terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nome maior da Poesia

Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage nasceu em Setúbal, a 15 de Setembro de 1765 e faleceu em Lisboa, a 21 de Dezembro de 1805. Foi um célebre poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.
Aqui fica um dos seus mais conhecidos, e belos, poemas:


Já Bocage não sou!... À cova escura

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!



(José Amaral)



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sugestão literária

Depois das férias (na rentrée) deparei-me com a publicação de um livro que me chamou a atenção. Trata-se de uma obra de Junot Díaz que recebeu uma série de prémios, dos quais se destaca o “Pulitzer Prize 2008”. O livro em questão é A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao (Porto Editora, 294 páginas).
É um livro que nos relata a vida conturbada de Oscar Wao, um jovem excessivamente gordo que, por ser rejeitado pelos outros jovens, se refugia nos livros, no cinema e nos jogos. Oscar é rejeitado pelas mulheres por quem platonicamente se apaixona. O livro fala sobre a solidão e a força do destino, que, na opinião do autor, somos nós que o fazemos. É uma obra que prende o leitor do primeiro ao último momento e que nos faz ganhar uma certa simpatia com a personagem principal. Um livro a não perder!...
Aqui fica a sinopse do livro:
«Oscar Wao é enorme. E dominicano. Gozado pelos colegas e isolado do mundo, sonha com raparigas e aventuras extraordinárias, sente vergonha por não estar à altura da reputação viril dos machos dominicanos, mas não consegue mais do que uma vida de desilusões.
Para Oscar, o drama é um fado demasiado familiar.
A sua breve e assombrosa vida está marcada a ferro e fogo por uma maldição ancestral, o fukú, que, nascido em Santo Domingo, é transmitido de geração em geração, como uma semente ruim.
Alimentada pela sorte dos seus antepassados, quebrados pela tortura, pela prisão, pelo exílio e pelo amor impossível, a história de Oscar escreve-se fulgurante e catastrófica, e integra a grande História, a da ditadura de Trujillo, a da diáspora dominicana nos Estados Unidos e a das promessas incumpridas do Sonho Americano».

(José Amaral)

domingo, 6 de setembro de 2009

Está nos cinemas um filme que merece ser visto. Trata-se de Assalto ao Metro 123 (no original “The Taking of Pelham 123”), um “thriller” realizado por Tony Scott e com excelentes interpretações de John Travolta (Ryder) e de Denzel Washington (Walter Garber). Os 121 minutos do filme passam a correr. O suspense vai-se acumulando, mas o final é feliz.
Aqui fica a sinopse do filme:
«Walter Garber, um controlador de tráfego da linha do metro de Nova Iorque, vê-se envolvido no sequestro de um dos comboios por quatro bandidos armados comandados por Ryder, líder tão brilhante quanto implacável, que ameaça matar a sangue frio os 18 passageiros caso o resgate de um milhão de dólares não seja pago no prazo máximo de uma hora. Garber e Camonetti, negociador da polícia de Nova Iorque, são as pessoas do outro lado do telefone que usarão todos os meios para vencer os criminosos e salvar os passageiros. Mas um problema continua sem solução: mesmo que os ladrões consigam o dinheiro, como poderão escapar da linha de metro?»

(José Amaral)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Como venho fazendo, de algum tempo a esta parte, divulgo mais um livro de colegas de escrita com os quais pude privar na comemoração do 25 de Abril deste ano, no Porto.
Desta feita trata-se de um livro de Ana Paula de Castro, Deus Acorda (Papiro Editora, 254 páginas).
Trata-se de um livro de leitura agradável e estimulante. Este romance narra-nos a moderna História de Angola. Daquela que vai dos anos pré-insurreccionais até aos nossos dias.
A autora conta-nos, essencialmente, a história de um miúdo angolano, Adrocasued – Deus Acorda lido ao contrário –, nascido num quimbo perto de Benguela, e que vivia do que a terra lhe oferecia, sem preocupações de maior e em paz contemplativa com a natureza. António era ávido do conhecimento e da inquietude que todos os humanos demonstram ter na presença o desconhecido. Este rapaz fez-se homem, desenvolveu a sua personalidade entre o misticismo natural do povo e o seminário. Este mesmo rapaz-homem vem para a metrópole para se formar em Direito. Passa por tempos conturbados mas consegue realizar os seus sonhos, porque quer Deus, quer os Kazumbiris, desejam que sempre que uma porta se feche, uma janela se abra.
Está de parabéns a autora!

(José Amaral)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Altamente

Aqui fica uma sugestão cinematográfica, género animação (aventura, comédia) que recomendo vivamente. Trata-se de Up–Altamente. Um filme muito bem realizado, com grafismos espectaculares, uma história bem construída e com uma mensagem muito interessante. Esta comédia, dos estúdios Disney Pixar agrada a crianças e adultos.
Aqui fica a sinopse do filme:
«Carl Fredricksen, um vendedor de balões de 78 anos, vai, finalmente, realizar o sonho da sua vida (que gostaria de ter partilhado com a sua mulher Ellie), uma grande aventura, quando prende milhares de balões à sua casa e consegue voar à descoberta da América do Sul. Mas ele vai descobrir, tarde demais, que o seu maior pesadelo também embarcou nesta viagem... Um explorador da natureza, super optimista, de 8 anos, chamado Russel».

(José Amaral)

domingo, 30 de agosto de 2009

Regresso

Depois deste interregno, para descansar e para reganhar forças para mais um ano lectivo, eis-me de regresso. Faço votos para que todos os meus leitores tenham tido umas férias óptimas.
Nada melhor que sugerir mais um livro. Trata-se de Meio Sol Amarelo (Edições Asa, 535 páginas), de Chimamanda Ngozi Adichie. Este romance venceu o “Orange Prize” em 2007.
É um livro sobre guerra, mais especificamente a guerra civil nigeriana, deflagrada no final dos anos 60, na qual o governo central tentava reverter a autodeclarada independência da região de Biafra, o que perdurou entre 1967 e 1970. Mas não conta uma história sobre heróis de guerra ao estilo dos sucessos de Hollywood. Com uma narrativa simples e precisa, a autora nascida na Nigéria e radicada nos estados Unidos, mostra como é ser civil em meio a um conflito em andamento. Chimamanda mostra a trajectória do jovem camponês Ugwu, da professora universitária e filha de família influente Olanna e seu amante, o também professor universitário Odenigbo, da irmã gémea de Olanna, Kainene, e o namorado dela Richard, um inglês interessado pela cultura da ex-colónia britânica. A guerra altera-lhes a vida e esta como era já não existe mais; a única certeza que se pode ter é a da imprevisibilidade dos próximos acontecimentos. As personagens vão ser forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição. Todas elas vão assistir ao desmoronar da realidade tal como a conheciam devido a uma guerra que tudo transformará irremediavelmente. O romance lê-se com agrado redobrado e o leitor torna-se um “visitante” nas vidas destas personagens. Nós, leitores, vamos acompanhando a decadência das condições de vida das personagens, o modo como se tentam adaptar às novas condições.
É uma obra interessantíssima que nos faz, acima de tudo, pensar nas crueldades que uma guerra pode encerrar, mas ao mesmo tempo no desprendimento e na inter-ajuda daqueles que sofrem.

(José Amaral)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Durante uns dias estarei de férias, pelo que não publicarei nenhum post. A todos os leitores do Ad Litteram desejo umas boas férias, um bom descanso.
Até qualquer dia!..
(José Amaral)

Leitura para férias

Antes de uma pausa para férias, deixo aqui mais uma sugestão literária. Desta feita trata-se de uma obra do vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2008, Le Clézio. A obra em questão é Deserto (Dom Quixote, 190 páginas). Este livro aborda uma das grandes preocupações de Le Clézio, as condições de vida dos povos nómadas ameaçados de extinção.
Porém, não obstante todas as experiências que usualmente transformam os seus conterrâneos relata a marcha de um exército de maltrapilhos muçulmanos que, com os seus camelos e cavalos, cabras, mulheres e crianças atravessa o deserto da Mauritânia, alguns deles vindos de mais longe ainda, do Sudão ou de Tombuctu, para se juntarem, na cidade santa de Smara, às tropas do sheik Al Maminey que pretende avançar para Norte e atacar os colonialistas franceses que hão-de dízimá-los cruelmente, a soldo de grandes interesses económicos. De entre as personagens mais importantes destacam-se Nour, um rapazinho que vive estas experiências de sede, fome, doença, combate e desilusão; e especialmente Lalla ou Hawa ben Hawa, que se apaixona, ainda adolescente, por um pastorinho semi-selvagem, surdo mudo, que a engravida. Esta menina arisca é levada para Marselha numa leva da Cruz Vermelha Internacional e arruma quartos como empregada doméstica, num hotel de prostitutas e vadios.
Descobre-a um grande fotógrafo, impressionado pela sua beleza exótica, que dela faz uma cover girl. Mas, à beira de expirarem os nove meses da gravidez de Lalla, ela sem se despedir de ninguém, deixa França e uma carreira promissora e regressa à sua terra, para aí, frente ao mar, encostada ao tronco de uma árvore, sozinha, dar à luz a criança tão desejada.
É uma obra interessantíssima, com descrições pormenorizadas que nos fazem acompanhar as viagens destas personagens. Merece uma leitura cuidada. Uma sugestão agradável para as férias.

(José Amaral)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

grita

Na senda da divulgação de obras de colegas meus (presentes na comemoração do 25 de Abril de 2009 no Porto), apresento hoje um livro de Lígia Bastos: Grito (Papiro Editora, 203 páginas). A autora é professora e filha do escritor Dário Bastos.
Na contracapa Fátima Silva escreve «Por agora, cumpre-nos apresentar este? Grito? uma obra diferente, revisitada/ressuscitada pela autora, após algum tempo de espera. É que em ?Grito? é uma nova vertente criativa que nos é apresentada - a autora/heroína, de forma bem audível e sentida partilha com o leitor um testemunho vivo - e vivido - de uma época que esperamos não regresse.

(…)
Romance de personagens reais, com alguma pitada de imaginação – sempre necessária na arte da escrita – “Grito” reconduz-nos a um tempo já distante, apresentando-nos problemas sempre presentes, porque intemporais».
No final do livro, contudo, a autora deixa-nos a liberdade de escolher se as personagens são reais, são fictícias ou a mistura de ambas. Serve este livro para reviver esses tempos conturbados do 25 de Abril (antes, durante e um pouco depois). Fica-nos este registo histórico para nos avivar a memória desses outros tempos.

(José Amaral)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

jesusalém

No dia 15 de Julho de 2009, Mia Couto apresentou em Viseu, no Salão da Assembleia Municipal, a sua última obra, o romance Jesusalém.
Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955. Foi jornalista. É professor, biólogo, escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação, por um júri criado para o efeito pela Feira Internacional do Livro do Zimbabwe, de Terra Sonâmbula como um dos doze melhores livros africanos do século XX), foi galardoado, pelo conjunto da sua já vasta obra, com o Prémio Vergílio Ferreira 1999 e com o Prémio União Latina de Literaturas Românicas 2007. Ainda em 2007 Mia foi distinguido com o Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura pelo seu romance "O Outro Pé da Sereia".
Quanto a este seu último romance, “Jesusalém”, lê-se na contracapa que “é seguramente a mais madura e mais conseguida obra de um escritor em plena posse das suas capacidades criativas. Aliando uma narrativa a um tempo complexa e aliciante ao seu estilo poético tão pessoal, Mia Couto confirma o lugar cimeiro de que goza nas literaturas de língua portuguesa. A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado, diz um dos protagonistas deste romance. A prosa mágica do escritor moçambicano ajuda, certamente, a reencantar este nosso mundo”.
O livro narra-nos a história de Silvestre Vitalício que, após a morte da mulher, Dordalma, se afasta da cidade e do mundo. Num lugar remoto, uma velha coutada, que ele baptiza de Jesusalém, Silvestre vai viver com os filhos Mwanito e Ntunzi, com o fiel Zacarias Kalash e a jumenta Jezibela que era mais que uma jumenta…
É uma obra, a exemplo de outras suas, que se lê com agrada e num fôlego. Uma obra a não perder, uma leitura alegre e agradável para estas férias.

(José Amaral)

sábado, 25 de julho de 2009

Vale a pena ler

No seguimento da publicação de obras de colegas de escrita (do encontro de 25 de Abril de 2009) apresento desta vez um livro de António Sá Gué, Fantasmas de Uma Revolução (Papiro Editora, 172 páginas). Trata-se de uma obra interessante de leitura extremamente cuidada, e “bastante adjectivada” fazendo lembrar a escrita de Valter Hugo Mãe. O livro narra-nos uma história interessantíssima, vivida nos tempos conturbados da revolução. Aqui fica asinopse:
«Poucos terão sido aqueles que, em idade da razão, não tivessem vivido intensamente o período conturbado do PREC, cheio de contradições e acontecimentos marcantes. Nesse tempo, agora só de memórias, as palavras cortavam como facas e a canção era uma inquietante e irónica arma de revolta. Nessa época de liberdade e libertinagem, alegrias e tristezas, de excessos provavelmente frutos da longa noite de escuridão, concatenaram-se numa longa trama de avanços e recuos políticos, podendo muito bem ter culminado na instalação de uma ditadura do proletariado. Ninguém assistiu a tal realidade, ou melhor, só o personagem central do romance a vive. O Alberto Magro e a família, homem a entrar na casa dos “entas”, temente a Deus, ao Marcelo Caetano e aos valores que ele representa, e sem nunca perceber como, se vê injustamente envolvido em prováveis acontecimentos políticos desse tempo ficcionados ao longo de toda a trama. Nessa hipótese aqui aventada, o país muda tanto quanto a personagem central. O Alberto operário têxtil, pressente a mudança. Vai abrir a porta de casa ao seu irmão que regressa das ex-colónias, conotado com o anterior regime, e vai ver-se injustamente enclausurado em Custóias. Após a sua libertação, ao querer salvar o seu próprio irmão, também ele preso num distópico campo de aprendizagem, vai escavando um profundo “buraco” na terra e nele próprio. Forças que não dominam apoderam-se dele e consomem-no à medida que a revolução avança. Nessa lenta metamorfose mirrante, resultante das injustiças em que se vê envolvido e da descrença nos valores em que sempre acreditou, culminará num paradoxal e trágico acontecimento: o enterro no seu próprio buraco.
O país em paralelo, vai-se igualmente transformando, avermelhando, trancando-se sobre si próprio. A litoralização do país a que hoje se assiste não existe, o interior continua como sempre pobre mas povoado».
Este livro merece uma leitura cuidada. Estás de parabéns Sá Gué.

(José Amaral)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pausa


Uma pausa para um descanso. Até qualquer dia...
(José Amaral)

terça-feira, 14 de julho de 2009

quissonde

No seguimento da divulgação de obras de colegas de escrita (resultante de um encontro de escritores no dia 25 de Abril de 2009), traga “à luz do Blog” uma obra de Rodrigues Miguel, Quissonde Angola 65/67 (Papiro Editora, 59 páginas). É um relato na primeira pessoa de dois anos passados em Angola, em plena guerra colonial. Uma escrita fluente que nos recorda o que foi o passado, porque, como diz o autor, o mesmo não deve ser apagado. Deve ser recordado, mas evitando os erros.
Aqui fica a sinopse:
«A Guerra Colonial foi travada em África nas então Colónias Portuguesas de Angola, Moçambique e Guiné durante treze longos anos, de 1961 a 1974. Em Angola, teve início no mês de Março de 1961, nos distritos de Zaire, Uige e Quanza Norte, por acção directa da UPA, com violentos e bárbaros massacres de populações brancas e trabalhadores negros de outras etnias, oriundos de outras regiões de Angola. "Quissonde" narra e descreve o decurso de duas operações de uma comissão de dois anos passada em Angola, de 1965 a 1967, na zona de intervenção norte, com um pelotão de Engenharia, que apesar de não ser tropa vocacionada para acções de combate, se viu envolvida em zonas de alto risco».

(José Amaral)

sábado, 11 de julho de 2009

Já por quatro vezes aqui, no Ad Litteram, sugeri obras de Ken Follet. Maravilhosas!
Por duas vezes “Os Pilares da Terra” (volumes I e II) e “Um Mundo sem Fim” (volumes I e II). Teci os mais rasgados elogios, em particular à primeira obra.
Desta feita, aconselho o novo livro de Ken Follet, O Homem de Sampetersburgo (Bertrand Editora, 350 páginas). Num registo distinto das duas obras atrás referidas, este novo livro não deixa de ser uma pérola literária. Uma excelente leitura de e para férias. Uma leitura que nos prende do princípio ao fim e que quase nos obriga a ler o livro de um fôlego só. É um romance repleto de suspense, luxúria e mentiras. O palco da história é a Londres vitoriana. É simultaneamente um romance sobre um revolucionário russo que viaja até Inglaterra para tentar criar um incidente internacional e uma (despretensiosa) lição de História. Follett apresenta-nos a Alemanha a preparar-se para a guerra e os aliados constroem as suas defesas. Ambos precisam da Rússia. Desenham-se estratégias, cerram-se fileiras. E nisto, o revolucionário russo Feliks chega a Londres com o intuito de cometer um crime que haveria de mudar o curso da História. Muitas são as armas que este mestre da manipulação tem nas suas mãos, mas as mais perigosas são o amor de uma mulher inocente e a paixão insaciável de outra. Contra si erguem-se as forças policiais britânicas, um lorde abastado e influente e o jovem Winston Churchil. Qualquer homem teria sido detido, com excepção do homem de Sampetersburgo…
Aqui fica a sinopse:
«1914: a Alemanha prepara-se para a guerra e os aliados constroem as suas defesas. Ambos os lados precisam da Rússia. O Duque de Walden e Winston Churchill planeiam, em total segredo, uma aliança russa mas um homem infiltra-se em Inglaterra com a intenção de deixar a sua marca na História e deixar o país a seus pés...»

Quem não ler... não sabe o que perde!...

(José Amaral)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

infelicidades


MendicânciA


Faz-se fria a noite, na rua.
Eis que me encontro, aqui,
no aconchego palaciano do meu quarto,
qual poderoso rei mendigando as ruas
- salivadas, cuspidas, escarradas,
pelos janotas engravatados -,
àqueles a quem pertencem.

A frialdade nocturna,
repentinamente, deu lugar
a uma copiosa chuva torrentosa,
que me deixou louco de desejo
de resguardar o mundo
com um gigante guarda-chuva,
dessa pluviátil ameaça.
Estava nervoso!
Comia deleitosamente cigarros
como quem fuma, asquerosamente,
cerejas umas atrás das outras.

Voltei à minha palaciana mendicância.

Mendiguei as pedras paralelepipédicas,
gélidas e amargas,
a quem delas se alimenta
e retira o conforto que só se esbanja
em luxuosas casas.
Ali, na rua de todos,
só os pobres conseguiriam sobreviver
agarrados à miséria
e aos olhares doestos
daqueles que se julgam superiores.
Ali, na rua de todos,
só os ricos conseguiriam perder
não só a dignidade,
assi como a faustosa vida
que seus envidraçados palácios
encobrem desavergonhadamente.

Ali, na rua de todos,
o fidalguia mistura-se, a medo,
com a gentalha numa quasi igual disputa.

Na rua – simplesmente a rua -
os “corpos despidos de alma”
(serão gente?)
vivem o isolamento da multidão
que passa, apressada, ao largo
e nem sequer se digna cruzar
o seu comiserador olhar,
(com medo de ferir a menina dos olhos)
com o empobrecido olhar
daqueles que lhe estendem
a mão migalhando esmolas.

(...)

Anos passaram!
Pedintes nasceram, morreram
e a cidade continuou, indiferente,
às mãos estendidas dos pedintes.


(José Amaral, in "Poder da Díctamo")

domingo, 5 de julho de 2009

No dia 25 de Abril de 2009 participei numa sessão comemorativa desta data, no Porto, com outros companheiros de escrita. Entre eles encontrei Fernando Mascarenhas. A conversa entre ambos foi curta, mas interessante. No final do evento adquiri, deste autor amigo, o livro Cafeína (Papiro Editora, 274). É um livro que se lê com agrado redobrado. Uma escrita solta para uma leitura agradável. Na forma como o Fernando reverte as ideias em escrita, pude constatar a excelente pessoa que ele é. Fica, ainda, a informação de que o autor doou os Direitos de Autor à AMI.
Aqui fica a sinopse:
«A geração de 60 nos anos 70. Um mundo fechado. Um país atrasado. Salazar, a “Primavera Marcelista”, o 25 de Abril. Os anos de brasa. O adeus a África. A Descolonização e o PREC (Processo Revolucionário em Curso). O mundo empresarial e político. A emancipação da mulher. O primeiro abanão nos fundamentos da Família Tradicional. A complexidade das relações e dos sentimentos. O sexo, o amor e a morte».
Parabéns, Fernando!

(José Amaral)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

poema


Olhares


Tinha um brilho triste
nos olhos,
sempre,
aquele cachorrinho rafeiro.

Não seria antes o dono?

Ambos
(parecendo escoteiros de rua)
viviam da misericórdia
anónima dos passantes,
poisque partilhavam
as pedras da calçada
calcorredas
pelas gentes que passam.

O rafeiro
ainda recebia
- abanando a cauda –
festinhas na cabeça;
o humano
- sorrindo –
recebia…
… olhares de soslaio!!!


(José Amaral, in "Outonalidade")

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A não perder...

Já há algum tempo que não fazia nenhuma sugestão literária. Pois aqui fica uma a merecer uma leitura cuidada nestas férias.
Trata-se do livro Mar de Papoilas (Editorial Presença, 456 páginas) de Amitav Ghosh. Este livro foi finalista do Booker Prize de 2008. Há pouco tempo fiz aqui referência ao livro que em 2008 ganhou este prémio. “O Tigre Branco”, de Aravind Adiga.
Contudo, na minha modesta opinião este “Mar de Papoilas” é bem melhor.
Para se ter uma pequena ideia aqui ficam algumas citações sobre esta excelente obra:
«Uma saga de extraordinária riqueza... com muita acção e aventura à la Dumas, mas com momentos de grande profundidade à maneira de Tolstoi - e um toque de sentimento como em Dickens.» (The Observer). «Um romance avassalador…» (The Guardian). «Épico… Em Ghosh cada cena é delineada com arrojo, mas são a vitalidade e o entusiasmo deste magnífico contador de histórias que sustentam esta obra ambiciosa.» (The Daily Mail). Posto isto, nada melhor que a sinopse do livro:
«Este romance histórico desenrola-se no Norte da Índia em 1838, nas vésperas da primeira Guerra do Ópio. No centro desta saga vibrante e muito pouco convencional encontra-se Íbis, um antigo barco negreiro agora propriedade da Companhia das Índias Orientais, que se ocupa a recrutar coolies indianos que substituíam os escravos negros nas plantações de cana-de-açúcar em destinos longínquos, mas principalmente ao transporte de ópio para os consumidores chineses. É o início da diáspora indiana, o que irá reunir gente de todas as proveniências a bordo do mítico e fascinante Íbis. Aí, a ordem sempre precária será várias vezes abalada por episódios violentos. Apesar disso, os passageiros acabarão por se considerar jaházbahai, termo que significa «irmãos de navio». Mar de Papoilas é um romance inédito, pujante e vital».

(José Amaral)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Lançamento


A amiga Carla Marques, do Palavras em Desalinho (http://palavrasemdesalinho.blogspot.com/) vai, no dia 27 de Junho, às 16 horas na Biblioteca de Valongo, apresentar a sua obra In-Finitos Sentires.
Este é (segundo informação do seu blog, que aconselho) o seu primeiro livro de Poesia. Quem lê os textos, como eu, que ela publica no seu blog certamente que lhe augura bom futuro para o livro.
Carla, espero que a apresentação corra bem e que o livro seja um sucesso. Desde já, os meus parabéns.


(José Amaral)

domingo, 21 de junho de 2009

O Verão é uma das quatro estações do ano. Neste período, as temperaturas permanecem elevadas e os dias são longos. Geralmente, o Verão é o período do ano reservado às férias.
O Verão do hemisfério norte é chamado de "Verão boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Verão austral".
O "Verão boreal" começa com o solstício dedo Hemisfério Norte, a 21 de Junho, e terminaa com o equi Verão nócio de Outono nesse mesmo hemisfério, por volta de 23 de Setembro.
Finalmente, parece que o calor veio para ficar, embora as temperaturas tenham estado elevadíssimas.
Com o Verão, o Sol e as temperaturas elevadas todos os cuidados são poucos. Para saudar a chegada do Verão aqui fica um belo poema de William Shakespeare:




Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
(José Amaral)