domingo, 17 de junho de 2007

Poema 1

Como reparei que o anterior poema, da autoria de Alexandre O’Neill, foi do agrado dos leitores aqui deixo um outro poema retirado de “Poemas com Endereço” (1962) do mesmo autor. Repare-se no jogo hábil de palavras, transformadas em trocadilhos, que o poeta usa para deleite de quem lê.

BILHETE-POSTAL A ALEXANDRE

PINHEIRO TORRES


Absinto-me cansado

na outonalma.

De absinto, no Outono,

encharco a alma…


Muito deve a literatura

ao absinto.

Em qualidade, muito mais

que ao tinto…


Ó Alexandre, manda-me absinto

na volta do correio,

Que eu já sinto, com tanto tinto,

estancar-se-me o veio…


(José Amaral)

sábado, 16 de junho de 2007

Poema


O ATRO ABISMO


Quando o poeta escreveu: «… o atro abismo!»,

Umas vírgulas por ele mal dispostas,

Irritadas gritaram: «É estrabismo!»


Mas um ponto que viveu no dicionário,

De admiração caiu de costas

E abismado seguiu seu destino…


(in No Reino da Dinamarca, Alexandre O’Neill)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Li, mas não gostei...


Acabei de ler o primeiro livro de José Rodrigues dos Santos: “A Ilha das Trevas”. Confesso que o livro não me agradou muito. Já tinha lido dois livros de JRS (“A Filha do Capitão” e “A Fórmula de Deus”) que até me agradaram, mas este não me agradou. Contudo, deixo aqui uma sinopse do livro:

«Paulino da Conceição é um timorense com um terrível segredo. Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão indonésia de 1975 e o referendo de 1999 que deu a independência ao país.

Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo – mas terá coragem para o fazer?

A vida e tragédia de uma família timorense serve de ponto de partida. Um romance pungente onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar.»

(José Amaral)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

O Dantas usa ceroulas de malha...

José Sobral de Almada Negreiros nasceu em Trindade, S. Tomé, a 7 de Abril de 1893. Faleceu em Lisboa, a 15 de Junho de 1970. Foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista português ligado ao grupo modernista.Também foi um dos principais colaboradores da Revista Orpheu.
Em 1915 sai o primeiro número da revista ORPHEU. Algum escândalo
Júlio Dantas deprecia o trabalho. Reacções à inovação. Critica a publicidade feita à revista. Afirma não haver justificação para o sucesso. Diz que os autores são pessoas sem juízo.
A 21 de Outubro do mesmo ano estreia-se a peça Soror Mariana. O autor é Júlio Dantas. Almada vai agora reagir. Publica o Manifesto Anti-Dantas e por extenso. O manifesto não é apenas contra Dantas. É uma reacção contra uma geração tradicionalista, uma sociedade burguesa, um país limitado.
Aqui fica um excerto do “Manifesto”. Para ler na íntegra consultar:
http://www.prof2000.pt/users/tomas/manifesto_anti.htm

«UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!
O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!
O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!
O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!»

(excerto do “Manifesto Anti-Dantas”, Almada Negreiros)

(José Amaral)

terça-feira, 12 de junho de 2007

Santos Populares

Santo António de Lisboa nasceu em Lisboa, a 15 de Agosto de 1195 e faleceu em Pádua, a 13 de Junho de 1231. O seu nome de baptismo era Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo e era filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa Taveira Azevedo. É também conhecido como Santo António de Pádua, por ter vivido e falecido nessa cidade italiana.Santo António é o padroeiro da cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é o feriado municipal desta cidade. As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.
Com a festa de S.to António começam as festas dos Santos Populares. Aqui fica uma Quadra Popular, de Fernando Pessoa, a saudar essas comemorações:

“Santo António de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.”


(José Amaral)

Queres fiado...


Zé Povinho é uma personagem de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro. Apareceu pela primeira vez no 5º exemplar de “A Lanterna Mágica” a 12 de Junho de 1875, num desenho alusivo aos impostos onde representa Fontes Pereira de Melo vestido de S.to António com o "menino" D. Luís I ao colo, enquanto Serpa Pimentel (Ministro da Fazenda) sacava o dinheiro do Zé que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça vestido com um fato rural gasto e roto.
O próprio Rafael Bordalo Pinheiro diz "O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e...fica como sempre...na mesma".
Quantas vezes não nos apetece, perante as mais diversas situações, fazer o célebre manguito? Quantas vezes já vimos a inscrição: “Queres fiado? Toma!”.

(José Amaral)

sábado, 9 de junho de 2007

"A Portuguesa"

A Portuguesa

Heróis do mar, nobre povo,

Nação valente, imortal,

Levantai hoje de novo

O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,

Ó Pátria sente-se a voz

Dos teus egrégios avós,

Que há-de guiar-te à vitória!


Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!


Desfralda a invicta Bandeira,

À luz viva do teu céu!

Brade a Europa à terra inteira:

Portugal não pereceu

Beija o solo teu jucundo

O Oceano, a rugir d'amor,

E teu braço vencedor

Deu mundos novos ao Mundo!


Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!


Saudai o Sol que desponta

Sobre um ridente porvir;

Seja o eco de uma afronta

O sinal do ressurgir.

Raios dessa aurora forte

São como beijos de mãe,

Que nos guardam, nos sustêm,

Contra as injúrias da sorte.


Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!



(Música: Alfredo Keil

Letra: Henrique Lopes de Mendonça)

Dia de Portugal


Amanhã, 10 de Junho, comemora-se o Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas.

«As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram»;

(in “Os Lusíadas”, Luís de Camões)



O dia em que nasci moura e pereça,


O dia em que nasci moura e pereça,

Não o queira jamais o tempo dar;

Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,

Eclipse nesse passo o Sol padeça.


A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,

Mostre o Mundo sinais de se acabar,

Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,

A mãe ao próprio filho não conheça.


As pessoas pasmadas, de ignorantes,

As lágrimas no rosto, a cor perdida,

Cuidem que o mundo já se destruiu.


Ó gente temerosa, não te espantes,

Que este dia deitou ao Mundo a vida

Mais desgraçada que jamais se viu!


(Luís de Camões)


Já agora vale sempre a pena consultar estes dois sítios interessantíssimos:
http://www.presidencia.pt/diadeportugal2007/
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/index.html

(José Amaral)

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Corpo de Deus

A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus, começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV, em 1264.
Chegou a Portugal, provavelmente, nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa.



A palavra Deus

Recebi-a
já esvaziada
de rituais e incenso,
só o nada com Bach
onde cabia
tudo o que lhe metíamos dentro,
sangue nos pés de rasgar matos,
sol doente,
a névoa dos rios sem destino
– neste mundo que os rumos exactos
tornam mais incoerente.

Entretanto no pátio da escola,
saltos de luz em espelhos
os outros meninos riam
por verem tudo explicado
com uma sílaba tão fácil
que só magoava os joelhos
(mas depois brincava-se nos intervalos.)

Eu não.

Preferia viver rodeado de mistérios.
E acrescentá-los.

("Poesia V" - Memória - II - de José Gomes Ferreira - 1959)



(José Amaral)

domingo, 3 de junho de 2007

Triatlo

Vanessa Fernandes consegue feito inédito ao vencer pela quinta vez seguida
A atleta portuguesa Vanessa Fernandes venceu este Domingo a prova de Madrid a contar para a Taça do Mundo de Triatlo, a quinta consecutiva, o que constitui uma sequência inédita.
Com esta vitória, Vanessa Fernandes ampliou a vantagem na liderança do ranking mundial de 2007. Anais Moniz, a outra atleta portuguesa presente na prova, terminou na 27ª posição, a 5.42 minutos de Vanessa Fernandes.

(in “MaisFutebol”, 03JUN07)

Esta jovem atleta portuguesa não pára de nos surpreender. Sem a publicidade do futebol leva e eleva o nome de Portugal nos quatro cantos do mundo. Os feitos de Vanessa só nos podem encher de orgulhos e fazem-nos sonhar com os Jogos Olímpicos de 2008. Força, Vanessa!

(José Amaral)

sábado, 2 de junho de 2007

Citações



“En política solo triunfa quien pone la vela donde sopla el aire; jamás quien pretende que sople el aire donde pone la vela”:

(Antonio Machado)

“Errar es humano. Culpar a otro es política”.

(Hubert H. Humphrey)

“La política es el arte de buscar problemas, encontrarlos, hacer un diagnóstico falso y aplicar después los remedios equivocados”.

(Groucho Marx)

“Apparently, a democracy is a place where numerous elections are held at great cost without issues and with interchangeable candidates”.

(Gore Vidal)

“The empires of the future are the empires of the mind”.

(Winston Churchill)

“O Estado é o mais frio de todos os monstros frios. Mente friamente, e esta mentira rasteja de sua boca: “Eu, o Estado, sou o povo.” É uma mentira. Só onde termina o Estado, começa o homem”.

(Nietzsche)

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”.

(Albert Einstein)

Política é a arte de governar os povos”.

(Aristóteles)

“Tous les princes ont vaincu les armes à la main ou ont péri étant désarmés”.

(Maquiavel)

(José Amaral)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Dia Mundial da Criança


A celebração da infância, comemorada em todo mundo pelas crianças e com as crianças. Festeja-se anualmente a 1 de Junho. Hoje comemora-se o Dia Mundial da Criança.

“As crianças têm duas coisas em comum: fecham os ouvidos aos conselhos e abrem os olhos aos exemplos”

(Anónimo)

“Todas as crianças são inspiradas, nada têm a invejar aos poetas, que são pura e simplesmente crianças

(Jean Paul Sartre)

A todas as crianças do mundo: Feliz Dia da Criança!

(José Amaral)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Definição de Poesia

Boris Pasternak nasceu a 10 de Fevereiro de 1890, em Moscovo. Este filho de um professor de pintura e de uma pianista viria a falecer em 31 de Maio de 1960.
Em 1958 ganhou o Prémio Nobel de Literatura, mas não foi autorizado a recebê-lo por razões políticas.

Aqui vos deixo este belo poema de Pasternak, numa tradução de Haroldo de Campos:


Definição de Poesia

Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto desafio.

Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas -
Geada no canteiro, tombado.

Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim uma estrela
Nas palmas húmidas, tiritando.

Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.


(José Amaral)

sábado, 26 de maio de 2007

Obra Prima

Acabei de reler (tinha-o lido pela primeira vez o ano transacto) o livro de Gonçalo M. Tavares, “Jerusalém”. É um livro interessantíssimo e que recomendo vivamente.
A forma como Gonçalo M. Tavares escreve, primeiro surpreende, mas depois torna-se familiar. Uma escrita melíflua. A exemplo da ideia de Fernando Pessoa, acerca de determinada bebida, “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. Esta obra, qual íman, prende-nos num fôlego de leitura e quase nos obriga a adiar tarefas hodiernas, para chegar ao final. Para descobrir qual o fim de Mylia e demais personagens desta sociedade em crise. Para reflectir sobre as coisas mundanas que nos escapam, por vezes, numa despreocupação desmedida. É preciso parar, nas linhas deste livro, para ler nas entrelinhas do mesmo e, para ler as linhas da vida.
O leitor é convocado para um tipo de humor ao bom estilo pastiche (não que Gonçalo M. Tavares queira imitar alguma obra, tem um estilo bem próprio), uma tentativa de desdramatizar o social. Um humor intelectual que provoca o riso ou a gargalhada certos.
Há tentativas em tornar os indivíduos alegres, não-tensos ou não-deprimidos. Talvez Hinnerk na sua relação com a prostituta seja o expoente mais visível. A prostituta suporta-o, talvez por caridade, mas para que ele não cometa nenhuma loucura. Porém, também ela começa a interiorizar as obsessões dele, talvez para aguentar a pressão da profissão.

Aqui fica uma breve sinopse:
"Num universo dominado pela loucura, entrecortado por reemergências subliminares de experiências de guerra, Jerusalém, a cidade e o lugar mítico, funcionam neste livro como metáfora para a construção de uma possível (e prometida) "terra dos homens" em que se debate o conhecimento do humano, se testa a pulsão ideológica e o determinismo comportamental. Numa técnica que se aproxima da teatral - através dos títulos dos capítulos que nomeiam as personagens que entram nos mesmos - o narrador vai construindo um discurso e entrecruzando cronologicamente os factos para a criação de um todo que, entre a ficção e o ensaio, encena o confronto do homem na interrogação sobre o Destino, o Acaso, o Absurdo. Actual e universal, num domínio claro das técnicas da narrativa, Jerusalém de Gonçalo M. Tavares, convida à reflexão e transporta para a ficção as bases de um ensaio."


(José Amaral)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Poema

A Escrava Feia


Na juventude, eu não sabia

Qual era o sabor da melancolia.

Gostava de subir aos altos pavilhões,

E fazer lá versos muito melancólicos.

Porém agora, tendo-lhe conhecido

O gosto, já não quero

Falar mais dela, não,

Digo apenas: «Um dia fresco, que belo Outono».


(Xin Qiji, China

Trad. Gil de Carvalho)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Fahrenheit


Daniel Gabriel Fahrenheit nasceu em Dantzig, a 24 de Maio de 1686. Faleceu em Haia, a 16 de Setembro de 1736. Este físico alemão era o mais novo dos cinco filhos que sobreviveram à infância (dois filhos e três filhas). Um acidente com o consumo de cogumelos venenosos causou a morte de seus pais.
Entretanto, o seu interesse por ciências naturais causou nele o gosto pelo estudo e experimentações nesse campo. Fahrenheit foi estudar para Amesterdão, onde teve lições em Química.
A escala de temperatura Fahrenheit ainda é utilizada nos países anglo-saxões. Quando Fahrenheit construiu seu primeiro termómetro, usou álcool. Depois passou a usar mercúrio, obtendo melhores resultados.

(José Amaral)

domingo, 20 de maio de 2007

Man Booker Prize 2006


Acabei de ler o livro “A Herança do Vazio” da indiana Kiran Desai. Aos trinta e cinco anos, com este romance, Kiran tornou-se na mais nova mulher de sempre a ganhar o “Man Booker Prize”. “Neste magnífico romance, vencedor do Man Booker Prize 2006, a autora como que cria uma tapeçaria em que todas as personagens partilham uma herança comum de impotência e humilhação. E, com uma mestria sublime, consegue, ao longo de toda esta poderosa saga familiar, deixar sempre em aberto um desfecho de esperança ou de traição”.
Atente-se em algumas críticas que lhe são feitas. Para Pankaj Mishra, do New York Times : "Magnífico... extraordinário... iluminado por uma consciência moral, simultaneamente terna e feroz". Para a Vogue: "Uma reflexão sobre a incompatibilidade dos laços do amor e do dever" Na opinião do The New Yorker: "Caracterizando-se por um ritmo célere e uma escrita sumptuosa, o romance pondera questões de nacionalidade, modernidade e classe, de uma forma tão comovente quanto reveladora"
É um livro interessante, muito bem escrito, e que nos faz pensar em várias questões. O Ad Litteram sugere a sua leitura e deixa aqui uma pequena sinopse.


Sinopse:
«No nordeste dos Himalaias, numa casa isolada no sopé do monte Kanchenjunga, vive Jemubhai, um velho juiz amargurado, que tudo o que quer é reformar-se em paz, na companhia da única criatura a quem é capaz de dar algum afecto, a sua cadela Mutt. No entanto, a chegada inesperada da neta órfã, Sai, abalará o seu sossego, obrigando-o a remexer as suas memórias e a repensar a sensação de estranheza na própria pátria.
Tudo isto se acentuará com o romance entre Sai e Gyan, um nepalês que se envolve numa revolta que alterará inquestionavelmente a vida de Jemubhai.
A serenidade da vida do juiz contrasta com a existência do filho do seu cozinheiro, Biju, que saltita sucessivamente de restaurante em restaurante, em Nova Iorque, à procura de emprego, numa fuga constante aos Serviços de Imigração. Julgando que o filho leva uma vida boa e que acabará por vir resgatá-lo, o cozinheiro vai arrastando os seus dias».

(José Amaral)

Sismos...


Giuseppe Mercalli nasceu a 21 de Maio de 1850, em Milão. Faleceu em 19 de Março de 1914, em Nápoles. Foi este vulcanólogo italiano que desenvolveu a Escala de Mercalli (muito utilizada antes da invenção da Escala de Richter). Apesar de tudo, a escala de Mercalli está hoje quase fora de uso, sendo usualmente substituída pela escala de Richter, que mede a magnitude dos sismos
A escala de Mercalli (Modified Mercalli Intensity Scale) tem uma importância apenas qualitativa e não deve ser interpretada em termos absolutos, uma vez que depende de observação humana. Por exemplo, um sismo de grau 8 na escala de Richter num deserto inabitado é classificado como I na escala de Mercalli, enquanto que um sismo de menor magnitude sísmica, por exemplo 5, numa zona onde as construções são débeis e pouco preparadas para resistir a terramotos, pode causar efeitos devastadores e ser classificado com intensidade IX.A intensidade classifica o grau do tremor.
A intensidade da escala de Mercalli é expressa em numerais romanos – I a XII – e é puramente descritiva.


(José Amaral)

sábado, 19 de maio de 2007

Mário Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa, a 19 de Maio de 1890. Morreu (suicidou-se) em Paris, a 26 de Abril de 1916. Este poeta, contista e ficcionista português, foi um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.

Álcool
 
Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longemente em procissão;
Volteiam-me crepúsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxidão.
 
Batem asas de auréola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de cor e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,
Descem-me a alma, sangram-me os sentidos.
 
Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além...
 
Corro em volta de mim sem me encontrar...
Tudo oscila e se abate como espuma...
Um disco de oiro surge a voltear...
Fecho os meus olhos com pavor da bruma...
 
Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eternizo?
 
Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi álcool mais raro e penetrante:
É só de mim que ando delirante
Manhã tão forte que me anoiteceu.
 
                       

(José Amaral)

Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu em Dublin, a16 de Outubro de 1854. Faleceu em Paris, a 30 de Novembro de 1900. Este escritor irlandês foi condenado, e encarcerado por dois anos que consumiram sua saúde e fulminaram sua reputação.

Foi libertado a 19 de Maio de 1897. Oscar Wilde morreu de um violento ataque de meningite (agravado pelo álcool e pela sífilis). Aqui fica um poema de Wilde:


In the forest

Out of the mid-wood's twilight
Into the meadow's dawn,
Ivory limbed and brown-eyed,
Flashes my Faun!

He skips through the copses singing,
And his shadow dances along,
And I know not which I should follow,
Shadow or song!

O Hunter, snare me his shadow!
O Nightingale, catch me his strain!
Else moonstruck with music and madness
I track him in vain!

(José Amaral)

domingo, 13 de maio de 2007


Amapolas

Amigo…

En el cielo,

donde crecen

amapolas centellantes

como perlas,

la noche empieza a desnudarse.


Al ponerse el sol

todas las aves

cantan melodías en sus nidos.


Vosotros quedáis solitarios!


Tinieblas soñadoras

por entre las nubes

guardan en su corazón

las claras mañanas.


Cuando renace la aurora

las amapolas,

que a la brisa ondean,

sueñan con suaves besitos

del rocío

e

vosotros quedáis solitarios

entre las hojas de hierba

de los campos.


(in “Outonalidades”, José Amaral)

sábado, 12 de maio de 2007

1º Aniversário


Faz hoje um ano que nasceu o Ad Litteram, está por isso de Parabéns. Não é só o blog que está de parabéns. Também estão de parabéns aqueles que visitaram o meu blog e que deixaram - ou não - o seu comentário.
A todos, o meu sincero Obrigado!...

(José Amaral)

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Surreal


Salvador Dalí nasceu em Figueras, Catalunha, na Espanha, em 11 de Maio de 1904. Desde cedo revelou talento para o desenho e o pai, um tabelião, mandou-o a Madrid, onde conheceu Luís Buñuel e o poeta Federico García Lorca, para estudar na Escola de Belas-Artes de San Fernando, da qual seria expulso anos depois.

Em 1928, persuadido pelo pintor catalão Joan Miró, transferiu-se para Paris e aderiu ao movimento surrealista. Foi por essa época que conheceu a mulher do poeta Paul Éluard, Gala, sua futura companheira e modelo.

A sua exposição de 1933 deu-lhe fama internacional e Dalí lançou-se, então, a uma vida social repleta de provocações e excentricidades. Essa atitude, por alguns considerada mistificadora e venal, aliada a uma postura apolítica, provocou sua expulsão do grupo surrealista.

Durante a segunda guerra mundial, Dalí radicou-se nos Estados Unidos, perto de Hollywood, e colaborou em alguns filmes. No final da década de 1940 regressou à Espanha e deu início a uma fase inspirada em obras-primas de pintores do passado.

Posteriormente, alternou a pintura com o desenho de jóias e a ilustração de livros. Enquanto isso, sucediam-se as retrospectivas de sua obra.

Em 1974 foi inaugurado em Figueras o Museu Dalí. Oito anos depois morreu Gala, facto que incidiu negativamente sobre sua actividade artística.

Em 23 de Janeiro de 1989, na mesma Figueras natal, morreu Salvador Dalí.


Vale a pena consultar:

http://www.sergiosakall.com.br/artistas/personalidade_dali.html

http://www.salvadordalimuseum.org/home.html

http://www.daligallery.com/

(José Amaral)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Dia da Europa

Europa

Uma brisa atlântica abraça a Lisboa adormecida
O vento do Cáspio desperta Baku
Maior que oriente, maior que ocidente
4000 quilómetros entre elas
Para uma pátria infinita

Identidade formada em pedra, tela e papel
Herança em cada esquina
Cultura conferida numa canção de embalar
Paixão numa poeirenta garrafa de vinho
Alma incarnada no voo do falcão

Experiente, céptica, irónica, austera, erótica
Um velho continente enfrentando as provações do futuro
Porta após porta na congestão do tempo
Perdurando para além de efígies cabotinas do destino
Perguntando-te, o que fizeste por ela?

Guerras virtuosas devêm obsoletas
Mas a luta jamais está completa
Um combate silencioso para construir
Tijolos que procuram um lugar numa nação
Nossa missão, nosso dever, nosso destino


(M. Daedalus)

Em 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada (o que hoje é a União Europeia), requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas.

Actualmente o dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu (Dia da Europa) que constitui uma oportunidade para desenvolver actividades e festejos que aproximam a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si.

(José Amaral)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Pirilampo Mágico - Campanha 2007


Pirilampo Mágico 2007: está de volta a magia da solidariedade!

Cerca de 8000 crianças e jovens com deficiência mental e multideficiência, integrados em 51 Associadas, dispersas por todo o país, estão em festa, para comemorar mais um Aniversário do Pirilampo Mágico. E para além destas, outras tantas que são apoiadas por organizações não associadas que beneficiam desta que é a mais emblemática das iniciativas de solidariedade em Portugal. No total, quase uma centena de organizações de apoio à pessoa com deficiência mental, mobilizam durante as três semanas em que decorre a iniciativa milhares de técnicos, colaboradores, pais e simples cidadãos, que, com o seu contributo desinteressado, ajudam a fazer da diferença uma mais valia para a sociedade.

Neste Ano Europeu de Igualdades de Oportunidades para Todos, gostaríamos que o Pirilampo Mágico fosse de 5 a 26 de Maio, um pretexto para discutir e promover os direitos da pessoa com deficiência mental, nas múltiplas actividades que irão decorrer por todo o País.

Do programa preparado para este ano, constam várias actividades inovadoras, onde se destaca uma carruagem da CP, decorada com materiais executados por pessoas com deficiência e informação alusiva ao trabalho das Cerci’s e à Campanha Pirilampo Mágico, que percorrerá vários pontos do país.

Outra das actividades passa pela colocação de trabalhos artísticos executados por pessoas com deficiência em vários museus nacionais, para que os visitantes possam tomar contacto com o trabalho destes artistas que muitas vezes passam ignorados ou despercebidos.

Contamos ainda com Mega Pirilampos que serão decorados por várias figuras públicas nacionais, dos vários quadrantes artísticos, políticos e sociais, e que certamente não deixarão de despertar o interesse da opinião pública.

Neste ano de 2007, haverá ainda lugar a uma acção de grafitti, em locais previamente designados para o efeito e que terão por tema a Campanha e os objectivos que se propõe atingir.

Todas estas actividades serão, como habitualmente, objecto de ampla difusão, através de entrevistas tanto na rádio como na televisão.

Dado que o sucesso desta Campanha assenta na divulgação, vimos mais uma vez solicitar a vossa prestimosa colaboração nesse domínio, na certeza de que, com o vosso apoio, chegaremos mais longe e de forma mais eficaz a todos os destinatários. Acreditamos, como há 21 anos, que com a colaboração de todos, a solidariedade é possível e a igualdade de oportunidades poderá ser uma realidade. Contamos convosco!

in http://www.fenacerci.pt/Canal0_pirilampo/Pirilampo2007.htm

Ora aqui está uma iniciativa que vale a pena apoiar!...

(José Amaral)

Ontem aconteceu...

A portuguesa Vanessa Fernandes, tricampeã da europeia, venceu ontem (6MAI07) a etapa de Lisboa da Taça do Mundo de triatlo, impondo-se em 2:04.45 horas, e ascendeu à liderança do ranking mundial. Na primeira prova da Taça do Mundo disputada em Lisboa, a atleta lusa, de 21 anos, cortou a meta no Pavilhão Atlântico com mais de um minuto de vantagem sobre a segunda classificada, a britânica Michelle Dillon, e a terceira, a alemã Christiane Pilz. Esta foi a 15ª vitória de Vanessa Fernandes em etapas da Taça do Mundo.



O maestro português Rui Massena dirigiu ontem, domingo 6 de Maio, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, a New England Symphonic Ensemble, numa interpretação do Concerto para piano e orquestra nº 3 de Beethoven, a abertura do «Prometeus», com Antonio DiCristofano ao piano.
O jovem maestro titular da Orquestra Clássica da Madeira disse que a actuação no Carnegie Hall foi um dos pontos altos da sua carreira. «É o desaguar de uma série de experiências que eu tenho tido ao longo destes anos em que sou director de orquestra», afirmou Rui Massena, confessando-se «muito feliz».




O PSD, através do seu líder Alberto João Jardim, alcançou ontem (6MAI07) nas eleições regionais (Madeira) antecipadas o segundo melhor resultado do partido no arquipélago desde 1976, com 64,02 por cento dos votos, enq

uanto os socialistas, com 15,42 por cento, tiveram a sua segunda pior derrota. Foi igualmente nesse ano que os socialista alcançaram o pior resultado desde 1976 no arquipélago, ficando pelos 15 por cento dos votos.
Ontem, nas primeiras eleições antecipadas na região autónoma, o PSD voltou a subir e o PS a descer: 64,20 por cento dos votos, contra 15,42 por cento.



Ontem (6MAI07), em França, também foi dia de eleições. O candidato conservador Nicolas Sarkozy venceu a segunda volta das presidenciais francesas com uma votação clara de 53,06 por cento dos votos, contra os 46,94 por cento obtidos pela sua rival, a socialista Segolène Royal. Segundo os resultados finais oficiais, divulgados pelo Minis

tério do Interior francês, a participação dos eleitores foi a mais elevada dos últimos 40 anos, com 84,76 por cento dos 44,5 milhões inscritos a votarem no dia de hoje.

No seu discurso de vitória, pronunciado na sede de campanha, cerca de meia-hora depois do anúncio dos resultados das sondagens à boca das urnas, Nicolas Sarkozy, 52 anos, prometeu ser o presidente de todos os franceses e manifestou respeito pela sua rival, «pelas suas ideias» e «pelos milhões de franceses que votaram nela».



(José Amaral)

sábado, 5 de maio de 2007

DIA DA MÃE - 06 Maio 2007

No primeiro Domingo do mês de Maio, em Portugal, celebra-se o Dia da Mãe. Esta é a singela homenagem que o ad litteram faz a todas as mães, através deste belíssimo poema de Eugénio de Andrade.


Poema à mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!


(José Amaral)

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Mário Quintana

Mario Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de Julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo.
Mário Quintana morreu a 5 de Maio de 1994.


Se eu fosse um padre


Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!


(Mário Quintana in "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo)


(José Amaral)


terça-feira, 1 de maio de 2007

A morte de um Campeão

Ayrton Senna nasceu em São Paulo, a 21 de Março de 1960. Faleceu em Bolonha, no dia 1 de Maio de 1994, quando disputava o GP de San Marino. A sua morte deixou o mundo incrédulo. Ayrton venceu por três vezes o campeonato mundial de Fórmula 1. É considerado um dos maiores nomes do desporto brasileiro e um dos mais importantes pilotos de automobilismo de todos os tempos.

(José Amaral)

Mês do Coração


"Um coração agradecido não é somente a maior das virtudes, ele é a origem de todas as outras."
(Cícero)

"A fé é uma função do coração. Deve ser imposta pela razão. As duas coisas não são antagónicas, como pensam algumas pessoas. Quanto mais intensa a fé, mais profunda se torna a razão. Quando a fé se torna cega, inevitavelmente morre."
(Mahatma Gandhi)

"O essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração."
(Antoine de Saint-Exupéry)

"Educação é coisa do coração."
(S. João Bosco)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Romance Histórico

Acabo de ler “Só ao Bispo me confesso”, um livro de Margarida Pedrosa. É um livro interessante e que se lê com agrado. Nesta narração, confundem-se a história do reinado de D. João II, os êxodos judaicos e perseguições inquisitoriais, a descoberta das Américas. Segundo a autora este livro é um manifesto pedagógico, porque: “É preciso que o povo português conheça e sinta a História. Aquele que esquece o seu passado está condenado a repetir os mesmos erros”.

Sinopse:
«Inês de Toledo, feiticeira e física da corte de D. João II, estava preparada para morrer na Praça do Giraldo, em Évora. O povo acotovelava-se para assistir ao sacrifício e na tribuna apenas falta o bispo. Quando este chega, Inês reconhece nele Miguel de Olivença, o homem que tinha amado toda a vida e que julgava morto nas galés. Por isso, para o poder ver de novo, pede como desejo para só a ele se confessar e a ele deixar a sua verdade. Só ao Bispo me Confesso é um romance histórico envolvente, mágico e cativante. Com ele conhecemos detalhes sempre esquecidos da nossa história, desde a espionagem e a política de sigilo aos piratas e corsários, passando pelas ordens religiosas ou pelos sonhos de além-mar, elementos que surgem nas palavras de Inês de Toledo com um realismo enternecedor».

(José Amaral)