
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de Junho de 1888 e faleceu na Capital Portuguesa a 30 de Novembro de 1935. Poeta e escritor português.Durante sua discreta vida, actuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na Literatura.
Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos.
Já não me importo
Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.
Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei
Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,
Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,
Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.
E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.
(Fernando Pessoa)
Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.
Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei
Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,
Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,
Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.
E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.
(Fernando Pessoa)
Oscar Wilde nasceu em Dublin, a 16 de Outubro de 1854 e faleceu em Paris, a 30 de
Novembro de 1900. Escritor irlandês foi criado numa família protestante. Sempre teve uma vida social agitada.Em 1883, vai para Paris e entra para o mundo literário local, o que o leva a abandonar seu movimento estético.
Soneto à Liberdade
Não que eu ame teus filhos cujo olhar obtuso
Somente vê a própria e repugnante dor,
Cuja mente não sabe, ou quer saber, de nada
É que, com seu rugir, tuas Democracias,
Teus reinos de Terror e grandes Anarquias
Reflectem meus afãs extremos como o mar,
Dando-me Liberdade! - à cólera uma irmã.
Minha alma circunspecta gosta de teus gritos
Confusos só por causa disso: do contrário,
Reis com sangrento açoite ou seus canhões traiçoeiros
Roubavam às nações seus sagrados direitos,
Deixando-me impassível e ainda, ainda assim,
Esses Cristos que morrem sobre as barricadas,
Deus sabe que os apoio ao menos parcialmente.
(Oscar Wilde)
Não que eu ame teus filhos cujo olhar obtuso
Somente vê a própria e repugnante dor,
Cuja mente não sabe, ou quer saber, de nada
É que, com seu rugir, tuas Democracias,
Teus reinos de Terror e grandes Anarquias
Reflectem meus afãs extremos como o mar,
Dando-me Liberdade! - à cólera uma irmã.
Minha alma circunspecta gosta de teus gritos
Confusos só por causa disso: do contrário,
Reis com sangrento açoite ou seus canhões traiçoeiros
Roubavam às nações seus sagrados direitos,
Deixando-me impassível e ainda, ainda assim,
Esses Cristos que morrem sobre as barricadas,
Deus sabe que os apoio ao menos parcialmente.
(Oscar Wilde)
(José Amaral)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009

IV
O país vive anestesiado
numa dor imposta
pela lei do “manda quem pode,
obedece quem deve”.
Na gaiola da opressão,
e enquanto o silêncio
do bâton azul do lápis
serve para postergar
a Liberdade de expressão,
a velha ave de rapina
cai da cadeira.
O povo esperançado,
pela queda do velho senhor,
procura na Revolução exorcista
solução para a dita dor.
O país vive anestesiado
numa dor imposta
pela lei do “manda quem pode,
obedece quem deve”.
Na gaiola da opressão,
e enquanto o silêncio
do bâton azul do lápis
serve para postergar
a Liberdade de expressão,
a velha ave de rapina
cai da cadeira.
O povo esperançado,
pela queda do velho senhor,
procura na Revolução exorcista
solução para a dita dor.
(José Amaral, in "25 de Abril/34 anos")
domingo, 15 de novembro de 2009
Eu tolero, tu toleras, ele tolera?...
Existem duas acepções principais da palavra tolerância. Uma é o “respeito e consideração face às práticas dos outros, ainda que sejam diferentes das nossas”. A outra, que revela o seu sentido mais específico, sublinha que “tolerar é permitir algo que não se considera lícito, sem o aprovar expressamente”, ou seja, não impedir, podendo fazê-lo, que outro ou outros pratiquem determinado mal. A tolerância, entendida como respeito e consideração face à diferença, ou como uma disposição para admitir nos outros uma maneira de ser e de agir distinta da nossa, de aceitação de um pluralismo legítimo, é em todos os aspectos um valor de enorme importância. No entanto, a tolerância não é uma atitude de simples neutralidade ou indiferença, mas uma posição resultante de algo, que ganha significado quando se opõe ao seu limite, que é o intolerável.
A condição humana caracterizou-se sempre pela diversidade. No entanto, lamentavelmente, a aceitação dessa diversidade por parte da humanidade tem sido difícil.
Quantas e quantas vezes nos damos conta que estamos, também nós, a ser intolerantes. Nos nossos dias tudo e nada são motivos para nos tornarmos intolerantes.
É preciso lutar contra a intolerância. Só porque os outros pensam de forma diferente de nós, não quer dizer que sejam nossos inimigos. Têm o mesmo direito que nós temos a pensar da forma que acham mais correcta.
(José Amaral)
sábado, 7 de novembro de 2009
Nunca tinha lido nada de Philip Roth, mas começo a perceber por que é que ele um autor de culto, e que já vem sendo falado, ano após ano, para o Nobel. Pelo menos, deixou-me curioso para procurar novos títulos da sua autoria.O livro que escolhi, e em boa hora o fiz, para iniciar a leitura de Philip Roth foi Todo-o-Mundo (Dom Quixote, 179 páginas).
Uma escrita cativante que nos prende e que nos deixa agarrados ao livro, que se lê muito facilmente.
Este livro é-nos apresentado como sendo uma história iniludivelmente íntima, embora universal, de perda, arrependimento e estoicismo. A personagem principal, um criativo de sucesso numa agência publicitária, combate contra a imortalidade. Logo a partir do primeiro e chocante confronto da personagem com a morte, nas praias idílicas dos seus verões de infância. Este homem, divorciado, é pai de dois filhos, de um primeiro casamento, que o desprezam, e de uma filha, de um segundo casamento, que o adora. É o irmão querido de um bom homem, cuja boa forma física virá a despertar nele uma amarga inveja, e é o solitário ex-marido de três mulheres muito diferentes com quem teve casamentos desastrosos.
Como podemos ler na sinopse do livro «O terreno em que se desenrola este romance poderoso – o vigésimo sétimo livro de Roth e o quinto a ser publicado no século XXI – é o corpo humano. O seu tema é a experiência comum que a todos nós aterroriza. Uma história iniludivelmente íntima, embora universal, de perda, arrependimento e estoicismo – o combate de um homem contra a mortalidade».
Um livro que merece uma leitura atenta. Recomendo.
(José Amaral)
sábado, 31 de outubro de 2009
Genial! Obrigatório!...
Após algum tempo sem apresentar novas sugestões literárias, eis-me de novo a fazê-lo. Desta feita trata-se de uma obra-prima, a não perder. A tarefa pode afigurar-se difícil, mas logo logo se torna numa agradável tarefa. Torna-se numa droga literária, que nos agarra da primeira à última página. E são muitas, as páginas! Mas parecem poucas.Trata-se de 2666 (Editora Quetzal, 1030 páginas), de Roberto Bolaño.
A crítica é unânime em aclamar Bolaño e é justa essa aclamação. Para José Mário Silva, no “Expresso”, «[o leitor fica] hipnotizado desde as primeiras páginas pela riqueza estilística da prosa de Bolaño, pela invenção e energia pura da sua linguagem. [...] são mais de mil páginas geniais e magnéticas. “2006” [é] o acontecimento literário de 2009.» Francisco José Viegas, no “Público”, disse que «Depois de ter lido Bolaño a nossa vida muda um pouco. Não se pode esquecer que aquilo que ele deixou escrito, e que é uma tempestade, uma torrente, um delírio, como deve ser a literatura.»Já no jornal espanhol, “La Vanguardia” pode ler-se que «2666 está destinado a ser, não só o grande romance em língua castelhana da primeira década no novo século, mas também uma das peças fundamentais de toda a literatura.» Para o “The New Yorker”, «Os temas são a violência, deslocação, a sexualidade da literatura - vertentes interminavelmente recombinadas na Europa, Detroit e México, através de múltiplos narradores e estilos de prosa.»
A crítica abre-nos o apetite para a leitura desta belíssima obra, mas para que esse apetite seja, ainda, mais evidente aqui fica a sinopse desta magnífica obra:
«O que liga quatro germanistas europeus (unidos pela paixão física e pela paixão intelectual pela obra de Benno von Archimboldi) ao repórter afro-americano Oscar Fate, que viaja até ao México para fazer a cobertura de um combate de boxe? O que liga este último a Amalfitano, um professor de filosofia, melancólico e meio louco, que se instala com a filha, Rosa, na cidade fronteiriça de Santa Teresa? O que liga o forasteiro chileno à série de homicídios de contornos macabros que vitimam centenas de mulheres no deserto de Sonora? E o que liga Benno von Archimboldi, o secreto e misterio-so escritor alemão do pós-guerra, a essas mulheres barbaramente violadas e assassinadas? 2666.
Para se ler sem rede, como num sonho em que percorremos um caminho que nos poderá levar a todos os lugares possíveis».
É obrigatório ler este livro! Será um crime não o fazer.
(José Amaral)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Ontem foi dia de cinema. Confesso que mais movido pela curiosidade, que por outro motivo, fui ver o filme/documentário sobre Michael Jackson. Fiquei agradavelmente surpreendido. Sobre ele muito foi dito, e algumas coisas reprováveis, mas enquanto cantor/entertrainer MJ era realmente genial. Sempre preocupado em atingir a perfeição para agradar aos seus fãs. Pode ter havido alguma selecção, mas aquilo que o filme nos mostra é um MJ nada vedeta, bastante humilde.Aqui fica a sinopse: «?MICHAEL JACKSON?S THIS IS IT? é o resultado de uma selecção entre mais de 100 horas de imagens inéditas dos ensaios para a Tournée que Michael Jackson faria na O2 Arena, em Londres e que decorreram entre Março e Junho de 2009 no Staples Center, em Los Angeles, e no The Forum, em Inglewood, Califórnia. O filme irá oferecer aos fãs do cantor e amantes de música em todo o mundo, a possibilidade de verem e ouvirem Jackson de uma forma privilegiada e privada, como nunca antes o puderam ver, num olhar exclusivo sobre os bastidores destes ensaios, que incluem diversas músicas do artista. ?MICHAEL JACKSON?S THIS IS IT? traz-nos uma visão única da produção do último espectáculo do cantor, dançarino, realizador, génio criativo e artista fenomenal».
Vale a pena, pela música e pelo espectáculo, ver este filme.
(José Amaral)
domingo, 25 de outubro de 2009
Com apenas 12 anos entrou para a escola de Belas Artes. Em todos os anos ganhou o primeiro prémio, devido às suas enormes faculdades e qualidade artísticas.
Realizou inúmeras exposições, tanto em Portugal como no estrangeiro, designadamente em Madrid, Paris e Rio de Janeiro. Foi pioneiro do Naturalismo em Portugal, tendo integrado o “Grupo do Leão”.
Destacou-se também por ser um dos pintores portugueses que mais se aproximou da corrente artística Impressionista.
Em 1933, ano da sua morte, foi criado o Museu de José Malhoa nas Caldas da Rainha. Este museu foi edificado no parque D. Carlos I, em 1940.
O Museu reúne colecções de pintura, escultura, medalhística, desenho e cerâmica dos séculos XIX e XX.
Em Agosto deste ano tive oportunidade de visitar este museu e fiquei, deveras, encantado. Pelo belo parque onde se insere, mas, igualmente, pela obra ímpar de Malhoa. Muitos eram os quadros expostos – embora “O Fado” estivesse ausente – e tanto no interior como no exterior muitas eram as estátuas de beleza impressionante. É um local que merece uma visita atenta.
(José Amaral)
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Não esquecer
No dia 25 de Outubro, tem início o período de “Hora de Inverno”.Assim, os relógios irão ser atrasados de 60 minutos às 2h00 da madrugada de Domingo (25 de Outubro) em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, passando para a 1h00.
Esta mudança é feita conforme o previsto na Lei.
O Dec. Lei no 17/96, de 8 de Março estabelece a relação entre UTC e Hora Legal no Continente e Ilhas da Madeira e dos Açores, ou seja, define quando (dia do ano) se fazem os adiantamentos e atrasos entre Hora Legal e UTC. Actualmente, estas mudanças e definições estão regulamentadas pela coordenação exigida dentro da União Europeia (Sétima Directiva no 94/21/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 30 de Maio de 1994).
(José Amaral)
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
dia do poeta
A 20 de Outubro comemora-se o Dia do Poeta. Infelizmente a Poesia é um género arredio das leituras da maioria dos portugueses. E é pena! A Poesia é um género literário nobre, a arte suprema da escrita. É pena que não lhe seja dada a importância que merece.
Aqui ficam dois poemas sugestivos, de Fernando Pessoa e de Florbela Espanca, para “comemorar” este dia.
Viva a Poesia!
Aqui ficam dois poemas sugestivos, de Fernando Pessoa e de Florbela Espanca, para “comemorar” este dia.
Viva a Poesia!
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.
Ser poeta é ser mais alto…
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(José Amaral)
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Cântico
Num impudor de estátua ou de vencida,
coxas abertas, sem defesa... nua
ante a minha vigília, a noite, e a lua
ela, agora, descansa, adormecida.
Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro... e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
sobre funduras e confins do mundo.
Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...
enquanto o luar a numba, inerte, gasta
da ternura feroz do meu amplexo.
Cantam-me as veias poemas nunca feitos...
e eu pouso a boca, religiosa e casta,
sobre a flor esmagada do seu sexo.
(José Régio)
Num impudor de estátua ou de vencida,
coxas abertas, sem defesa... nua
ante a minha vigília, a noite, e a lua
ela, agora, descansa, adormecida.
Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro... e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
sobre funduras e confins do mundo.
Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...
enquanto o luar a numba, inerte, gasta
da ternura feroz do meu amplexo.
Cantam-me as veias poemas nunca feitos...
e eu pouso a boca, religiosa e casta,
sobre a flor esmagada do seu sexo.
(José Régio)
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Como decidir?
Está em exibição nas salas de cinema um belíssimo filme. Para a Minha Irmã, de Nick Cassavetes, com excelentes interpretações de Cameron Diaz, Alec Baldwin, Abigail Breslin, Joan Cusack, Jason Patric. Um filme “altamente” emotivo que nos faz pensar, que nos coloca muitas questões de resposta difícil. Um filme que vale a pena ver. Aqui fica a sinopse do filme:«Os Fitzgerald são uma família como tantas outras e têm dois filhos, Jesse e Kate. Quando Kate chega aos dois anos de idade é-lhe diagnosticada uma forma grave de leucemia. Os pais resolvem então ter outro bebé, Anna, geneticamente seleccionada para ser uma dadora perfeitamente compatível para a irmã. Desde o nascimento até à adolescência, Anna tem de sofrer inúmeros tratamentos médicos, invasivos e perigosos, para fornecer sangue, medula óssea e outros tecidos para salvar a vida da irmã mais velha. Toda a família sofre com a doença de Kate. Agora, ela precisa de um rim e Anna resolve instaurar um processo legal para requerer a emancipação médica - ela quer ter direito a tomar decisões sobre o seu próprio corpo».
(José Amaral)
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Poe...ta
Edgar Allan Poe nasceu em Boston, a 19 de Janeiro de 1809 e faleceu em Baltimore, a 7 de Outubro de 1849. No dia 3 de Outubro de 1849, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de “delirium tremens”, e levado para o Washington College Hospital, onde veio a morrer apenas quatro dias depois. Foi um escritor, poeta, romancista, crítico literário e editor.
Aqui fica um poema sugestivo de Poe:
Aqui fica um poema sugestivo de Poe:

Annabel Lee
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor –
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demónios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor –
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demónios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
(José Amaral)
quinta-feira, 1 de outubro de 2009

InsóniA
A minha cama parecia
um mar revolto,
em dia de tempestade.
Eu parecia um barco
à deriva.
As ondas, gigantes,
faziam-me sentir um anão.
Esta insone epopeia
parecia não findar.
Voltas e mais voltas
deste barco, indefeso,
qual casca de noz,
procurando um porto de abrigo.
Fogos de S’Antelmo,
Adamastores,
trombas d’água,
vagas enormes,
tudo servia para amedrontar
este pobre mareante.
Tu? Quem eras, tu?
O canto da sereia
foi a punhalada final,
e fatal,
nesta agonia.
Naufraguei pela vida...
A minha cama parecia
um mar revolto,
em dia de tempestade.
Eu parecia um barco
à deriva.
As ondas, gigantes,
faziam-me sentir um anão.
Esta insone epopeia
parecia não findar.
Voltas e mais voltas
deste barco, indefeso,
qual casca de noz,
procurando um porto de abrigo.
Fogos de S’Antelmo,
Adamastores,
trombas d’água,
vagas enormes,
tudo servia para amedrontar
este pobre mareante.
Tu? Quem eras, tu?
O canto da sereia
foi a punhalada final,
e fatal,
nesta agonia.
Naufraguei pela vida...
(in "Poder da Díctamo", José Amaral)
domingo, 27 de setembro de 2009
Guerra Colonial
Desta feita chego ao fim das leituras resultantes do encontro de escritores, da “Papiro Editora”, a 25 de Abril de 2009, no Porto. O livro é de João Carlos Sarabando e chama-se As Hienas Também Choram (Papiro Editora, 451 páginas).Neste livro o autor traz-nos à memória a guerra colonial. Como diz o autor: «Participaram, cada um à sua maneira, numa aventura onde aprenderam que as palavras sem emoções, as ideias e os preconceitos sem experiência não tinham qualquer significado. No princípio julgavam que iriam participar, cada um por razões diferentes, numa guerra contra alguém. Só mais tarde perceberam que esse alguém eram eles mesmos. Não foi uma guerra contra ninguém, foi a construção de si próprios. Não foram heróis nem traidores, soldados ou guerrilheiros, não participaram na história de ninguém, apenas construíram um bocado da sua. Os abraços que deram, as feridas que lamberam, os amigos que enterraram, ou os inimigos que abateram não foram, por isso mesmo, aquilo que antes julgavam que fosse. Nunca é».
Aqui fica um excerto: «À entrada do bloco esperava-nos o terror... Soldados, ou o que restava deles, e um bocado por todo o lado, faziam bicha deitados em macas, naquele exíguo espaço que não fora dimensionado para semelhante afluência. Os enfermeiros de serviço procuravam fazer a triagem da situação, identificar sumariamente a identidade e o estado das vítimas, ao mesmo tempo que corriam connosco de lá para fora. As portas do bloco operatório, sempre a abrir e a fechar, mostravam de forma intermitente a tragédia desta guerra... a mais sanguinária que se possa imaginar: Soldados a serem amputados de uma ou mesmo das duas pernas, em condições de trabalho impensáveis! Aqueles médicos só sendo super-homens ou super-dráculas, poderiam aguentar um turno daquela carnificina, não havia meio-termo... Os cheiros a suor, sangue, calor e outros mais pestilentos, misturados com gritos lancinantes, transformavam aqueles profissionais em monstros/deuses com gestos sempre bruscos e mecanizados. Nenhum sentimento ou emoção parecia cobrir-lhes o suor a correr em bica dos rostos; apenas o frenesim nas serras a cortar a carne e os ossos para desgraçar a vida, mas matar a morte...»
(José Amaral)
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Poeta
T. S. Eliot nasceu em St. Louis, a 26 de Setembro de 1888 e faleceu em Londres, a 4 de Janeiro de 1965. Poeta modernista, dramaturgo e crítico literário recebeu o Nobel de Literatura de 1948.
Eliot nasceu nos Estados Unidos, mudou-se para a Inglaterra em 1914, tornando-se cidadão britânico em 1927, com 39 anos de idade.
Eliot nasceu nos Estados Unidos, mudou-se para a Inglaterra em 1914, tornando-se cidadão britânico em 1927, com 39 anos de idade.

Há um tinir de louças de café
Nas cozinhas que os porões abrigam,
E ao longo das bordas pisoteadas da rua
Penso nas almas húmidas das domésticas
Brotando melancólicas nos portões das áreas de serviço.
As ondas castanhas da neblina me arremessam
Retorcidas faces do fundo da rua,
E arrancam de uma passante com saias enlameadas
Um sorriso sem destino que no ar vacila
E se dissipa rente ao nível dos telhados.
(Tradução: Ivan Junqueira)
(José Amaral)
domingo, 20 de setembro de 2009
Alzheimer...
No dia 21 de Setembro comemora-se o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer.A Alzheimer é a forma mais comum de demência. A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa que, lenta e progressivamente, destrói as células cerebrais. Chama-se assim, porque foi Alois Alzheimer, um psiquiatra alemão, quem em 1906 descreveu pela primeira vez os sintomas e as características neuropatológicas desta doença, tais como placas e tranças neurofibrilhares no cérebro. A doença afecta a memória e o funcionamento mental (por exemplo o pensamento e a fala, etc), mas pode igualmente levar a outros problemas, tais como confusão, alterações de humor e desorientação no tempo e no espaço.
Em 2006 o número de portadores de Alzheimer diagnosticados era cerca de 26.6 milhões de pessoas no mundo inteiro.

Cada paciente de alzheimer sofre a doença de forma única mas existem pontos em comum, por exemplo o sintoma primário mais comum é a perda de memória. Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com problemas de idade ou de stress. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas como confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade. As suas funções motoras começam a perder-se e o paciente acaba por morrer.
(José Amaral)
Feriado em terras de Viriato
Segundo a lenda da cidade, em pleno processo de Reconquista, um membro de um grupo de guerreiros chegado à cidade pelo lado oriental, onde se intersectam os rios Pavia e Dão, perguntou: «Que viso (vejo) eu?». Desta pergunta, nasceria o nome da cidade de Viseu.
Viseu é a capital do Distrito de Viseu, na região Centro e sub-região de Dão-Lafões com 47 250 habitantes.
É sede de um município com 507,10 km² de área, com 34 freguesias e 99 016 habitantes segundo os últimos dados do INE de 2008. O Feriado municipal de Viseu é no dia 21 de Setembro.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Nome maior da Poesia
Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage nasceu em Setúbal, a 15 de Setembro de 1765 e faleceu em Lisboa, a 21 de Dezembro de 1805. Foi um célebre poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.
Aqui fica um dos seus mais conhecidos, e belos, poemas:
Aqui fica um dos seus mais conhecidos, e belos, poemas:

Já Bocage não sou!... À cova escura
Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
(José Amaral)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Sugestão literária
Depois das férias (na rentrée) deparei-me com a publicação de um livro que me chamou a atenção. Trata-se de uma obra de Junot Díaz que recebeu uma série de prémios, dos quais se destaca o “Pulitzer Prize 2008”. O livro em questão é A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao (Porto Editora, 294 páginas).É um livro que nos relata a vida conturbada de Oscar Wao, um jovem excessivamente gordo que, por ser rejeitado pelos outros jovens, se refugia nos livros, no cinema e nos jogos. Oscar é rejeitado pelas mulheres por quem platonicamente se apaixona. O livro fala sobre a solidão e a força do destino, que, na opinião do autor, somos nós que o fazemos. É uma obra que prende o leitor do primeiro ao último momento e que nos faz ganhar uma certa simpatia com a personagem principal. Um livro a não perder!...
Aqui fica a sinopse do livro:
«Oscar Wao é enorme. E dominicano. Gozado pelos colegas e isolado do mundo, sonha com raparigas e aventuras extraordinárias, sente vergonha por não estar à altura da reputação viril dos machos dominicanos, mas não consegue mais do que uma vida de desilusões.
Para Oscar, o drama é um fado demasiado familiar.
A sua breve e assombrosa vida está marcada a ferro e fogo por uma maldição ancestral, o fukú, que, nascido em Santo Domingo, é transmitido de geração em geração, como uma semente ruim.
Alimentada pela sorte dos seus antepassados, quebrados pela tortura, pela prisão, pelo exílio e pelo amor impossível, a história de Oscar escreve-se fulgurante e catastrófica, e integra a grande História, a da ditadura de Trujillo, a da diáspora dominicana nos Estados Unidos e a das promessas incumpridas do Sonho Americano».
(José Amaral)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


