um livro pode levar-nos a paragens ímpares, a histórias geniais…

Aqui ficam algumas ideias interessantes, e que nos fazem pensar, sobre os livros:
"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas." (Heinrich Heine)
"Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir." (Francis Bacon)
"Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós." (Franz Kafka)
"Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo."
(Herman Hesse)
"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo." (Joseph Addison)
"Um dos principais deveres do homem é cultivar a amizade dos livros." (Thomas Carlyle)
"Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre." (John Ruskin)
"Quem nunca está só." (Helder Simone)

(José Amaral)
Ainda sobre o lançamento do meu livro, leia-se a notícia na página "Furia Digital".

25 Abril - 34 Años (2008-04-20)


El sábado 19 de abril se celebró en el - Conservatorio José de Azeredo - de Viseu (Portugal), la presentación del libro: 25 Abril - 34 Años. La última obra de José Amaral, está llena de versos sobre aquella etapa en la historia de Portugal, en la que con claveles en la mano la gente salió a la calle. Y es que ya han pasado 34 años desde ese famoso 25 de abril.El escritor (el hombre de la izquierda), ha querido mostrar el sentimiento que produjo y sigue produciendo aquella fecha en muchos portugueses. (in www.furiadigital.net)
(José Amaral)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Lançamento do Livro

No sábado passado, 19 de Abril de 2008, foi o lançamento do meu mais recente livro de poesia 25 Abril/34 Anos. No Conservatório Regional de Música Dr. Azeredo Perdigão e na presença de muitos amigos o livro foi apresentado pelo Dr. João Paulo Balula.
Muitos foram os que gostariam de ter estado presentes, mas por muitos e variados factores não puderam.
Quem quiser adquirir o livro poderá encomendar para http://www.livrosnet.com/ ou procurar nas livrarias. Aqui fica um dos poemas do livro:




«Cravo
cravina
cravineta
a Revolução
é uma treta,
como a Lágrima de preta
do António Gedeão,
que não deu em nada
depois de analisada.

A madrugada ansiada
aportou com a marulhada
e dissipou-se na nevoaça
lançando o seu próprio país
nos ínvios caminhos da desgraça».




(in "25 de Abril/34 Anos", José Amaral)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Lançamento de Livro - Convite

Convido, juntamente com a Papiro Editora, todos os leitores do Ad Litteram, para o lançamento do meu novo livro de Poesia 25/34. Desta feita a temática é o 25 de Abril (a comemoração dos 34 anos).

O lançamento do livro é já no próximo sábado, 19 de Abril de 2008, pelas 15:00horas no Conservatório Regional de Música de Viseu - Dr. José de Azeredo Perdigão.

(José Amaral)




sábado, 12 de abril de 2008

Abertura do Palácio do Gelo

O Palácio do Gelo Shopping (re)abre portas, em Viseu, a 15 de Abril. Este complexo inaugurado em 1996 sofreu obras de ampliação e renovação.
O novo Palácio do Gelo, promovido pelo grupo Visabeira, tem 73.500 m2 de área bruta local. Terá 164 lojas e outras valências: uma pista de gelo, a maior área da região de médias superfícies especializadas (cultura, lazer, lar, equipamento pessoal…), piscinas, ginásio, squash e Spa.
Além disso tem um hipermercado com 11.500 m2 e a maior praça de restauração (5.000 m2 e 24 restaurantes), 6 salas de cinema (uma das quais digital).
Acresce, ainda, um terraço de 9.000 m2, um centro de inovação e desenvolvimento do Grupo Visabeira.
Estas e outras informações poderão ser consultadas em http://wwwpalaciodogelo.pt/.
Anunciado como o segundo maior centro comercial do país (logo atrás do CCColombo) e um dos maiores da Península Ibérica, o Palácio do Gelo irá, certamente, trazer mais visitantes e reforçar o nome da região/cidade quer no país, quer no estrangeiro.
Catarina Furtado dá a cara pelo novo Palácio do Gelo e estará presente na abertura.

(José Amaral)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poema


Gato

1

o gato
- pupilas de ladrão -
imprime no escuro
pegadas de algodão

tangenciando casas
dopadas de sonhar
os bigodes do gato
espetam o luar

2

o felino
procura mais
do que sardinhas
nas rondas animais:

talvez
respirar os segredos
que a noite oculta
atrás de seus dedos

talvez
o sentido da vida
que move seus gestos
à dúctil saída.

3

o gato
e seus rastos
espera amanhecer
para conter os astros

(Cláudio Feldman)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O Complexo de Di, de Dai Sijie (Dom Quixote, 312 página) foi o livro que acabei de ler. Trata-se de um livro que ganhou o Prémio Femina (2003).
No dizer do l’Express este livro é: «Um mergulho na China contemporânea, com o seu povo simples, os seus cheiros, os seus absurdos, este livro alia com mestria o humor da desesperança chinesa à subtileza da língua francesa».
É um livro algo intrigante, mas não é de todo desinteressante. Trata-se da história de Muo (pseudo-psicanalista) que morou vários anos em França e encontra-se de regresso à China. Está disposto a tudo fazer para salvar da prisão a sua amada (Vulcão da Lua Velha), condenada pelo terrível juiz Di por divulgar fotografias proibidas. Muo, encarna a pele de herói quixotesco deste romance, é um adepto de Freud e interpretador de sonhos; vai embarcar numa fantástica viagem através da China, na esperança de poder satisfazer o pedido inusitado que o corrupto juiz lhe faz em troco da liberdade da mulher que ama. O juiz Di é corrupto, mas o dinheiro pouco lhe diz. Aquilo que ele quer é uma jovem virgem, por coincidência ou não Muo também é virgem.
Como se pode ler na contracapa “Ao longo desta atribulada jornada Muo vai desvendando um país novo e multifacetado onde convivem lado a lado resquícios medievais e clarões de modernidade, que Dai Sijied escreve com humor, fantasia, virtuosismo e originalidade”.


(José Amaral)

sábado, 5 de abril de 2008

Vale a pena ver e... rever!

Fui ver o filme Nunca é Tarde Demais (da Warner Bros. Pictures numa produção da Zadan Meron/Reiner Greisman). O elenco já deixava antever tratar-se de um filme muito bom, daqueles que temos a certeza serem mesmo bons. E foi-o! Com dois nomes consagrados do cinema, Jack Nicholson e Morgan Freeman (dão um “show” de interpretação), este filme torna-se um hino à amizade.
Jack Nicholson é Edward Cole, um multi-milionário, e Morgan Freeman é Carter Chambers, um mecânico. Como podemos ver vivem em mundos muito diferentes.
Por obra e graça do destino, ou talvez não, ambos se cruzam num quarto de hospital (com doenças terminais) e descobrem que têm duas coisas em comum: um desejo de gastar o tempo que lhes resta a fazer tudo aquilo que sempre desejaram e uma necessidade inconsciente de se aceitar tal como são. A partir daqui, embarcam numa viagem que tem por objectivo eliminar uma lista (lista do bota-abaixo) de coisas que gostariam de fazer antes de morrer. Contra as ordens dos médicos, Edward e Carter embarcam numa viagem que os leva do Taj Mahal aos melhores restaurantes e a um sórdido salão de tatuagens. À medida que riscam pontos, descobrem que nunca é tarde para aproveitar a vida ao máximo.
Com este filme viajamos por locais maravilhosos, rimos às gargalhadas, transportamo-nos para um mundo de sonho.
Este hino à amizade revela-nos que nunca é tarde para se fazerem amigos, que nunca é tarde procurar a felicidade e que nunca é tarde viver a vida intensamente e até ao fim. Mais, nunca é tarde para ajudar quem precisa…

(José Amaral)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Um Papa Santo ou um Santo Papa?

João Paulo II (cujo nome de baptismo era Karol Józef Wojtyła) nasceu em Wadowice, Polónia, a 18 de Maio de 1920 e faleceu no Vaticano, 2 de Abril de 2005 (vítima da doença de Parkinson). Este Papa sucedeu a João Paulo I (16 de Outubro de 1978), tornando-se o primeiro Papa não-italiano em 455 anos e o mais novo Papa desde Pio IX. O seu pontificado foi o terceiro mais longo, com 26 anos.
Ao longo da sua vida Karol sofreu vários dissabores. Em 1929, perdeu a mãe Emília, vítima de doença nos rins. Em 1931, foi a vez do irmão morrer, vítima de escarlatina. Antes de completar 22 anos, Karol perdeu o pai. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial assistiu ao assassinato de vários dos seus amigos e colegas.
Karol tinha um grande fascínio pelo teatro e pela literatura, além de ser um atleta (chegou a actuar como guarda-redes de futebol numa equipa amadora de Wadowice). Ao longo do seu pontificado o Papa João Paulo II fez inúmeras viagens (esteve em Portugal por cinco vezes; numa delas 1981 foi vítima de um atentado), procedeu a numerosas beatificações e canonizações e escreveu 14 encíclicas.
No dia 13 de Maio de 2005, Bento XVI, seu sucessor, fez uma excepção à regra do Código de Direito Canónico em relação à beatificação de João Paulo II. O seu processo de beatificação foi aberto em 28 de Junho do mesmo ano.
Sempre nutri uma grande estima e admiração por João Paulo II que sabia motivar multidões e cativar os jovens. Foi um exemplo de sabedoria, de bondade, de sofrimento e de grande humanismo.

(José Amaral)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Sugestão Literária

E, porque não há duas sem três, recomendo outro livro do escritor húngaro Sándor Márai. Depois de já ter sugerido, aqui no Ad Litteram, os romances A Mulher Certa e A Herança de Eszter, deste autor, sugiro desta feita As Velas ardem até ao fim. Mais um belíssimo romance que se lê com agrado redobrado.
Trata-se da história sobre a amizade de dois homens: Henrik e Konrad. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Esta espera de quarenta e um anos em nada, aparentemente, abalou esta amizade. Um (Konrad), passou muito tempo (“fugido”) no Extremo Oriente, o outro (Henrik) permaneceu na sua propriedade sempre perturbado por algumas questões. Ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular.
Passados quarenta e um anos depois de um jantar, como tantos outros (nessa altura na companhia, também, de Krisztina – mulher de Henrik), os dois velhos amigos sentam-se a conversar. É quase um monólogo, extenso, por parte de Henrik. Nas suas imensas questões, e no silêncio do seu amigo, vai encontrando as respostas que lhe tiravam a paz de espírito. Descobre que Konrad quis matá-lo, mas foi cobarde; que a mulher o traíra com o seu melhor amigo…
No entanto, isso para o presente nada interessa.
Um romance em tudo interessante, quanto perturbador. Uma reflexão, nua e crua, sobre a amizade, a paixão e o passado que não volta mais…

(José Amaral)

sábado, 29 de março de 2008

Mudança da Hora - HORA DE VERÃO

Esta madrugada os relógios adiantam uma hora!

Portugal vai entrar na Hora de Verão é por isso que esta noite, em todo o país, os relógios adiantam uma hora. Teremos, assim, menos uma hora de sono.
Desta forma, e para cumprir o início da hora de Verão, à 01h00 da madrugada de Domingo os relógios adiantam para as 02h00 em Portugal continental.
(Na Madeira o procedimento é igual ao do continente. Nos Açores, e de acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, a hora muda às 00h00, devendo os relógios ser adiantados para a 01h00.
Esta mudança da hora deve-se a uma directiva comunitária que determina que os países da União Europeia devem entrar na Hora de Verão no último domingo de Março.

(José Amaral)